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domingo, 12 de abril de 2009

Orange by Mary John of Kings



Nome: Maria João dos Reis
Cidade: Porto
Blog: orangebymaryjohnofkings.wordpress.com
Site: brevemente online
Loja online: http://en.dawanda.com/shop/MaryJohnofKings
Flickr: www.flickr.com/people/orangefilled




Como descreverias o teu trabalho?

Desenho em materiais geralmente pouco utilizados para desenhar, como gesso, tecido, barro, madeira… o principal é o desenho.



Como é que tudo começou?

Tudo surgiu a partir de uma ideia de uma amiga que queria criar acessórios sob o repto de arte para usar. A ideia não foi para a frente, mas a partir daí comecei a fazer alguns alfinetes para mim e alguns amigos, até que mostrei o meu trabalho a uma pessoa da loja Imerge que, de imediato, se propôs a pô-los à venda na loja e assim tudo começou.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Foi um pouco à pressão. Na altura usava tinta laranja para pintalgar as peças e lembrei-me que Orange era um nome engraçado, até porque nos lembra a fruta e, como a ideia era ter um trabalho fresco e sempre novo, achei que havia uma certa relação. E assim ficou. Hoje em dia escolheria outro nome.

Mais tarde, quando tudo começou a ficar mais sério, incluí o meu nome. Em inglês, porque é engraçado ver como os nomes se transformam ditos noutra língua, mas também devido a uma crescente vontade de internacionalização, sem dúvida.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Experimentar formas de criação diferentes que, neste caso, têm depois uma relação directa com pessoas.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Actualmente os meus dias são ocupados com trabalho e aulas de mestrado em arquitectura. Mas não me importaria de poder fazer dos crafts o meu trabalho de subsistência.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De imagens em geral, da natureza em particular. Adoro a fauna e gosto mesmo muito de desenhar animais, sejam eles pássaros, veados ou gatos. Sinto-me bastante à vontade nesse ambiente natural e tão diferente da humanidade. Adoro anatomia e os estudos científicos do século XIX. As horas que se passavam a desenhar para estudar um animal ou uma planta são hoje em dia impensáveis, mas é precisamente isso que me fascina, pois nessa altura o estudo era mesmo minucioso e o resultado belíssimo.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em drogarias e papelarias.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Nos acessórios, o desenho; e na roupa a junção de diferentes materiais com a peça.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através de sites na internet e algumas feiras que vou participando.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Penso que é o mais importante até. Pois através da internet posso comunicar mais facilmente com lojas e possíveis compradores no estrangeiro, promove-me.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Penso que como todas as modas é passageira e apenas os autores que merecem atenção vão continuar a criar. Hoje em dia existe muita gente a fazer a mesma coisa, acabando por se imitarem uns aos outros e criarem peças desinteressantes.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Fazer o que lhe dá prazer. E ter consciência que nada resulta excelente logo à primeira. É preciso muita prática e acima de tudo bom gosto. Imitar é bom para começar e aprender mas é necessário que haja uma transferência da personalidade do autor para o trabalho, senão nota-se que é apenas mais um…



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Com prazer! LinaPoum, Mia, O ponto sem nó, Alberto’s Family, EmedeMarta, depeapa, LadyDesidia, Petit a Petit, Dropes de Mentol, Elefante é a Vida, Defeito da Mão, TheBlack Apple e BukuBuku .

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Trabalhar um pouco mais na promoção internacional através da internet. Ter uma loja onde possa ter o trabalho de todos os criadores que admiro e deixar a arquitectura para outro plano.

domingo, 29 de março de 2009

Aramar



Nome: Inês Florêncio Batista
Cidade: Almada
Blog: aramar.blogspot.com
Loja online: através do blog ou do flickr
Flickr: www.flickr.com/photos/aramar




Como descreverias o teu trabalho?

Essa é uma pergunta um pouco difícil e para a qual me costumam faltar sempre palavras, porque não tenho jeito para definições. Acho que faço peças simples e despretensiosas e das quais espero sempre que as outras pessoas gostem tanto quanto eu.



Como é que tudo começou?

Eu sempre gostei de fazer pequenas coisas desde muito nova, por isso experimentar o arame começou por ser mais uma experiência. Apeteceu-me, numa ida a uma loja de bricolage, comprar uma bobine de arame e uns alicates pequenos que estavam a um preço muito tentador. A partir daí, a destreza e o jeito foram aparecendo e fui evoluindo.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Surgiu muito naturalmente, porque, sempre que ia fazer qualquer coisa com o arame, dizia que ia aramar. Tanto o disse, que me entrou na cabeça, e me pareceu a escolha lógica na altura de escolher um nome para o blog e para o projecto. Entretanto as peças diversificaram-se para outros materiais, mas nunca pensei em mudar o nome. Afeiçoei-me a ele.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O que me motiva é o facto de me fazer feliz, para além de ser uma óptima forma de expressão. Acaba por ser uma coisa muito ligada à emoção, à intuição.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Neste momento estou dedicada apenas ao artesanato e comecei, também, a frequentar um curso de cerâmica. Estou num momento de pausa do curso de Psicologia e está a saber-me muito bem passar o dia no atelier que tenho em casa e poder ser dona e senhora do meu horário de trabalho.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Pode ser do meu próprio imaginário, como pode ser de coisas que vejo no meio que me rodeia. Por vezes até é o próprio material que serve de inspiração.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em retrosarias, lojas de produtos de madeira, lojas de bricolage... até no sotão da minha avó!



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Especialmente quando já tenho uma ideia a martelar-me a cabeça há imenso tempo e consigo, finalmente, pô-la em prática. Isto quando corre bem, claro. Porque também há alturas em que acho que a ideia vai ficar espectacular e o resultado final fica sem piada nenhuma...

Como é que divulgas o teu trabalho?

Essencialmente, através da internet, mas também tenho peças à venda em algumas lojas físicas. E, claro, as feiras (apesar de participar em muito poucas) também têm importância, quanto mais não seja pelo contacto com os visitantes e clientes e pela quantidade de cartões que se podem distribuir num só dia. É um tipo de publicidade pouco dispendiosa e que também tem os seus frutos.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, tem o papel principal.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho óptimo, porque se começaram a criar mais condições para a exposição de trabalhos e divulgação ao público. Por outro lado, começaram a surgir artesãos aos magotes e, na minha opinião, alguns deles a apostarem mais na quantidade do que propriamente na qualidade.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Na minha opinião, a originalidade e a assinatura de um trabalho não provêm de um processo muito racional. Acho que a criatividade pode ser estimulada, mas não pode ser forçada. No entanto, para quem já tem o jeito, mas não sabe bem onde aplicá-lo o melhor mesmo é experimentar muita coisa e não ter medo de falhar. Hoje em dia as pessoas querem que saia tudo muito bem logo à primeira e o artesanato também se trata de muita tentativa e erro.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Eu gosto de tantos que nem consigo nomeá-los a todos, mas posso nomear um projecto que encontrei há pouco tempo através da internet e que me deixou encantada. O projecto é brasileiro, chama-se Maria Berenice e, literalmente, dá-se a conhecer sobre rodas. A autora do projecto remodelou uma carrinha antiga e transformou-a numa loja que vai estacionando em vários pontos do Brasil. Um mimo.


Quais são os teus sonhos para o futuro?

Tenho tantos! Posso dizer que os meus sonhos são como as cerejas. Mal acabo de imaginar um, já tenho outro na calha. Se realizar uma pequena parte, já me vou considerar uma pessoa feliz!

domingo, 8 de março de 2009

Ikebana Design



Nome: Andreia Martins
Cidade: Lisboa
Flickr: www.flickr.com/photos/ikebanadesign




Como descreverias o teu trabalho?

Simples, muito orgânico.



Como é que tudo começou?

Sempre fui muito criativa e adoro misturar materiais. Nos meus tempos livres pinto telas a óleo e sempre fiz as minhas bijutarias. Foi assim que surgiu realmente a Ikebana Design. Sempre que fazia uma peça nova para mim, os meus amigos e familiares gostavam imenso e comecei a ter pedidos de encomenda. Primeiro para a família e amigos próximos, depois para os amigos dos familiares e amigos dos amigos. E assim foi crescendo.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Ikebana não é um nome criado por mim, não é um nome novo, muito pelo contrário, é o nome de uma arte floral que nasceu na Índia e que tem raízes profundas na cultura japonesa. Nutri desde cedo um fascínio pela arte oriental e quando foi altura de escolher o nome da minha marca foi lá que o fui encontrar. Por essa altura estava a desenvolver uma tela a óleo. Tenho por costume fazer uma pesquisa sobre os elementos que quero reproduzir. Nesse caso eram plantas/flores e foi nessa mesma pesquisa que descobri toda a história da arte de Ikebana. O conceito, a história e a beleza que a envolvem cativaram-me.

Em contraste com a forma decorativa dos arranjos florais que prevalece nos países ocidentais, o arranjo floral japonês representa o amor à beleza da natureza. O seu objectivo é cultivar e elevar a sensibilidade das pessoas através da composição de arranjos florais, resgatando e realçando a beleza existente em cada flor. Tal como esta arte, sempre que projecto uma colecção tento preservar esta filosofia enriquecedora.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Hum... a minha mãe sempre foi apaixonada por crafts, cresci rodeada de criatividade (risos). Sempre tive em casa coisas mimosas feitas por ela: ponto cruz, pinturas a óleo em pequenas peças e muitos desenhos, caramba… ela desenha muito bem! :) Portanto, o gosto por trabalhos manuais já vem de tenra idade, é uma actividade que me dá imenso prazer.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Os crafts tem um papel importante na minha vida mas não são a minha actividade a tempo inteiro (infelizmente). São um hobby que me permite descontrair. Neste momento a minha vida anda bem agitada. Estou a gerir duas empresas, uma onde trabalho efectivamente e que está relacionada com sistemas e assistência informática. A segunda chama-se Pixelminds, é um projecto que envolve mais três amigos e que está relacionada com design, marketing e publicidade. Além disto, estou também a concluir a licenciatura em gestão empresarial à noite.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

A minha inspiração acaba por se centralizar nas raízes do próprio conceito do nome da minha marca - Ikebana. Surge por norma da Natureza, que é muito rica e oferece-me muitas coisas que posso adaptar às minhas criações. As texturas, formas, cores… são uma harmonia constante e a conjugação resulta muito bem.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Vou buscá-los maioritariamente ao Martim Moniz ou à rua das retrosarias em Lisboa (Rua da Madalena) que fica perto do Arco da Rua Augusta para quem não conhece.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Curiosa esta pergunta, (risos), a parte que mais me agrada na verdade é a conjugação das cores numa peça e a escolha «daquele pormenor».



Como é que divulgas o teu trabalho?

Ainda não tive muito tempo para investir verdadeiramente na divulgação do meu trabalho. Faço-o pela internet através de alguns sites básicos como o Flickr ou o Hi5, também já se proporcionou uma entrevista para uma publicação Japonesa de design chamada 1626, o que foi óptimo!

A Internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Penso que a internet tem um papel muito importante em muitos aspectos na actualidade e, sem dúvida , tem um papel importante na divulgação do meu projecto. As pessoas estão cada vez mais familiarizadas a internet, que é um meio de divulgação barato e acessível e chega a toda a parte do mundo.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

A «moda do artesanato urbano» é sem dúvida muito saudável. Fico deliciada com a quantidade de almas criativas que existem, especialmente no nosso país. Esta explosão de criatividade, caracterizada pela produção de objectos a partir de técnicas tradicionais em série limitada, plasticamente expressivas e com uma aproximação às nossas raízes, são fruto da vivência urbana do artesão e contribuem cada vez mais para a produção de peças nacionais com mais qualidade, mais originais e únicas num mundo repleto de formatos com quantidades industrializadas. Em suma, considero-a como sendo uma lufada de ar fresco para a arte nacional.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Que tentem sempre usar a vossa própria criatividade, copiar é sempre um mau príncipio e posso garantir que usar as nossas ideias é muito mais gratificante. Aconselho que explorem novas técnicas, novas formas, novos materiais, que não se prendam a nada concreto durante muitos anos. A nossa arte é como nós próprios, amadurece com o tempo e precisa de ser experimentada para que isso aconteça.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Tenho tido algum contacto com alguns crafters através do flickr (que é um mundo de talentos). Vou partilhar apenas alguns dos muitos que para mim se destacam: Wishes&Heros, Ideias de Conta, Corte na Costura, Magdalena Orlik, BijouxKa, Lana Bragina, que é da Hungria, adoro as formas orgânicas das peças dela, Lisa Stevens, Cerejas Cintilantes, Su, Dominika Naborowska, Odile Gova, Julie Fountain, Daniele Sinhorelli, Cristina Pacheco, Erika Harberts, Catie's Blue, Judit Wild.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Neste momento concluir o meu curso. No que diz respeito à minha marca gostava de tirar um curso de design de jóias. Quero aprender novas técnicas de manuseamento de materiais nessa área e aperfeiçoar os meus acabamentos. Com mais tempo pretendo promover o meu trabalho a sério. Depois (risos) tenho o mundo inteiro para explorar! Haja saúde!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Birra de Sono



Nome: Carla Moura
Cidade: Miramar
Blog: birrinha.blogspot.com
Loja online: através do blog ou do Flickr
Flickr: www.flickr.com/photos/42148707@N00




Como descreverias o teu trabalho?

O meu trabalho caracteriza-se essencialmente pelas cores e pelo material principal que utilizo: o feltro. Normalmente, coordeno o feltro com outros materiais, tais como tecidos, botões, fitas, rendas, missangas e, mais recentemente, com pratas. Em muitas situações o feltro que utilizo é fabricado por mim de forma artesanal através de duas técnicas: água e sabão ou agulha e esponja. Sou uma apaixonada pelo feltro artesanal!

Relativamente às cores, normalmente utilizo as que considero infantis e não vou atrás das modas. Quando era criança, da minha caixa de lápis da VIARCO, gastava os turquesas, os rosas, os laranjas e os verde alface. As outras cores normalmente ficavam intactas… ou pouco usadas. Agora acontece-me exactamente o mesmo mas com as cores do feltro e das missangas, à excepção do castanho que adoro conjugar com as cores que já referi.



Como é que tudo começou?

Tudo começou ainda nos tempos de universidade quando idealizava acessórios que não encontrava à venda. Primeiro, e durante muito tempo, fazia-os para mim. Depois para as amigas. Depois para as amigas das amigas. Mais tarde para a minha filha, porque é muito difícil encontrar acessórios para crianças, com formatos e cores adequados para elas.

Como escolheste o nome do teu projecto?

O nome deste projecto em específico, corresponde a uma fase «pós parto» que durou 3 anos e meio da minha vida. Durante esse tempo a minha filha não dormiu. Era no intervalo de algumas birras de sono que eu aproveitava para relaxar um bocadinho e concretizar algumas ideias.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O que me motiva é fazer aquilo que imagino. É transpor para a realidade, em materiais e cores o que idealizo e o que sinto. E faz-me bem sentir quando através daquilo que faço, vou de encontro às pessoas em quem as peças criam emoções.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Os crafts não são um trabalho a tempo inteiro, são fruto dos tempos «não ocupados». Profissionalmente sou engenheira de sistemas e informática. Para além da minha profissão - e como tenho uma família, uma casa e muitos amigos - procuro ocupar com os crafts espacinhos no tempo que não estão ocupados. Por isso, é muito normal acordar às 5h ou 6h da manhã para aproveitar e concretizar algumas destas ideias. É realmente o meu momento zen.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Principalmente vem da forma como vejo as coisas. Vejo sempre tudo muito cor-de-rosa, muito azul turquesa, muito verde alface e muito laranja. Às vezes julgo que não é só a minha altura que corresponde ao tamanho de uma criança, mas também a forma positiva como tento encarar tudo na vida. Às vezes julgo que não cresço e que o tempo não passa por aqui. Talvez por isso a inspiração venha sempre às cores.

A minha filha também é uma fonte inesgotável de inspiração, pelo que diz, pelo que sente e pela energia positiva e inesgotável que transmite. Exige sempre actividades diferentes e criativas e por esse motivo às vezes fazemos, entre outras coisas, desenhos e rimas relacionados com os trabalhos que já fiz ou que inspiram os que vou fazer.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

No início utilizava materiais que encontrava em casa da mãe e da avó. Depois comecei a procurar nas retrosarias. E aproveito sempre que viajo para encontrar materiais diferentes e esquecidos algures em retrosarias muito antigas. Alguns são também oferecidos e, apesar de trabalhar no dia a dia com o computador e com a internet, raramente compro materiais on-line. Prefiro tocar-lhes e sentir as texturas, ver as cores ao vivo e imaginar o que dali pode sair.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Gosto muito da fase em que namoro as cores e toco nos materiais para sentir as texturas, decorar os padrões e perceber quais as melhores combinações de cores… demoro até começar. Às vezes, quando me vou deitar vou com as cores e com todas as características dos materiais na cabeça… julgo até que sonho e acordo com algumas ideias novas.

Depois há uma fase que para mim também é muito aliciante, como que um desafio, e que desde sempre foi um ponto de honra que faço questão de manter: os acabamentos. Para mim uma peça tem que ser igualmente perfeita na frente e atrás, pelo direito e pelo avesso.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Principalmente através da internet, mas também através de algumas lojas de rua. Recentemente estou envolvida com outras vidas crafty num projecto de uma Loja Atelier de rua, a Rosa Malva.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Foi através da internet que este projecto evoluiu a este ritmo. No meu caso a internet funcionou e continua a funcionar como uma montra para o mundo. O que dá muita visibilidade à Birra de Sono.

A Birra de Sono é uma montra mista de «tiradas» da Rita e de trabalhos meus. E é engraçado ver que as visitas e os comentários se dividem entre a Rita e os meus trabalhos.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Considero que é uma moda muito interessante. Não só pela criatividade, mas também pela tentativa de mudança de mentalidades. Quando falo em mudança de mentalidades, refiro-me ao facto de que muitas das pessoas que actualmente fazem este tipo de artesanato, são pessoas que na sua maioria têm os seus empregos e procuram ocupações para aliviar o stress do dia-a-dia e não existe a pressão de «fazer para vender e tentar sobreviver». E, nesses casos, os trabalhos são genuínos, valiosos porque resultam de sentimentos. É evidente que se junta o útil ao agradável.

Na verdade, este conceito veio trazer uma «lufada de ar fresco» ao artesanato que existia apenas na versão tradicional. É uma reengenharia dos costumes, técnicas e materiais adaptada ao quotidiano. Tal como todas as modas há-de passar. Acredito que muitos evoluirão para outras modas.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Daria um conselho que utilizo para mim. Quando começo a fazer uma peça, faço-a sempre como se fosse para mim. Experimento conjugações de materiais e de cores sem receios. No final, se eu gostar do resultado e sentir que vou ter pena de colocar à venda essa peça porque gosto dela como se fosse para mim, então significa que posso comercializar a peça. Caso contrário não a vendo, porque no mínimo há algum detalhe que não se identifica comigo. Esta é a melhor forma que encontrei na busca do meu próprio estilo neste tipo de trabalho.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

São muitos e variam com o tempo e com as circunstâncias, por esse motivo não quero identificar ninguém em especial, porque sei que identificaria pessoas diferentes em dias distintos.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Os meus sonhos estão nas nuvens. Há que fazer acontecer! Genericamente, sonho em ter a possibilidade de fazer sempre aquilo que gosto.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Noussnouss



Nome: Alice Bernardo
Cidade: Guimarães, por enquanto...
Blog: nouss-nouss.blogspot.com
Loja online: http://www.noussnouss.com/
Flickr: www.flickr.com/photos/noussnouss




Como descreverias o teu trabalho?

Esquizofrénico? Não, a sério, não faço a mínima ideia de como o descrever, porque vai mudando com o tempo, e também porque não me levo muito a sério como crafter. Talvez o melhor seja dizer que é um divertimento que se tornou parte indispensável da minha vida.



Como é que tudo começou?

Começou com uma vontade de recomeçar a fazer coisas com as minhas mãos porque sempre gostei. Depois aprendi a mexer na máquina de costura porque queria fazer uma guirlanda que, por acaso, (ainda!) não acabei, e achei que uma ferramenta destas havia de ser interessante de explorar. A partir daí perdi-lhe o rasto, mas deve estar tudo documentado no blog...



Como escolheste o nome do teu projecto?

Procurava um nome que me agradasse sem ser demasiado revelador do conteúdo do blog. NoussNouss quer dizer mais-ou-menos, assim-assim e meia-de-leite. É uma expressão marroquina que gravei, como muitas outras, no tempo que passei em Tânger, enquanto o meu pai lá trabalhou. Agradou-me esta palavra por várias razões. Não é propriamente indicativa do tipo de blog que tenho, tem uma sonoridade bonita, suave, e o significado de assim-assim encaixa na perfeição naquilo que é o Noussnouss - um bocadinho disto e daquilo.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Como arquitecta, tive uma formação em que aprendi a materializar as minhas ideias, mas sabendo que nunca o iria fazer sem a intervenção de terceiros. Aqui, agrada-me sentir que sei fazer algo pelas minhas próprias mãos, seja com agulha e linha ou com um berbequim. Saber é poder.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Ocupam parte do meu tempo. Outra parte é ocupada pela arquitectura e outra pela pura procrastinação.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Das coisas que gostava de ter e não encontro. Dos materiais que vou encontrando e apetece utilizar seja como for. Das coisas bonitas do dia-a-dia. Da vontade de fazer algo especificamente para alguém.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Salvo raras excepções, tudo o que uso é produzido em Portugal, seja industrial ou artesanalmente. Em armazéns grandes, lojas pequenas, por artesãos simpáticos... Procuro muito e por todo o lado!



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Depende da peça, mas uma das minhas coisas preferidas é acolchoar uma quilt enquanto vejo um bom filme. Chego ao cúmulo de fazer colchas só para ter desculpa para me sentar no sofá a preguiçar… alguém aí precisa de uma quilt quentinha??



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através do meu blog, principalmente. Também tenho a sorte de ser visitada por pessoas muito simpáticas, que ajudam na divulgação e às quais agradeço!

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

O papel principal.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

O que considero importante é a forma como restaurou a apreciação do consumidor pelo objecto que é planeado e feito com carinho. Quando a moda passar, espero que fique essa forma de pensar, que nos obriga a reflectir sobre tudo o que se consome com avidez.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Procurar inspiração nos objectos mais insuspeitos e noutras áreas, bem longe dos crafts – a interdisciplinaridade dá sempre frutos. Usar as técnicas tradicionais como meio, e não como fim em si.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Já que este é um blog sobre crafters em Portugal, fico-me por três escolhas nacionais: a Maria João Ribeiro, pela bijuteria absolutamente brilhante, a Maria João Arnaud, por todo o seu trabalho, mas principalmente pelos belos tecidos que já tive o prazer de ver ao vivo e a Marta Mourão, porque é difícil encontrar crafters que façam peças de roupa tão bem pensadas e executadas como ela faz.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

A curto prazo, solidificar os projectos que «plantei» nos últimos dois anos. A longo prazo, encontrar o ponto estável onde conseguirei conciliar os dois lados opostos, profissionalmente, da minha vida. Coisa pouca, portanto…

domingo, 4 de janeiro de 2009

Corticite Aguda


Nome: Emília Vale
Cidade: Penafiel
Blog: corticiteaguda.blogspot.com
Loja online:
através do blog




Como descreverias o teu trabalho?

Sem regras, espontâneo…



Como é que tudo começou?

Com uma experiência com umas bolas de cortiça que me vieram parar às mãos por motivos profissionais. A partir daí, despertou o bichinho e comecei a procurar outros materiais em cortiça, bem como outras matérias para combinar com a cortiça.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Teve a ver com o nome errado pelo qual é conhecida vulgarmente a cortiça aglomerada e, em geral, toda a cortiça além das rolhas, corticite. O nome é uma brincadeira pegando na palavra corticite.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Gosto de fazer coisas que me motivem para além da minha actividade profissional. Agrada-me principalmente a liberdade da criação completamente descomprometida, sem prazos nem critérios pré-estabalecidos, que os crafts me proporcionam.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não, são apenas um hobby. A minha principal actividade é a gestão de clientes externos de uma empresa corticeira.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Das mais variadas coisas: das pessoas, das emoções e de tudo que me rodeia. E claro, como não podia deixar de ser, também do trabalho de muitos talentosos crafters, portugueses e estrangeiros.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em muitos sítios. Não só em empresas corticeiras, mas também em lojas da especialidade, retrosarias, bazares, etc.. Gosto de procurar materiais em todo o lado. É um «vício» comprar materiais e imaginar o que vou fazer com eles. Muitas vezes compro coisas que não sei muito bem, naquele momento, para que vão servir… mas depois encontro sempre uma utilidade para elas.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Acho que nenhuma é verdadeiramente mais especial do que outra, mas a fase que talvez me dê um entusiasmo adicional seja a de conclusão das peças... fazer os acabamentos, dar os últimos «retoques» e ver o aspecto final.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Através do meu blog, da participação em algumas feiras de artesanato urbano e de todos os meus amigos e familiares. Tenho que agradecer especialmente a estes últimos, pelo empenho na divulgação do meu trabalho.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, de alguma forma tem ajudado na divulgação dos meus trabalhos, mas não tanto como seria de esperar. Também é justo dizer que não dou tanta «atenção» ao meu blog quanto deveria…

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Parece-me bastante positiva e, sinceramente, espero que seja mais do que apenas uma moda!



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Não gosto de dar conselhos, acho que cada pessoa deve encontrar o seu estilo pessoal de acordo com os seus próprios gostos… Para mim não há formulas, critérios ou padrões a seguir. As coisas surgem de forma natural, é só deixar a imaginação «à solta»…

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Gosto do trabalho de muita gente, não consigo destacar ninguém…



Quais são os teus sonhos para o futuro?

Sonho sempre no presente ou num futuro muito próximo, no qual gostaria de continuar a sentir-me inspirada e motivada para fazer tudo aquilo que gosto, em todos os âmbitos da minha vida. Não me agrada fazer planos a longo prazo…