domingo, 1 de fevereiro de 2009

Birra de Sono



Nome: Carla Moura
Cidade: Miramar
Blog: birrinha.blogspot.com
Loja online: através do blog ou do Flickr
Flickr: www.flickr.com/photos/42148707@N00




Como descreverias o teu trabalho?

O meu trabalho caracteriza-se essencialmente pelas cores e pelo material principal que utilizo: o feltro. Normalmente, coordeno o feltro com outros materiais, tais como tecidos, botões, fitas, rendas, missangas e, mais recentemente, com pratas. Em muitas situações o feltro que utilizo é fabricado por mim de forma artesanal através de duas técnicas: água e sabão ou agulha e esponja. Sou uma apaixonada pelo feltro artesanal!

Relativamente às cores, normalmente utilizo as que considero infantis e não vou atrás das modas. Quando era criança, da minha caixa de lápis da VIARCO, gastava os turquesas, os rosas, os laranjas e os verde alface. As outras cores normalmente ficavam intactas… ou pouco usadas. Agora acontece-me exactamente o mesmo mas com as cores do feltro e das missangas, à excepção do castanho que adoro conjugar com as cores que já referi.



Como é que tudo começou?

Tudo começou ainda nos tempos de universidade quando idealizava acessórios que não encontrava à venda. Primeiro, e durante muito tempo, fazia-os para mim. Depois para as amigas. Depois para as amigas das amigas. Mais tarde para a minha filha, porque é muito difícil encontrar acessórios para crianças, com formatos e cores adequados para elas.

Como escolheste o nome do teu projecto?

O nome deste projecto em específico, corresponde a uma fase «pós parto» que durou 3 anos e meio da minha vida. Durante esse tempo a minha filha não dormiu. Era no intervalo de algumas birras de sono que eu aproveitava para relaxar um bocadinho e concretizar algumas ideias.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O que me motiva é fazer aquilo que imagino. É transpor para a realidade, em materiais e cores o que idealizo e o que sinto. E faz-me bem sentir quando através daquilo que faço, vou de encontro às pessoas em quem as peças criam emoções.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Os crafts não são um trabalho a tempo inteiro, são fruto dos tempos «não ocupados». Profissionalmente sou engenheira de sistemas e informática. Para além da minha profissão - e como tenho uma família, uma casa e muitos amigos - procuro ocupar com os crafts espacinhos no tempo que não estão ocupados. Por isso, é muito normal acordar às 5h ou 6h da manhã para aproveitar e concretizar algumas destas ideias. É realmente o meu momento zen.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Principalmente vem da forma como vejo as coisas. Vejo sempre tudo muito cor-de-rosa, muito azul turquesa, muito verde alface e muito laranja. Às vezes julgo que não é só a minha altura que corresponde ao tamanho de uma criança, mas também a forma positiva como tento encarar tudo na vida. Às vezes julgo que não cresço e que o tempo não passa por aqui. Talvez por isso a inspiração venha sempre às cores.

A minha filha também é uma fonte inesgotável de inspiração, pelo que diz, pelo que sente e pela energia positiva e inesgotável que transmite. Exige sempre actividades diferentes e criativas e por esse motivo às vezes fazemos, entre outras coisas, desenhos e rimas relacionados com os trabalhos que já fiz ou que inspiram os que vou fazer.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

No início utilizava materiais que encontrava em casa da mãe e da avó. Depois comecei a procurar nas retrosarias. E aproveito sempre que viajo para encontrar materiais diferentes e esquecidos algures em retrosarias muito antigas. Alguns são também oferecidos e, apesar de trabalhar no dia a dia com o computador e com a internet, raramente compro materiais on-line. Prefiro tocar-lhes e sentir as texturas, ver as cores ao vivo e imaginar o que dali pode sair.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Gosto muito da fase em que namoro as cores e toco nos materiais para sentir as texturas, decorar os padrões e perceber quais as melhores combinações de cores… demoro até começar. Às vezes, quando me vou deitar vou com as cores e com todas as características dos materiais na cabeça… julgo até que sonho e acordo com algumas ideias novas.

Depois há uma fase que para mim também é muito aliciante, como que um desafio, e que desde sempre foi um ponto de honra que faço questão de manter: os acabamentos. Para mim uma peça tem que ser igualmente perfeita na frente e atrás, pelo direito e pelo avesso.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Principalmente através da internet, mas também através de algumas lojas de rua. Recentemente estou envolvida com outras vidas crafty num projecto de uma Loja Atelier de rua, a Rosa Malva.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Foi através da internet que este projecto evoluiu a este ritmo. No meu caso a internet funcionou e continua a funcionar como uma montra para o mundo. O que dá muita visibilidade à Birra de Sono.

A Birra de Sono é uma montra mista de «tiradas» da Rita e de trabalhos meus. E é engraçado ver que as visitas e os comentários se dividem entre a Rita e os meus trabalhos.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Considero que é uma moda muito interessante. Não só pela criatividade, mas também pela tentativa de mudança de mentalidades. Quando falo em mudança de mentalidades, refiro-me ao facto de que muitas das pessoas que actualmente fazem este tipo de artesanato, são pessoas que na sua maioria têm os seus empregos e procuram ocupações para aliviar o stress do dia-a-dia e não existe a pressão de «fazer para vender e tentar sobreviver». E, nesses casos, os trabalhos são genuínos, valiosos porque resultam de sentimentos. É evidente que se junta o útil ao agradável.

Na verdade, este conceito veio trazer uma «lufada de ar fresco» ao artesanato que existia apenas na versão tradicional. É uma reengenharia dos costumes, técnicas e materiais adaptada ao quotidiano. Tal como todas as modas há-de passar. Acredito que muitos evoluirão para outras modas.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Daria um conselho que utilizo para mim. Quando começo a fazer uma peça, faço-a sempre como se fosse para mim. Experimento conjugações de materiais e de cores sem receios. No final, se eu gostar do resultado e sentir que vou ter pena de colocar à venda essa peça porque gosto dela como se fosse para mim, então significa que posso comercializar a peça. Caso contrário não a vendo, porque no mínimo há algum detalhe que não se identifica comigo. Esta é a melhor forma que encontrei na busca do meu próprio estilo neste tipo de trabalho.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

São muitos e variam com o tempo e com as circunstâncias, por esse motivo não quero identificar ninguém em especial, porque sei que identificaria pessoas diferentes em dias distintos.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Os meus sonhos estão nas nuvens. Há que fazer acontecer! Genericamente, sonho em ter a possibilidade de fazer sempre aquilo que gosto.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Noussnouss



Nome: Alice Bernardo
Cidade: Guimarães, por enquanto...
Blog: nouss-nouss.blogspot.com
Loja online: http://www.noussnouss.com/
Flickr: www.flickr.com/photos/noussnouss




Como descreverias o teu trabalho?

Esquizofrénico? Não, a sério, não faço a mínima ideia de como o descrever, porque vai mudando com o tempo, e também porque não me levo muito a sério como crafter. Talvez o melhor seja dizer que é um divertimento que se tornou parte indispensável da minha vida.



Como é que tudo começou?

Começou com uma vontade de recomeçar a fazer coisas com as minhas mãos porque sempre gostei. Depois aprendi a mexer na máquina de costura porque queria fazer uma guirlanda que, por acaso, (ainda!) não acabei, e achei que uma ferramenta destas havia de ser interessante de explorar. A partir daí perdi-lhe o rasto, mas deve estar tudo documentado no blog...



Como escolheste o nome do teu projecto?

Procurava um nome que me agradasse sem ser demasiado revelador do conteúdo do blog. NoussNouss quer dizer mais-ou-menos, assim-assim e meia-de-leite. É uma expressão marroquina que gravei, como muitas outras, no tempo que passei em Tânger, enquanto o meu pai lá trabalhou. Agradou-me esta palavra por várias razões. Não é propriamente indicativa do tipo de blog que tenho, tem uma sonoridade bonita, suave, e o significado de assim-assim encaixa na perfeição naquilo que é o Noussnouss - um bocadinho disto e daquilo.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Como arquitecta, tive uma formação em que aprendi a materializar as minhas ideias, mas sabendo que nunca o iria fazer sem a intervenção de terceiros. Aqui, agrada-me sentir que sei fazer algo pelas minhas próprias mãos, seja com agulha e linha ou com um berbequim. Saber é poder.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Ocupam parte do meu tempo. Outra parte é ocupada pela arquitectura e outra pela pura procrastinação.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Das coisas que gostava de ter e não encontro. Dos materiais que vou encontrando e apetece utilizar seja como for. Das coisas bonitas do dia-a-dia. Da vontade de fazer algo especificamente para alguém.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Salvo raras excepções, tudo o que uso é produzido em Portugal, seja industrial ou artesanalmente. Em armazéns grandes, lojas pequenas, por artesãos simpáticos... Procuro muito e por todo o lado!



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Depende da peça, mas uma das minhas coisas preferidas é acolchoar uma quilt enquanto vejo um bom filme. Chego ao cúmulo de fazer colchas só para ter desculpa para me sentar no sofá a preguiçar… alguém aí precisa de uma quilt quentinha??



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através do meu blog, principalmente. Também tenho a sorte de ser visitada por pessoas muito simpáticas, que ajudam na divulgação e às quais agradeço!

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

O papel principal.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

O que considero importante é a forma como restaurou a apreciação do consumidor pelo objecto que é planeado e feito com carinho. Quando a moda passar, espero que fique essa forma de pensar, que nos obriga a reflectir sobre tudo o que se consome com avidez.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Procurar inspiração nos objectos mais insuspeitos e noutras áreas, bem longe dos crafts – a interdisciplinaridade dá sempre frutos. Usar as técnicas tradicionais como meio, e não como fim em si.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Já que este é um blog sobre crafters em Portugal, fico-me por três escolhas nacionais: a Maria João Ribeiro, pela bijuteria absolutamente brilhante, a Maria João Arnaud, por todo o seu trabalho, mas principalmente pelos belos tecidos que já tive o prazer de ver ao vivo e a Marta Mourão, porque é difícil encontrar crafters que façam peças de roupa tão bem pensadas e executadas como ela faz.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

A curto prazo, solidificar os projectos que «plantei» nos últimos dois anos. A longo prazo, encontrar o ponto estável onde conseguirei conciliar os dois lados opostos, profissionalmente, da minha vida. Coisa pouca, portanto…

domingo, 18 de janeiro de 2009

Um Quarto de Ideias



Nome: Sara Aires
Cidade: Leiria
Blog: quartodeideias.blogspot.com
Loja online:
saraaires.etsy.com
Flickr: www.flickr.com/photos/quartodeideias




Como descreverias o teu trabalho?

Gosto de poder acreditar na diferença e na originalidade. Procuro sempre pensar todo o processo, do princípio ao fim. Não gosto de seguir esquemas. Aplico técnicas tradicionais em conjunto com outras mais invulgares e não repito uma peça.



Como é que tudo começou?

Hummm, isso seria como perguntar «quando começou a respirar?». Acho que aos 4 anos a minha avó dava-me um trapo e agulha com linha e eu «costurava», aos 5 aprendi o ponto básico (corrente) do croché e pouco depois a «malha baixa» e os «pauzinhos simples».

Como escolheste o nome do teu projecto?

Quando começou, este era um projecto a três. O nome surgiu porque o blog seria um espaço onde as ideias nasceriam e tomariam forma. Um processo de dentro para fora, do interior para exterior.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Penso que não é nada de muito transcendente, apenas um prazer enorme em construir algo, pensar todo o processo, resolvê-lo e depois contemplar o resultado. Às vezes também serve de terapia, anti-stress, tem o efeito de um mimo que dou a mim mesma, como um bom chocolate :)

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não, embora seja formada em Escultura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, não «pratico». Tenho uma empresa de comércio de equipamentos agrícolas. Este é o meu hobby.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De tudo e mais alguma coisa. Embora seja uma falsa motivação, a compra de material novo ou o descobrir determinada técnica dão-me cócegas nos dedos e não descanso enquanto não concretizar a minha ideia.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Gosto principalmente de materiais têxteis, fibras de todas as qualidades, pela simples razão de que não há nada tão variado em cor e textura. Depois são materiais que me permitem transportar o trabalho para todo o lado. É incrível o quanto se pode fazer numa sala de espera para uma consulta por exemplo.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Gosto muito da finalização, é só aí que me permito realmente apreciar. Também gosto de não olhar durante algum tempo, para depois «voltar» à peça. Nem sempre é fácil distanciarmo-nos, mas só aí fazemos um melhor juízo.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através da internet, em lojas e mostras de artesanato.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

É essencial, como para qualquer produto, ideia ou serviço. A internet permite chegar ao público-alvo, directamente, frequentemente e no momento em que este está disponível e interessado.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho que é positivo haver todo um movimento de ideias, de recuperação de saberes aplicados às novas tendências. Mas acho também que as pessoas deviam «pensar» mais o seu trabalho. Deviam comunicar mais e de mais formas. Não podemos nunca estar satisfeitos. Só assim criamos um cunho pessoal, único e que nos dá identidade.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Fazer, fazer, pensar, criar, experimentar... desfazer, refazer... ah! e devorar toda a informação que puder. Há por vezes tendência a isolarmo-nos, a fazer o trabalho para nós. Creio ser muito mais produtivo trocar ideias com outros crafters. Através de blogs, grupos temáticos, fóruns, feiras, workshops, etc.. Eles dão-nos a tal «visão exterior» do trabalho, desapaixonada e que nos mostra os prós e os contras.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Maria Ribeiro, Pirilampo Riscado, Rosa Pomar (claro), Ana Ventura... E lá fora: Camilla Engman, Irregular Expressions , Star of the East, Sara Lechner... ai, podia ficar aqui o dia todo! São muitos.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Poder dedicar sempre algum tempo à criatividade. Partindo daí, parece-me que tudo pode ser possível.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Fadas & Princesas



Nome: Carla Coquenim
Cidade: Vila Franca de Xira
Blog: fadas-princesas.blogspot.com
Loja online:
fadaseprincesas.etsy.com
Flickr: www.flickr.com/photos/fadas-princesas




Como descreverias o teu trabalho?

Como algo de muito pessoal, onde conjugo muitas influências, e onde tento sempre conferir uma marca de coesão, uma identidade reconhecível, sobretudo porque desenvolvo peças em áreas muito distintas. Acho que o meu trabalho resulta da minha forma particular de misturar o novo e o velho, o trendy e o vintage.



Como é que tudo começou?

Desde pequena sempre gostei de fazer coisas, de desfazer para refazer. Tanto a minha mãe, como a minha avó, são senhoras muito prendadas e - apesar de nessa altura não me interessar por aprender croché ou bordado - sempre tive muito carinho por esse tipo de trabalhos. Recentemente, comecei a fazer algumas peças para mim, outras para oferecer. A receptividade foi boa e a partir daí surgiu o blog.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Ao acaso! Escolhi-o no momento exacto em que estava a criar o blog e a tentar perceber que nomes já estavam ou não registados. Na altura fazia algum sentido, porque fazia sobretudo bonecas. Hoje já não faz tanto. Por isso, vão surgir novidades este ano, com um novo nome, uma nova imagem…



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

No momento em que decidi começar a fazer alguma coisa, nascida do nada, sem moldes, sem instruções, fruto de rabiscos num papel, das minhas mãos e da minha paciência, foi como se me tivesse reencontrado.

Ao longo da minha adolescência debati-me com as minhas opções profissionais futuras. Frequentei artes e depois voltei-me para as humanidades. Gostava de desenhar, gostava de escrever… Licenciei-me em comunicação social, e no decurso da licenciatura balancei entre o jornalismo (escrito, claro!) e a publicidade e o marketing. Acabei por não fazer nada disso. Por isso acho que, ainda que muito modestamente, os crafts me permitiram aproximar do meu instinto inicial: as artes, o uso da criatividade.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não. Sou programadora/produtora cultural numa entidade pública.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De tudo! Da rua, das pessoas, de um pormenor qualquer, de uma imagem…



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Nas retrosarias de bairro e online, porque há muita, muita coisa a que apenas assim se consegue aceder.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

O ímpeto inicial, a adrenalina de pôr em prática uma ideia nova. Sou muito, muito impaciente…



Como é que divulgas o teu trabalho?

Não divulgo. Participei em Abril de 2008 no Salão Internacional de Artes Criativas do Porto, foi a única vez que tive contacto directo com o público e em que promovi os meus trabalhos.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Fulcral! As pessoas chegam ao meu blog de pesquisa em pesquisa, de blog em blog… É uma cadeia poderosíssima.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Penso que, se por um lado, é importante porque permitiu que as pessoas tomassem consciência que existem alternativas à produção industrial e massificada e que podem adquirir peças muito mais interessantes e estimulantes a produtores independentes; por outro, criou um pouco a imagem de que é fácil e qualquer um pode fazer artesanato. E as coisas não são exactamente assim…

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Que procurasse sempre expressar a sua individualidade.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

São tantos! Alguns são amigos, prefiro não designar nomes.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Ter mais tempo para me dedicar aos meus projectos. Ter um espaço em casa apenas e exclusivamente para atelier e crescer até onde a criatividade me levar!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Corticite Aguda


Nome: Emília Vale
Cidade: Penafiel
Blog: corticiteaguda.blogspot.com
Loja online:
através do blog




Como descreverias o teu trabalho?

Sem regras, espontâneo…



Como é que tudo começou?

Com uma experiência com umas bolas de cortiça que me vieram parar às mãos por motivos profissionais. A partir daí, despertou o bichinho e comecei a procurar outros materiais em cortiça, bem como outras matérias para combinar com a cortiça.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Teve a ver com o nome errado pelo qual é conhecida vulgarmente a cortiça aglomerada e, em geral, toda a cortiça além das rolhas, corticite. O nome é uma brincadeira pegando na palavra corticite.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Gosto de fazer coisas que me motivem para além da minha actividade profissional. Agrada-me principalmente a liberdade da criação completamente descomprometida, sem prazos nem critérios pré-estabalecidos, que os crafts me proporcionam.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não, são apenas um hobby. A minha principal actividade é a gestão de clientes externos de uma empresa corticeira.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Das mais variadas coisas: das pessoas, das emoções e de tudo que me rodeia. E claro, como não podia deixar de ser, também do trabalho de muitos talentosos crafters, portugueses e estrangeiros.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em muitos sítios. Não só em empresas corticeiras, mas também em lojas da especialidade, retrosarias, bazares, etc.. Gosto de procurar materiais em todo o lado. É um «vício» comprar materiais e imaginar o que vou fazer com eles. Muitas vezes compro coisas que não sei muito bem, naquele momento, para que vão servir… mas depois encontro sempre uma utilidade para elas.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Acho que nenhuma é verdadeiramente mais especial do que outra, mas a fase que talvez me dê um entusiasmo adicional seja a de conclusão das peças... fazer os acabamentos, dar os últimos «retoques» e ver o aspecto final.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Através do meu blog, da participação em algumas feiras de artesanato urbano e de todos os meus amigos e familiares. Tenho que agradecer especialmente a estes últimos, pelo empenho na divulgação do meu trabalho.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, de alguma forma tem ajudado na divulgação dos meus trabalhos, mas não tanto como seria de esperar. Também é justo dizer que não dou tanta «atenção» ao meu blog quanto deveria…

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Parece-me bastante positiva e, sinceramente, espero que seja mais do que apenas uma moda!



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Não gosto de dar conselhos, acho que cada pessoa deve encontrar o seu estilo pessoal de acordo com os seus próprios gostos… Para mim não há formulas, critérios ou padrões a seguir. As coisas surgem de forma natural, é só deixar a imaginação «à solta»…

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Gosto do trabalho de muita gente, não consigo destacar ninguém…



Quais são os teus sonhos para o futuro?

Sonho sempre no presente ou num futuro muito próximo, no qual gostaria de continuar a sentir-me inspirada e motivada para fazer tudo aquilo que gosto, em todos os âmbitos da minha vida. Não me agrada fazer planos a longo prazo…

domingo, 28 de dezembro de 2008

Perdi o Fio à Meada


Nome: Vera João Espinha
Cidade: Lisboa
Blog: perdi-o-fio-a-meada.blogspot.com
Loja online:
perdi-o-fio-a-meada-shop.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/people/verajoao




Como descreverias o teu trabalho?

Tradicional e contemporâneo.



Como é que tudo começou?

Aprendi a fazer croché com a minha avó paterna. Durante a época da escola primária ajudava-a a fazer pegas de cozinha e capas para sacos de água quente (era uma maneira de ela me manter entretida). Quando fiquei mais à vontade, comecei a fazer roupas para as bonecas. Sempre tive um trabalho nas mãos de croché ou tricot, trabalhos simples, os preferidos eram as mantas até passar para os acessórios.

Os acessórios de croché vieram substituir a área da pintura. Deixei de pintar, por falta de espaço em casa com o nascimento da minha filha. O meu atelier passou a ser o quarto dela, fiquei condicionada a interesses que ocupassem menos espaço, embora neste momento ocupem quase tanto como a pintura!



Como escolheste o nome do teu projecto?

Queria um nome que fosse associado a lãs ou a fios, que identificasse o material, mas ao mesmo tempo não queria que se reduzisse só a isso, para o nome continuar a adaptar-se a outros projectos. Também não gosto de nomes pequenos, prefiro expressões.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Por ser um trabalho manual, descontraído e acima de tudo criativo. O croché e o tricot são uma espécie de yoga.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Ocupam uma parte da minha noite. Durante o dia, trabalho com livros a tempo inteiro, na área de design gráfico.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Vem daquilo que vejo e sinto no dia-a-dia e, naturalmente, de pesquisas que não chegam só da internet.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Posso encontrar material numa casa de lãs, como numa loja de bricolage ou numa retrosaria. Por incrível que pareça apesar de serem pregadeiras, colares e pulseiras, as lojas de bijutaria são as que frequento menos.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

A de criar a primeira peça, ou então de criar a segunda peça, se a primeira não correu tão bem.



Como é que divulgas o teu trabalho?

A melhor divulgação é feita por mim ao usar a própria peça. O maior meio de divulgação é através do blog.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Tem, o trabalho chega a muitas pessoas, que de outra forma não chegariam a conhecê-lo.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Não me identifico muito. Não enquadro o meu trabalho na área do artesanato urbano. Já ouvi dizer que, a moda é tudo o que deixa de ser e o que eu desejo é que o meu trabalho seja um pouco mais intemporal.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Pesquisar muito, trabalhar bastante, muita força de vontade para fazer ainda melhor do que aquilo que já existe. A repetição da mesma peça anula bastante o trabalho criativo e a qualidade acaba por se perder.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

São bastantes e não quero enumerar. Gosto de acompanhar alguns blogs, tanto portugueses como estrangeiros, não necessariamente na área dos crafts. Geralmente os que têm boas imagens são os que me cativam a voltar.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

A nível de trabalho, continuar com o projecto perdi o fio à meada e tentar organizar ainda mais o meu tempo para poder concretizar novos projectos.