domingo, 1 de março de 2009

A menina brinca



Nome: Sílvia Leite
Cidade: Lisboa
Blog: ameninabrinca.blogspot.com
Loja online: lookmamamadeit.etsy.com
Flickr: www.flickr.com/photos/silvialeite




Como descreverias o teu trabalho?

Eu faço brinquedos, acima de tudo. Mesmo quando não são exclusivamente destinadas a crianças, as minhas criações nascem da vontade de revisitar o universo infantil e são sempre coloridas, lúdicas e destinadas a despertar a imaginação. Pretendo fazer objectos que inspirem brincadeiras às crianças e que recordem a infância aos adultos.



Como é que tudo começou?

Bem, tudo começou na minha própria infância, quando passava horas a fazer casinhas de papel e bonecas com as suas roupas. A vontade de fazer brinquedos nunca me abandonou. Também me perco com brinquedos antigos e vintage. Mas este projecto arrancou sem qualquer plano prévio, depois de um pedido da minha filha para que fizesse um bolo de anos à sua boneca favorita. Nunca tinha visto comida de feltro até então e foi por acaso que decidi fazer o bolo com este material. Mais tarde, comecei a receber pedidos de amigas e a ideia de o fazer de uma forma mais profissional foi nascendo assim!



Como escolheste o nome do teu projecto?

Mais uma vez, por inspiração da minha filha. O meu blogue, primeiro local onde mostrei publicamente o que faço, chama-se A Menina Brinca por causa dela, embora eu também me reveja no nome... A lojinha que depois abri num grande site internacional de produtos artesanais chama-se Look, Mama Made It porque essa era a frase que na altura a Mariana mais repetia: «Olha, foi a mãe que fez...»

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Acima de tudo, pelo prazer que dá. Adoro criar estes pequenos objectos com as minhas próprias mãos, adoro o planeamento, os acabamentos, cada passo do processo. No início, recuperar a criatividade de outros tempos foi uma motivação fundamental. Com o tempo, outras motivações foram surgindo, sendo uma das mais importantes a relação com os clientes, o feedback que recebo deles e a continuidade que este contacto vai trazendo ao meu projecto.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

De forma geral não são um trabalho a tempo inteiro, embora existam períodos nos quais só me dedico ao crafting, por virtude da relativa instabilidade da minha profissão. Geralmente, estou quase sempre a trabalhar num emprego «normal» e só me dedico a estas actividades nos poucos tempos livres. Quer isto dizer que corto e coso essencialmente nos fins-de-semana ou ao serão, normalmente quando a minha filha dorme!

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Novamente, da minha infância. Mas também de qualquer infância, do imaginário da minha filha, de recortes de revistas, de montras de lojas ou museus, de filmes, de livros, de feiras e sótãos... vale tudo, menos copiar.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

No início não era fácil, porque sou muito exigente com a qualidade dos materiais, e também porque preciso de peças muito específicas para alguns dos artigos. Agora, já conheço a maior parte dos fornecedores que me interessam, aqui e no estrangeiro. Compro os feltros em Lisboa e importo muitos tecidos e pequenos acessórios de todo o mundo. Chego a mandar vir formas de papel para bolos do Japão.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Por estranho que pareça adoro fotografar as peças. O momento em que monto todo o cenário necessário para fotografar um bolo é o culminar de todo o processo de criação e não é menos criativo! Gosto de todo o percurso, mas sinto-me muito realizada quando obtenho uma boa foto do produto final. É a minha recompensa mais imediata.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Quando comecei, mostrei o blogue e as peças às amigas e às amigas das amigas e muitas foram generosas comigo na divulgação das minhas criações. Depois, a loja virtual contribuiu com um público muito vasto, a nível internacional, que nunca poderia ter de outra forma. O Flickr é também um excelente instrumento de divulgação (embora deva ser respeitado o facto de não se destinar a fomentar vendas). Foi necessário investir muito tempo e dedicação nessa fase, mas valeu a pena. Hoje em dia faço pouca publicidade, quase nenhuma, mas noto que o número de clientes que já tenho é suficiente para manter o projecto em andamento. Em todo o caso, parece-me que prestar um bom serviço aos clientes é a melhor forma de publicidade.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sem dúvida. O meu projecto, em particular, não existiria sem a internet. Dependo de uma relação directa, sem intermediários, com os meus potenciais clientes e o tipo de peças que crio não me permite ter stocks suficientes para frequentar feiras e eventos semelhantes, para os quais de resto não tenho disponibilidade. Os circuitos comerciais habituais não deixam espaço para os micro-negócios e para os pequenos criadores, mas a internet permite que haja este encontro entre as ofertas mais específicas, como os brinquedos de fabrico manual, e o seu público alvo, a uma escala global.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

É como todas as modas: tem aspectos positivos, outros menos, e um dia vai passar. E certamente voltará mais tarde, mas sempre diferente. Para já, gosto da ideia de deitar abaixo os preconceitos ligados ao trabalho manual e a quem o faz, gosto do espectáculo da criatividade alheia, e gosto de ver muitas pessoas (tal como eu) a descobrir as suas capacidades pessoais e a desenvolver um espírito empreendedor. Não gosto da mediocridade, nem da falta de criatividade que leva à repetição de esquemas já muito batidos. Também não gosto de um certo elitismo, da parte daqueles que acham que um artesão moderno não é simplesmente quem faz trabalho manual para o seu tempo, mas que, além disso, deve cultivar uma determinada imagem e viver de acordo com uma série de preceitos codificados. Disso não gosto.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Não é a primeira vez que mo perguntam. Penso que todas as pessoas possuem talentos muito pessoais, que podem e devem compartilhar com os outros, mas é necessário antes de mais que tenham uma consciência clara e honesta de quais são esses mesmos talentos. Nem todos são talhados para fazer trabalhos manuais, da mesma forma que nem todos nasceram para cantar ou dançar, ainda que o desejem muito. Mas quem tem mesmo vontade de encontrar o seu estilo e o seu «nicho» nesta área poderá tentar perceber o que é que mais lhe interessa e agrada, possivelmente desde a infância, e desenvolver essa vertente. Julgo que, mesmo depois de encontrada a «vocação» é necessário aperfeiçoar tanto quanto possível as capacidades de execução, conhecer e dominar as técnicas e conceber um produto tanto quanto possível original, ou com uma forte marca própria. É forçoso ser-se exigente consigo mesmo.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

É claro que esta pergunta exige uma escolha difícil. Quando comecei, senti-me muito inspirada pelos trabalhos de várias crafters que ainda acompanho com prazer. Tenho de mencionar, por exemplo, as criações alegres e originais da Jenny B. Harris, os projectos despretensiosos e deliciosos da Lynn Roberts, a criatividade da Hillary Lang e tudo sobre a Amanda Soule, que vive e respira handmade. Mas também estou sempre a descobrir criadores que ainda não conhecia, como o Timothy Haugen, cujos brinquedos são mesmo fantásticos, ou a Constança, que não se dedica às crianças em particular mas faz tudo tão perfeito e bonito ou ainda a Hine, que me diverte tanto. Por fim, é justo mencionar a Rosa Pomar, que desbravou os caminhos da internet (e outros) para muitos crafters nacionais e estabeleceu um padrão de exigência de qualidade que me diz muito. Deixo muitos de fora, muitos mesmo...

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Não são propriamente sonhos. Gostava de continuar este projecto, desde que sinta que é possível continuar a desenvolvê-lo e que não me limito a copiar-me a mim própria indefinidamente. Gostava de ter a possibilidade de me dedicar profissionalmente aos brinquedos, de várias formas. Adoro brinquedos!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Marta Mourão



Nome: Marta Mourão
Cidade: Lisboa
Blog / Loja online: sosaias.wordpress.com
Flickr: http://www.flickr.com/photos/8080659@N07




Como descreverias o teu trabalho?

O meu trabalho prende-se essencialmente com a exploração de tecidos padronizados, que me inspiram bastante e que me fazem sentir vontade de lhes dar forma, seja em peças de vestuário, seja noutro tipo de produtos. Tudo feito à mão.



Como é que tudo começou?

Tudo começou com o projecto SóSaias, em que eu trabalhava essencialmente com um produto, que era a saia (desde sempre a minha peça de roupa favorita). Fazia muitos modelos com os mais variados tecidos. Daí as coisas evoluiram naturalmente e hoje alarguei o projecto para mais peças: senhora, criança e casa, com a marca Marta Mourão.



Como escolheste o nome do teu projecto?
O nome Marta Mourão surgiu da necessidade de criar uma marca mais abrangente (como descrevi na pergunta anterior) e foi escolhido/sugerido em conjunto com leitores do meu blog.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Eu não associo directamente crafts com o trabalho que desenvolvo, ou seja, com vestuário. A mim crafts lembram-me mais os pequenos quilts, aventais ou sacos do pão que vou fazendo de vez em quando, seja para a loja do blog, seja para oferecer a alguém. Mas basicamente, tudo o que envolva trabalho manual (e paciência!) motiva-me.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?
A marca Marta Mourão ocupa-me praticamente a tempo inteiro. Como freelancer, faço também alguns trabalhos relacionados com a área do design gráfico.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

A inspiração pode surgir de qualquer coisa, seja de um filme, uma exposição, uma viagem ou até um tecido. Também adoro ir a supermercados, especialmente quando quero fazer qualquer coisa relacionada com artigos para a casa.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Essencialmente com muita pesquisa! Seja pela internet, em retrosarias ou em viagens. Adoro trazer materiais ou tecidos de viagens.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Conjugar tecidos! Sem dúvida! Adoro.

Como é que divulgas o teu trabalho?

O meu trabalho é divulgado essencialmente pela internet.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, importantíssimo.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho que é mesmo uma moda, cada vez mais há pessoas envolvidas em projectos de artesanato urbano.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Penso que o importante é sermos fiéis a nós próprios e também ter muita dedicação.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

São muitos, seria uma lista enorme!

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Abrir o atelier Marta Mourão, o que poderá estar para breve...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Elotopia



Nome: Eloisa Louceiro
Cidade: Setúbal
Blog: blog.elotopia.net
Site: www.elotopia.net
Loja online: shop.elotopia.net
Flickr: www.flickr.com/photos/lollipopgirl




Como descreverias o teu trabalho?

O meu trabalho mistura memórias do passado com sonhos do futuro. É através das minhas vivências que retrato meninas geralmente sonhadoras, em que a imaginação do espectador impera, pois só cada um de nós pode saber o que vai nos sonhos dessa menina.



Como é que tudo começou?

Tudo começou há muitos anos, quando era pequenina e a minha mãe costurava. Quem desenhava a roupa para as clientes era eu… o que não quer dizer que fosse exactamente o que elas queriam! Mas foi desde muito nova que peguei no lápis e no papel e não consegui sobreviver sem eles. Mais tarde, o pincel e as tintas juntaram-se ao lápis e, mais tarde ainda, apareceu o mágico computador, o rato, a tablet e a pen. A primeira personagem utópica que geralmente retrato apareceu num desafio do worth1000!



Como escolheste o nome do teu projecto?

Elotopia vem de «Elo+Utopia». Elo é o apelido carinhoso pelo qual os melhores amigos me chamam; Utopia, a minha, a de criar um mundo perfeito, pelo menos para mim.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

É tão bom fazer coisas! Eu sou um bichinho que se está sempre a mexer. Por mais que goste de estar sossegada em casa a fazer nada, não consigo estar quieta. Mesmo que não seja com as mãos, a imaginação, essa, não pára. Para mim, o prazer está no caminho que se percorre até chegar ao produto final. Quando tudo está feito fico triste e, durante algum tempo, até desanimada. Mas tudo passa quando perco a preguiça e começo a trabalhar no próximo projecto. Talvez por este motivo não consigo «deixar ir» alguns dos meus trabalhos, porque nunca os consigo ver terminados, há sempre um detalhe a acrescentar… sou perfeccionista demais, ocorre-me. E tenho uma musa… mas não conto a ninguém o que é (não quero que ma «roubem»!).



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não, nada disso. Sou professora e isso sim ocupa a maioria do meu dia. Por vezes não tenho tempo para fazer tudo o que quero… o que me entristece bastante, mas guardo sempre um tempinho para as minhas «meninas». Como há algum tempo dizia a uma cliente: «tiro umas semanas para pintar e durante esses dias, espalho o material todo pelo chão da sala, e então, a pouco e pouco, vai nascendo uma nova colecção de meninas, devagarinho…».



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

A minha inspiração vem, na sua maior parte, das fotografias velhas dos álbuns da minha mãe. Final dos anos 60, início dos 70, calças boca-de-sino e longos cabelos ao vento, esperança de futuro estampada na cara. Linda, a minha mãe. Já me apetece desenhar…! Beethoven também é um grande responsável pela minha inspiração e está presente quase sempre durante o meu processo criativo. Ah, e o movimento da Art Nouveau. Grande inspiração!

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Algumas fitinhas que uso para as bonecas já têm mais de 20 anos, lembro-me delas na caixa de costura da minha mãe, quando ainda era pequena. Outras, as mais recentes, são principalmente produto de trocas com meninas de outros países. E outras ainda vêm da minha procura incessante através do Etsy.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Como já referi antes, a parte que mais me dá prazer é o «caminho», o percurso até chegar ao final é a parte mais deliciosa do processo. E se não investirmos muito nesta parte... pessoalmente parece-me que o produto final não tem o mesmo valor.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Colegas, amigos e internet. Em geral não sou boa a falar, por isso deixo as fotos e as imagens falarem por si.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Muito importante, como já disse anteriormente.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Como todas as modas, vão e vêm. Esta ainda não se foi… esperemos então para ver o que se irá passar, não gosto de fazer previsões. Pessoalmente, penso que lhe passo ao lado. Já cá estava antes, talvez fique para depois, nunca se sabe.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

O meu conselho é o de procurar a sua inspiração, algo viável que o motive. Não faça nada por obrigação. E que seja original, há tanto ainda por inventar…



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Uma colecção enorme, mas à cabeça está a minha mãe :)

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Os meus sonhos de futuro estão na imaginação das minhas «meninas». Descubram-nos!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Susana Tavares



Nome: Susana Tavares
Cidade: Lisboa
Loja online: susanatavares.dawanda.com
Flickr: www.flickr.com/photos/atelierdosmiudos




Como descreverias o teu trabalho?

Uma enorme paixão.



Como é que tudo começou?

Tudo começou com um desafio do meu marido, que é o meu impulsionador e melhor apoiante, à minha arte. No ínicio da minha vida profissional fui educadora de infância e adorava trabalhar com crianças, mas tinha uma vozinha cá dentro que me dizia que faltava alguma coisa e que não iria ficar por ali. O meu marido propôs-me tentar encontrar isso… Então decidi fazer uma exposição das peças que criei nos meses seguintes e pôr-me à prova. A exposição correu muito bem e recebi uma grande motivação de todos. A partir desse dia decidi virar a página na minha vida.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Neste momento o nome do meu projecto é o meu nome, pois nada melhor o descreve. O meu trabalho também sou eu, daí o nome Atelier Susana Tavares.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Sempre me motivou explorar diversos materiais, misturá-los, dar-lhes vida, criar!

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Sim, vivo do meu trabalho como artista plástica, tenho um atelier em Lisboa onde trabalho todos os dias da semana. Mas a minha vida são também os meus três filhos - o Bernardo, a Rita e o Guilherme… que tenho de levar à escola, brincar, organizar os dias, ajudar nos trabalhos de casa. Tudo com muitas gargalhadas, mas também alguns ralhetes :)



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

A inspiração vem dos meus filhos, do meu marido, das minhas emoções e paixões, dos trabalhos maravilhosos de outros artistas, das cores, do amor, das tendências.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em lojas de arte, em revistas, em bocadinhos que sobram de outros projectos, nas retrosarias… um pouco em todo o lado.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Gosto de todas as partes… trabalhar a ideia, a realização e a concretização que sabe muito bem, especialmente quando supera as minhas expectativas.

Como é que divulgas o teu trabalho?

O meu trabalho é divulgado essencialmente pela internet, em algumas exposições e feiras que já realizei, mas muito pelos meus familiares, amigos e clientes que estão sempre a passar a palavra.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, é fundamental. A internet é um mundo fascinante que representa muitas oportunidades de mostrar ao mundo o meu trabalho. E saber a opinião de pessoas de todo o mundo é muito bom e motivador, pois não me deixa esquecer de que fiz bem em seguir o meu sonho e acreditar em mim.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho importante que as pessoas possam criar e que criem pois só lhe fará bem à alma. E que possamos criar e crescer, mas sempre com respeito e originalidade.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Que frequente um dos meus workshops de estímulo à criatividade… ih, ih!!! Embora possamos gostar de muitos outros trabalhos e ter vontade de fazer porque é «muito bonito», devemos sempre pensar que é bom mantermo-nos fiéis a nós como indivíduo e não ter medo. Eu sei, porque também já cometi esse erro, mas desde que decidi não ter medo, sou mais eu, mais feliz e melhor.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

O Atelier XT [ já entrevistado no Vidas Crafty ] foi a minha primeira descoberta no Flickr e fiquei deslumbrada com tanto bom gosto e talento em alguém que na altura usava uma inspiração de cores semelhante à minha. Também gosto muito da Rute Reimão, Wishes and Heros [ já entrevistado no Vidas Crafty ], Ana Ventura, Kelly Rae, Danita, Lilymoon… ui e muitos, muitos outros!

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Continuar a criar e a crescer e impulsionar o movimento de Happy Art… ou seja, a arte que proporciona momentos de felicidade a quem a aprecia. Quero encher galerias de beleza, cor e alegria.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Birra de Sono



Nome: Carla Moura
Cidade: Miramar
Blog: birrinha.blogspot.com
Loja online: através do blog ou do Flickr
Flickr: www.flickr.com/photos/42148707@N00




Como descreverias o teu trabalho?

O meu trabalho caracteriza-se essencialmente pelas cores e pelo material principal que utilizo: o feltro. Normalmente, coordeno o feltro com outros materiais, tais como tecidos, botões, fitas, rendas, missangas e, mais recentemente, com pratas. Em muitas situações o feltro que utilizo é fabricado por mim de forma artesanal através de duas técnicas: água e sabão ou agulha e esponja. Sou uma apaixonada pelo feltro artesanal!

Relativamente às cores, normalmente utilizo as que considero infantis e não vou atrás das modas. Quando era criança, da minha caixa de lápis da VIARCO, gastava os turquesas, os rosas, os laranjas e os verde alface. As outras cores normalmente ficavam intactas… ou pouco usadas. Agora acontece-me exactamente o mesmo mas com as cores do feltro e das missangas, à excepção do castanho que adoro conjugar com as cores que já referi.



Como é que tudo começou?

Tudo começou ainda nos tempos de universidade quando idealizava acessórios que não encontrava à venda. Primeiro, e durante muito tempo, fazia-os para mim. Depois para as amigas. Depois para as amigas das amigas. Mais tarde para a minha filha, porque é muito difícil encontrar acessórios para crianças, com formatos e cores adequados para elas.

Como escolheste o nome do teu projecto?

O nome deste projecto em específico, corresponde a uma fase «pós parto» que durou 3 anos e meio da minha vida. Durante esse tempo a minha filha não dormiu. Era no intervalo de algumas birras de sono que eu aproveitava para relaxar um bocadinho e concretizar algumas ideias.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O que me motiva é fazer aquilo que imagino. É transpor para a realidade, em materiais e cores o que idealizo e o que sinto. E faz-me bem sentir quando através daquilo que faço, vou de encontro às pessoas em quem as peças criam emoções.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Os crafts não são um trabalho a tempo inteiro, são fruto dos tempos «não ocupados». Profissionalmente sou engenheira de sistemas e informática. Para além da minha profissão - e como tenho uma família, uma casa e muitos amigos - procuro ocupar com os crafts espacinhos no tempo que não estão ocupados. Por isso, é muito normal acordar às 5h ou 6h da manhã para aproveitar e concretizar algumas destas ideias. É realmente o meu momento zen.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Principalmente vem da forma como vejo as coisas. Vejo sempre tudo muito cor-de-rosa, muito azul turquesa, muito verde alface e muito laranja. Às vezes julgo que não é só a minha altura que corresponde ao tamanho de uma criança, mas também a forma positiva como tento encarar tudo na vida. Às vezes julgo que não cresço e que o tempo não passa por aqui. Talvez por isso a inspiração venha sempre às cores.

A minha filha também é uma fonte inesgotável de inspiração, pelo que diz, pelo que sente e pela energia positiva e inesgotável que transmite. Exige sempre actividades diferentes e criativas e por esse motivo às vezes fazemos, entre outras coisas, desenhos e rimas relacionados com os trabalhos que já fiz ou que inspiram os que vou fazer.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

No início utilizava materiais que encontrava em casa da mãe e da avó. Depois comecei a procurar nas retrosarias. E aproveito sempre que viajo para encontrar materiais diferentes e esquecidos algures em retrosarias muito antigas. Alguns são também oferecidos e, apesar de trabalhar no dia a dia com o computador e com a internet, raramente compro materiais on-line. Prefiro tocar-lhes e sentir as texturas, ver as cores ao vivo e imaginar o que dali pode sair.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Gosto muito da fase em que namoro as cores e toco nos materiais para sentir as texturas, decorar os padrões e perceber quais as melhores combinações de cores… demoro até começar. Às vezes, quando me vou deitar vou com as cores e com todas as características dos materiais na cabeça… julgo até que sonho e acordo com algumas ideias novas.

Depois há uma fase que para mim também é muito aliciante, como que um desafio, e que desde sempre foi um ponto de honra que faço questão de manter: os acabamentos. Para mim uma peça tem que ser igualmente perfeita na frente e atrás, pelo direito e pelo avesso.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Principalmente através da internet, mas também através de algumas lojas de rua. Recentemente estou envolvida com outras vidas crafty num projecto de uma Loja Atelier de rua, a Rosa Malva.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Foi através da internet que este projecto evoluiu a este ritmo. No meu caso a internet funcionou e continua a funcionar como uma montra para o mundo. O que dá muita visibilidade à Birra de Sono.

A Birra de Sono é uma montra mista de «tiradas» da Rita e de trabalhos meus. E é engraçado ver que as visitas e os comentários se dividem entre a Rita e os meus trabalhos.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Considero que é uma moda muito interessante. Não só pela criatividade, mas também pela tentativa de mudança de mentalidades. Quando falo em mudança de mentalidades, refiro-me ao facto de que muitas das pessoas que actualmente fazem este tipo de artesanato, são pessoas que na sua maioria têm os seus empregos e procuram ocupações para aliviar o stress do dia-a-dia e não existe a pressão de «fazer para vender e tentar sobreviver». E, nesses casos, os trabalhos são genuínos, valiosos porque resultam de sentimentos. É evidente que se junta o útil ao agradável.

Na verdade, este conceito veio trazer uma «lufada de ar fresco» ao artesanato que existia apenas na versão tradicional. É uma reengenharia dos costumes, técnicas e materiais adaptada ao quotidiano. Tal como todas as modas há-de passar. Acredito que muitos evoluirão para outras modas.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Daria um conselho que utilizo para mim. Quando começo a fazer uma peça, faço-a sempre como se fosse para mim. Experimento conjugações de materiais e de cores sem receios. No final, se eu gostar do resultado e sentir que vou ter pena de colocar à venda essa peça porque gosto dela como se fosse para mim, então significa que posso comercializar a peça. Caso contrário não a vendo, porque no mínimo há algum detalhe que não se identifica comigo. Esta é a melhor forma que encontrei na busca do meu próprio estilo neste tipo de trabalho.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

São muitos e variam com o tempo e com as circunstâncias, por esse motivo não quero identificar ninguém em especial, porque sei que identificaria pessoas diferentes em dias distintos.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Os meus sonhos estão nas nuvens. Há que fazer acontecer! Genericamente, sonho em ter a possibilidade de fazer sempre aquilo que gosto.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Noussnouss



Nome: Alice Bernardo
Cidade: Guimarães, por enquanto...
Blog: nouss-nouss.blogspot.com
Loja online: http://www.noussnouss.com/
Flickr: www.flickr.com/photos/noussnouss




Como descreverias o teu trabalho?

Esquizofrénico? Não, a sério, não faço a mínima ideia de como o descrever, porque vai mudando com o tempo, e também porque não me levo muito a sério como crafter. Talvez o melhor seja dizer que é um divertimento que se tornou parte indispensável da minha vida.



Como é que tudo começou?

Começou com uma vontade de recomeçar a fazer coisas com as minhas mãos porque sempre gostei. Depois aprendi a mexer na máquina de costura porque queria fazer uma guirlanda que, por acaso, (ainda!) não acabei, e achei que uma ferramenta destas havia de ser interessante de explorar. A partir daí perdi-lhe o rasto, mas deve estar tudo documentado no blog...



Como escolheste o nome do teu projecto?

Procurava um nome que me agradasse sem ser demasiado revelador do conteúdo do blog. NoussNouss quer dizer mais-ou-menos, assim-assim e meia-de-leite. É uma expressão marroquina que gravei, como muitas outras, no tempo que passei em Tânger, enquanto o meu pai lá trabalhou. Agradou-me esta palavra por várias razões. Não é propriamente indicativa do tipo de blog que tenho, tem uma sonoridade bonita, suave, e o significado de assim-assim encaixa na perfeição naquilo que é o Noussnouss - um bocadinho disto e daquilo.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Como arquitecta, tive uma formação em que aprendi a materializar as minhas ideias, mas sabendo que nunca o iria fazer sem a intervenção de terceiros. Aqui, agrada-me sentir que sei fazer algo pelas minhas próprias mãos, seja com agulha e linha ou com um berbequim. Saber é poder.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Ocupam parte do meu tempo. Outra parte é ocupada pela arquitectura e outra pela pura procrastinação.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Das coisas que gostava de ter e não encontro. Dos materiais que vou encontrando e apetece utilizar seja como for. Das coisas bonitas do dia-a-dia. Da vontade de fazer algo especificamente para alguém.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Salvo raras excepções, tudo o que uso é produzido em Portugal, seja industrial ou artesanalmente. Em armazéns grandes, lojas pequenas, por artesãos simpáticos... Procuro muito e por todo o lado!



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Depende da peça, mas uma das minhas coisas preferidas é acolchoar uma quilt enquanto vejo um bom filme. Chego ao cúmulo de fazer colchas só para ter desculpa para me sentar no sofá a preguiçar… alguém aí precisa de uma quilt quentinha??



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através do meu blog, principalmente. Também tenho a sorte de ser visitada por pessoas muito simpáticas, que ajudam na divulgação e às quais agradeço!

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

O papel principal.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

O que considero importante é a forma como restaurou a apreciação do consumidor pelo objecto que é planeado e feito com carinho. Quando a moda passar, espero que fique essa forma de pensar, que nos obriga a reflectir sobre tudo o que se consome com avidez.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Procurar inspiração nos objectos mais insuspeitos e noutras áreas, bem longe dos crafts – a interdisciplinaridade dá sempre frutos. Usar as técnicas tradicionais como meio, e não como fim em si.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Já que este é um blog sobre crafters em Portugal, fico-me por três escolhas nacionais: a Maria João Ribeiro, pela bijuteria absolutamente brilhante, a Maria João Arnaud, por todo o seu trabalho, mas principalmente pelos belos tecidos que já tive o prazer de ver ao vivo e a Marta Mourão, porque é difícil encontrar crafters que façam peças de roupa tão bem pensadas e executadas como ela faz.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

A curto prazo, solidificar os projectos que «plantei» nos últimos dois anos. A longo prazo, encontrar o ponto estável onde conseguirei conciliar os dois lados opostos, profissionalmente, da minha vida. Coisa pouca, portanto…