domingo, 12 de abril de 2009

Orange by Mary John of Kings



Nome: Maria João dos Reis
Cidade: Porto
Blog: orangebymaryjohnofkings.wordpress.com
Site: brevemente online
Loja online: http://en.dawanda.com/shop/MaryJohnofKings
Flickr: www.flickr.com/people/orangefilled




Como descreverias o teu trabalho?

Desenho em materiais geralmente pouco utilizados para desenhar, como gesso, tecido, barro, madeira… o principal é o desenho.



Como é que tudo começou?

Tudo surgiu a partir de uma ideia de uma amiga que queria criar acessórios sob o repto de arte para usar. A ideia não foi para a frente, mas a partir daí comecei a fazer alguns alfinetes para mim e alguns amigos, até que mostrei o meu trabalho a uma pessoa da loja Imerge que, de imediato, se propôs a pô-los à venda na loja e assim tudo começou.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Foi um pouco à pressão. Na altura usava tinta laranja para pintalgar as peças e lembrei-me que Orange era um nome engraçado, até porque nos lembra a fruta e, como a ideia era ter um trabalho fresco e sempre novo, achei que havia uma certa relação. E assim ficou. Hoje em dia escolheria outro nome.

Mais tarde, quando tudo começou a ficar mais sério, incluí o meu nome. Em inglês, porque é engraçado ver como os nomes se transformam ditos noutra língua, mas também devido a uma crescente vontade de internacionalização, sem dúvida.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Experimentar formas de criação diferentes que, neste caso, têm depois uma relação directa com pessoas.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Actualmente os meus dias são ocupados com trabalho e aulas de mestrado em arquitectura. Mas não me importaria de poder fazer dos crafts o meu trabalho de subsistência.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De imagens em geral, da natureza em particular. Adoro a fauna e gosto mesmo muito de desenhar animais, sejam eles pássaros, veados ou gatos. Sinto-me bastante à vontade nesse ambiente natural e tão diferente da humanidade. Adoro anatomia e os estudos científicos do século XIX. As horas que se passavam a desenhar para estudar um animal ou uma planta são hoje em dia impensáveis, mas é precisamente isso que me fascina, pois nessa altura o estudo era mesmo minucioso e o resultado belíssimo.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em drogarias e papelarias.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Nos acessórios, o desenho; e na roupa a junção de diferentes materiais com a peça.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através de sites na internet e algumas feiras que vou participando.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Penso que é o mais importante até. Pois através da internet posso comunicar mais facilmente com lojas e possíveis compradores no estrangeiro, promove-me.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Penso que como todas as modas é passageira e apenas os autores que merecem atenção vão continuar a criar. Hoje em dia existe muita gente a fazer a mesma coisa, acabando por se imitarem uns aos outros e criarem peças desinteressantes.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Fazer o que lhe dá prazer. E ter consciência que nada resulta excelente logo à primeira. É preciso muita prática e acima de tudo bom gosto. Imitar é bom para começar e aprender mas é necessário que haja uma transferência da personalidade do autor para o trabalho, senão nota-se que é apenas mais um…



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Com prazer! LinaPoum, Mia, O ponto sem nó, Alberto’s Family, EmedeMarta, depeapa, LadyDesidia, Petit a Petit, Dropes de Mentol, Elefante é a Vida, Defeito da Mão, TheBlack Apple e BukuBuku .

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Trabalhar um pouco mais na promoção internacional através da internet. Ter uma loja onde possa ter o trabalho de todos os criadores que admiro e deixar a arquitectura para outro plano.

domingo, 5 de abril de 2009

Matilde Beldroega



Nome: Rita Pinheiro
Cidade: Grândola, Alentejo
Blog: matildebeldroega.wordpress.com
Loja online: www.etsy.com/shop.php?user_id=5076673
Flickr: www.flickr.com/photos/matildebeldroega




Como descreverias o teu trabalho?

Como uma boa desculpa para ser adulta e continuar a brincar com bonecas :)



Como é que tudo começou?

Começou com uma série de coincidências auspiciosas. Terminada a licenciatura em Artes-Plásticas, depois de ter alguns empregos que não me agradaram e, pretendendo continuar a trabalhar numa área criativa, vi-me com o dilema de não saber bem o que fazer profissionalmente. Na mesma altura, o meu marido foi trabalhar para Grândola. Para nós, que tínhamos o sonho de talvez um dia conseguirmos ir viver para o Alentejo, não hesitamos na mudança. Longe do buliço de Lisboa, mas ao mesmo tempo suficientemente perto. Para terminar, o nascimento da minha sobrinha Vera e a proposta para lhe fazer uma boneca especial. Assim, juntei todas as coincidências e resolvi experimentar fazer bonecas de uma forma mais sistemática. As coisas foram crescendo e evoluindo com o tempo, com muito trabalho e dedicação.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Matilde é o nome da minha gata. E beldroega porque moro no Alentejo e ADORO sopa de beldroegas.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Bem… eu não sei bem que nome dar ao que faço ou ao meu trabalho. Não é o trabalho manual o que me interessa, ou o que me interessa que o meu trabalho seja. Gosto de coser, gosto da produção em pequena escala, do saber fazer, de aprender a fazer… mas acima de tudo, o me que interessa são as ideias que estão na origem dos objectos. O trabalho criativo, é isso que me motiva.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Sim, é um trabalho a tempo inteiro, que me ocupa quase todas as horas do meu dia.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Vem de mim, da atenção ao que me rodeia, das coisas que me interessam num determinado momento e que vão mudando…

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em lojas de rua, lojas on-line…

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Quando começo a pôr em prática novas ideias. As primeiras experiências que resultam bem.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Maioritariamente na internet, através do meu blog, mas também nas lojas com quem trabalho.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

É uma moda engraçada. É bom ver as pessoas interessadas em fazer coisas que antes comprariam já feito industrialmente… e talvez com menos piada. Mas é uma moda, vai passar e virá outra.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Não tenho experiência nem sabedoria suficiente para dar conselhos… mas deixo uma sugestão: não imitem. A imitação é um mau princípio e é feio - desqualifica quem o pratica. Se são muito influenciáveis não vejam coisas de mais (isto partindo do princípio que nem sempre se copia com mau intuito). Pensem pela vossa cabeça, façam experiências e divirtam-se.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Grande parte está na lista de links que tenho no meu blog.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Continuar a trabalhar para tornar a minha marca melhor e mais consistente. Gerir melhor o meu tempo (não passar tanto tempo na net) para que os projectos não fiquem eternamente no papel ou na cabeça.

domingo, 29 de março de 2009

Aramar



Nome: Inês Florêncio Batista
Cidade: Almada
Blog: aramar.blogspot.com
Loja online: através do blog ou do flickr
Flickr: www.flickr.com/photos/aramar




Como descreverias o teu trabalho?

Essa é uma pergunta um pouco difícil e para a qual me costumam faltar sempre palavras, porque não tenho jeito para definições. Acho que faço peças simples e despretensiosas e das quais espero sempre que as outras pessoas gostem tanto quanto eu.



Como é que tudo começou?

Eu sempre gostei de fazer pequenas coisas desde muito nova, por isso experimentar o arame começou por ser mais uma experiência. Apeteceu-me, numa ida a uma loja de bricolage, comprar uma bobine de arame e uns alicates pequenos que estavam a um preço muito tentador. A partir daí, a destreza e o jeito foram aparecendo e fui evoluindo.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Surgiu muito naturalmente, porque, sempre que ia fazer qualquer coisa com o arame, dizia que ia aramar. Tanto o disse, que me entrou na cabeça, e me pareceu a escolha lógica na altura de escolher um nome para o blog e para o projecto. Entretanto as peças diversificaram-se para outros materiais, mas nunca pensei em mudar o nome. Afeiçoei-me a ele.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O que me motiva é o facto de me fazer feliz, para além de ser uma óptima forma de expressão. Acaba por ser uma coisa muito ligada à emoção, à intuição.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Neste momento estou dedicada apenas ao artesanato e comecei, também, a frequentar um curso de cerâmica. Estou num momento de pausa do curso de Psicologia e está a saber-me muito bem passar o dia no atelier que tenho em casa e poder ser dona e senhora do meu horário de trabalho.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Pode ser do meu próprio imaginário, como pode ser de coisas que vejo no meio que me rodeia. Por vezes até é o próprio material que serve de inspiração.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em retrosarias, lojas de produtos de madeira, lojas de bricolage... até no sotão da minha avó!



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Especialmente quando já tenho uma ideia a martelar-me a cabeça há imenso tempo e consigo, finalmente, pô-la em prática. Isto quando corre bem, claro. Porque também há alturas em que acho que a ideia vai ficar espectacular e o resultado final fica sem piada nenhuma...

Como é que divulgas o teu trabalho?

Essencialmente, através da internet, mas também tenho peças à venda em algumas lojas físicas. E, claro, as feiras (apesar de participar em muito poucas) também têm importância, quanto mais não seja pelo contacto com os visitantes e clientes e pela quantidade de cartões que se podem distribuir num só dia. É um tipo de publicidade pouco dispendiosa e que também tem os seus frutos.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, tem o papel principal.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho óptimo, porque se começaram a criar mais condições para a exposição de trabalhos e divulgação ao público. Por outro lado, começaram a surgir artesãos aos magotes e, na minha opinião, alguns deles a apostarem mais na quantidade do que propriamente na qualidade.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Na minha opinião, a originalidade e a assinatura de um trabalho não provêm de um processo muito racional. Acho que a criatividade pode ser estimulada, mas não pode ser forçada. No entanto, para quem já tem o jeito, mas não sabe bem onde aplicá-lo o melhor mesmo é experimentar muita coisa e não ter medo de falhar. Hoje em dia as pessoas querem que saia tudo muito bem logo à primeira e o artesanato também se trata de muita tentativa e erro.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Eu gosto de tantos que nem consigo nomeá-los a todos, mas posso nomear um projecto que encontrei há pouco tempo através da internet e que me deixou encantada. O projecto é brasileiro, chama-se Maria Berenice e, literalmente, dá-se a conhecer sobre rodas. A autora do projecto remodelou uma carrinha antiga e transformou-a numa loja que vai estacionando em vários pontos do Brasil. Um mimo.


Quais são os teus sonhos para o futuro?

Tenho tantos! Posso dizer que os meus sonhos são como as cerejas. Mal acabo de imaginar um, já tenho outro na calha. Se realizar uma pequena parte, já me vou considerar uma pessoa feliz!

domingo, 22 de março de 2009

Flor de vento



Nome: Ana Cristina Santos
Cidade: Santarém
Blog: flor-de-vento.blogspot.com
Loja online: flor-de-ventoshop.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/11688270@N03




Como descreverias o teu trabalho?

Sendo sempre um prolongamento do sonho.



Como é que tudo começou?

Sinceramente não me recordo, sei que de tempos a tempos descobria novos materiais para experimentar. Já passei dos simples fios de missangas para o arame, deste para o fimo, algumas coisas em lã e agora os tecidos e o feltro.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Na altura, não dei muita importância ao nome. Fiz uma breve pesquisa sobre flores do campo, gostei do nome e mais tarde ao ler um poema de Cecília Meireles redescobri a flor-de-vento. Mas penso que é na continuidade do trabalho que se pode vir a «construir» um nome. Isto quer dizer que quando houver novidades aviso!



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

A simples necessidade de criar e de ficar em estado zen durante os serões.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Os meus dias são passados entre livros e crianças, sou animadora cultural e neste momento faço a mediação entre os livros e as leituras. O que quer dizer que resta pouco tempo para criar.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De tudo o que me rodeia, das conversas com as crianças, dos livros que partilhamos, das histórias das pessoas, do que vejo.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Como gosto sempre de sentir os tecidos, prefiro comprar nas retrosarias do centro, o que não impede que de quando em vez não compre algum material a outras artesãs ou a lojas de tecidos on-line.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

A parte do fim. Adoro quando começo a encher os bonecos, parece que ganham vida.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Basicamente on-line no blog.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Digamos que tem um papel fundamental.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho incrível a quantidade de pessoas talentosas que criam e recriam nos mais diversos formatos. A capacidade que cada um tem de distinguir o seu trabalho dos outros, quer seja pela simples aplicação de uma lantejoula ou pelo simples revirar de uma pestana. E a melhor parte, a abertura das pessoas para esta nova forma de artesanato e da valorização do handmade.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Façam experiências, experimentem diversos materiais e descubram o que mais vos dá gosto.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Sou muito suspeita, tenho uma lista gigantesca de pessoas que adoro!

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Dedicar mais tempo às ideias e experimentá-las, ser definitivamente mais organizada e continuar a produzir.


domingo, 15 de março de 2009

Sebastião Preto Carvão



Nome: Patrícia Lima
Cidade: Palmela
Blog: sebastiaopretocarvao.blogspot.com e macariscada.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/32840893@N05




Como descreverias o teu trabalho?

Sou ainda uma aprendiz de costura, aos poucos fui aprendendo a coser melhor, a fazer novos pontos e a dominar melhor os que já fazia, a máquina de costura foi minha inimiga por uns tempos, mas depois fizemos as pazes e já não conseguimos viver uma sem a outra. Continuo a aprender e a tentar fazer sempre melhor. O carinho e amor que coloco em cada peça é aquilo que mais importa em cada uma delas. Acho que é o que as torna únicas e especiais.

Faço bonecos. Não tenho jeito para outra coisa, gosto de os ir construindo aos poucos, ao sabor da imaginação de cada dia. Por isso gosto de fazer um de cada vez, é raro ter mais do que um começado e fico absolutamente desorientada quando isso acontece. Acho que eles têm coração e personalidade própria, e é-me impossível estar a dar forma a duas criaturas ao mesmo tempo... A não ser que as suas vidas e histórias se cruzem!



Como é que tudo começou?

Começou com a vontade de fazer um gato para uma amiga que adora gatos. Ela já fazia bonecos e foi ela que me deu a conhecer este fascinante «mundo novo»! Sempre achei que não sabia coser, durante anos recusei-me a coser um botão que fosse... bem sei que um pouco mais por preguiça do que por falta de jeito... mas a verdade é que até então nunca senti vontade de costurar. Foi uma aventura, uma brincadeira e o primeiro gato saiu absolutamente assustador. Ainda o tenho comigo, claro! E sempre que olho para ele não consigo deixar de soltar uma gargalhada! Estou a olhá-lo agora! E vocês também! :)



Costurar requer acima de tudo persistência, treino e prática! O segundo gato saiu melhorzito e lá serviu para oferecer à amiga... A partir daí começou o vício... Por uns tempos, todos os amigos, primos, sobrinhos e afins, grandes e pequenos, foram presenteados com bonecos feitos por mim.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Comecei por fazer gatos, são a minha paixão, adoro animais e os gatos são a minha perdição. O meu gato Sebastião sempre foi o meu companheiro de costuras, embora sempre mais interessado nas linhas e agulhas do que nos bonecos, é certo! Mas é um óptimo companheiro, excelente conselheiro e uma fonte de inspiração deliciosa! Por isso o nome saiu naturalmente, é o nome dele: sebastiãopretocarvão. O nome do meu gorduchão preto, cor de carvão! Ok, também sempre gostei de frases a rimar, nota-se? ;)



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O que sempre me agradou na criação dos meus bonecos foi o facto de aqui eu ter liberdade total. Aqui não há briefing e posso ir construindo cada um deles à minha vontade. A todo o momento posso mudar, não preciso de nenhuma metodologia, não preciso saber qual vai ser o resultado final e este não tem que ter nenhuma função, utilidade ou sentido! E tudo isto me parece uma antítese do que sempre aprendi, do que deve ser um designer. Na altura, quando comecei a costurar, o design ocupava o meu dia e os bonecos parte da noite! E era uma delícia poder dedicar-me a ambos!



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Neste momento, o projecto «pequeno José» ocupa grande parte do meu tempo e pensamento... depois há a loja Maçã Riscada, o meu projecto de sonho tornado realidade na minha terra do coração, Palmela. A «Maçã» é um grande pomar cheio de trabalhos deliciosos de pessoas com muito talento. É também aí, num pequeno atelier (cheio de confusão e desarrumação) que dou forma aos meus «meninos», nos momentos mais calmos, quando não há gente a visitar o pomar!

Quando comecei, os bonecos eram apenas um hobby que me dava muito prazer, feito nos poucos tempos livres que tinha. Na altura trabalhava como designer numa empresa na capital do vidro, a minha saudosa Marinha Grande. Fiz parte de um projecto muito especial e adorei participar nele. Fiquei triste, desiludida e um pouco ferida quando percebi que não tinha futuro. Quem me conhece sabe a nostalgia que ainda hoje sinto face ao seu fracasso.

Mas acredito de coração que tudo tem um sentido na nossa vida, e nesse momento, era altura de mudar. O meu hobby ganhava terreno e preenchia cada vez mais o meu tempo. As saudades de Palmela, da família, dos amigos eram já grandes... Seis anos na Marinha Grande é obra para quem, como eu, é amante das suas raízes! Voltei à terra e, com a ajuda da família e amigos (e também do centro de emprego) dei forma à Maçã Riscada. Para quem tem curiosidade em saber o porquê do nome, a maçã riscadinha é uma maçã típica da região de Palmela. É achatada, verde e cheia de risquinhas vermelhas. Uma delícia!

Não estou, portanto, a fazer aquilo para o que estudei largos anos mas neste momento sinto-me muito feliz e realizada. Não fosse esta «malvada» crise e tudo seria perfeito! Ah, e também acho que embora muitas vezes me afaste dos propósitos do design, não é raro utilizar os seus ensinamentos naquilo que faço, mesmo sem dar conta!



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De tudo e de nada, de todos e de pequenos nadas, do que nos rodeia todos os dias, desde que nos levantamos até nos deitarmos. E depois também nos sonhos, porque mesmo esses são fantásticas inspirações!

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Neste momento tenho a sorte de ter na Maçã Riscada a maior parte dos materiais que preciso. Sim, porque para além de artesanato de autor, a «Maçã» também tem uma pequena área de retrosaria de selecção (seleccionada por mim! :)) Ainda assim, não resisto a vasculhar retrosarias de outros tempos, e as caixas velhas da minha mãe. Essa sim, aprendeu a costurar e a bordar... e fez todo o seu enxoval, como todas as mães dessa altura!



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

A parte menos interessante é aquela da máquina costura, que uso para dar a forma geral aos bonecos. A parte melhor vem sempre a seguir: quando escolho quem serão eles, a cor dos cabelos, a forma da boca, a cor das bochechas... se são gatos, é altura de decidir a expressão da cara e depois dar forma à sua personalidade através dos restantes detalhes... se são meninas, aí há uma infinidade de possibilidades! Mas em todos os casos, acho que são eles que ditam a sua própria vida, eu apenas vou cosendo, fazendo-lhes a vontade!

Como é que divulgas o teu trabalho?

É possível conhecer os meus trabalhos na Maçã Riscada e também em algumas lojas no norte do país (neste momento na Mãos à Arte e nas Águas Furtadas). Depois, há a divulgação via net, através do meu blog e do flickr.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

A internet tem um papel fundamental na divulgação dos bonecos sebastiãopretocarvão e até na divulgação da loja Maçã Riscada. Muitas pessoas vêm a Palmela conhecer a loja só porque a viram no blog. Pessoas do Norte e Sul do país! Acho fabuloso e sinto-me muito grata pela forma como sempre fui acarinhada nesse meio, conheci pessoas fabulosas!

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Gosto de saber que há cada vez mais pessoas interessadas em não deixar morrer a tradição do handmade. E há por aí muita gente cheia de talento que ainda não o descobriu! Acho que é importante experimentar, dar largas à imaginação e criar! Somos um país pequeno com muita dificuldade em competir pela quantidade, há que apostar no produto diferenciado, único e especial. Penso que somos bons nisso, o artesanato é disso um exemplo.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Acho que o mais importante é sermos nós mesmos antes de mais e sentirmo-nos bem com aquilo que fazemos. É preciso olhar cá para fora e depois espreitar lá para dentro. É lá que está aquilo que nós somos e é isso que temos que transportar para os nossos trabalhos, a nossa vivência, as nossas experiências, o que sentimos, o que imaginamos. Penso que se o fizermos ofereceremos um trabalho genuíno, com alma, com coração. É essa a mais valia de um trabalho manual, é ser feito pelas mãos de alguém, que é único e especial, porque cada um de nós o é!



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Não é muito simpático dizer nomes... mas não resisto falar de alguns que me fazem vibrar a cada novo trabalho: sou fã incondicional dos bonecos do Ricardo Rodrigues, que é uma fonte inesgotável de criatividade e perfeição, adoro a doçura dos trabalhos da Rute Reimão, a pureza das peças Senhor de Si, a imaginação divertida das peças da Carla Torrão, o serpenteado delicioso das peças da Maria Ribeiro e a excentricidade colorida da Dina Ladina.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Que o pomar da Maçã Riscada dê cada vez mais fruta, que o sebastiãopretocarvão continue de agulhas na mão, e que a minha maçazita pequena chamada José cresça saudável e feliz, até ficar uma grande maçã riscadinha sumarenta e deliciosa!

domingo, 8 de março de 2009

Ikebana Design



Nome: Andreia Martins
Cidade: Lisboa
Flickr: www.flickr.com/photos/ikebanadesign




Como descreverias o teu trabalho?

Simples, muito orgânico.



Como é que tudo começou?

Sempre fui muito criativa e adoro misturar materiais. Nos meus tempos livres pinto telas a óleo e sempre fiz as minhas bijutarias. Foi assim que surgiu realmente a Ikebana Design. Sempre que fazia uma peça nova para mim, os meus amigos e familiares gostavam imenso e comecei a ter pedidos de encomenda. Primeiro para a família e amigos próximos, depois para os amigos dos familiares e amigos dos amigos. E assim foi crescendo.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Ikebana não é um nome criado por mim, não é um nome novo, muito pelo contrário, é o nome de uma arte floral que nasceu na Índia e que tem raízes profundas na cultura japonesa. Nutri desde cedo um fascínio pela arte oriental e quando foi altura de escolher o nome da minha marca foi lá que o fui encontrar. Por essa altura estava a desenvolver uma tela a óleo. Tenho por costume fazer uma pesquisa sobre os elementos que quero reproduzir. Nesse caso eram plantas/flores e foi nessa mesma pesquisa que descobri toda a história da arte de Ikebana. O conceito, a história e a beleza que a envolvem cativaram-me.

Em contraste com a forma decorativa dos arranjos florais que prevalece nos países ocidentais, o arranjo floral japonês representa o amor à beleza da natureza. O seu objectivo é cultivar e elevar a sensibilidade das pessoas através da composição de arranjos florais, resgatando e realçando a beleza existente em cada flor. Tal como esta arte, sempre que projecto uma colecção tento preservar esta filosofia enriquecedora.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Hum... a minha mãe sempre foi apaixonada por crafts, cresci rodeada de criatividade (risos). Sempre tive em casa coisas mimosas feitas por ela: ponto cruz, pinturas a óleo em pequenas peças e muitos desenhos, caramba… ela desenha muito bem! :) Portanto, o gosto por trabalhos manuais já vem de tenra idade, é uma actividade que me dá imenso prazer.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Os crafts tem um papel importante na minha vida mas não são a minha actividade a tempo inteiro (infelizmente). São um hobby que me permite descontrair. Neste momento a minha vida anda bem agitada. Estou a gerir duas empresas, uma onde trabalho efectivamente e que está relacionada com sistemas e assistência informática. A segunda chama-se Pixelminds, é um projecto que envolve mais três amigos e que está relacionada com design, marketing e publicidade. Além disto, estou também a concluir a licenciatura em gestão empresarial à noite.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

A minha inspiração acaba por se centralizar nas raízes do próprio conceito do nome da minha marca - Ikebana. Surge por norma da Natureza, que é muito rica e oferece-me muitas coisas que posso adaptar às minhas criações. As texturas, formas, cores… são uma harmonia constante e a conjugação resulta muito bem.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Vou buscá-los maioritariamente ao Martim Moniz ou à rua das retrosarias em Lisboa (Rua da Madalena) que fica perto do Arco da Rua Augusta para quem não conhece.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Curiosa esta pergunta, (risos), a parte que mais me agrada na verdade é a conjugação das cores numa peça e a escolha «daquele pormenor».



Como é que divulgas o teu trabalho?

Ainda não tive muito tempo para investir verdadeiramente na divulgação do meu trabalho. Faço-o pela internet através de alguns sites básicos como o Flickr ou o Hi5, também já se proporcionou uma entrevista para uma publicação Japonesa de design chamada 1626, o que foi óptimo!

A Internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Penso que a internet tem um papel muito importante em muitos aspectos na actualidade e, sem dúvida , tem um papel importante na divulgação do meu projecto. As pessoas estão cada vez mais familiarizadas a internet, que é um meio de divulgação barato e acessível e chega a toda a parte do mundo.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

A «moda do artesanato urbano» é sem dúvida muito saudável. Fico deliciada com a quantidade de almas criativas que existem, especialmente no nosso país. Esta explosão de criatividade, caracterizada pela produção de objectos a partir de técnicas tradicionais em série limitada, plasticamente expressivas e com uma aproximação às nossas raízes, são fruto da vivência urbana do artesão e contribuem cada vez mais para a produção de peças nacionais com mais qualidade, mais originais e únicas num mundo repleto de formatos com quantidades industrializadas. Em suma, considero-a como sendo uma lufada de ar fresco para a arte nacional.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Que tentem sempre usar a vossa própria criatividade, copiar é sempre um mau príncipio e posso garantir que usar as nossas ideias é muito mais gratificante. Aconselho que explorem novas técnicas, novas formas, novos materiais, que não se prendam a nada concreto durante muitos anos. A nossa arte é como nós próprios, amadurece com o tempo e precisa de ser experimentada para que isso aconteça.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Tenho tido algum contacto com alguns crafters através do flickr (que é um mundo de talentos). Vou partilhar apenas alguns dos muitos que para mim se destacam: Wishes&Heros, Ideias de Conta, Corte na Costura, Magdalena Orlik, BijouxKa, Lana Bragina, que é da Hungria, adoro as formas orgânicas das peças dela, Lisa Stevens, Cerejas Cintilantes, Su, Dominika Naborowska, Odile Gova, Julie Fountain, Daniele Sinhorelli, Cristina Pacheco, Erika Harberts, Catie's Blue, Judit Wild.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Neste momento concluir o meu curso. No que diz respeito à minha marca gostava de tirar um curso de design de jóias. Quero aprender novas técnicas de manuseamento de materiais nessa área e aperfeiçoar os meus acabamentos. Com mais tempo pretendo promover o meu trabalho a sério. Depois (risos) tenho o mundo inteiro para explorar! Haja saúde!