domingo, 10 de maio de 2009

Cores e Coisas

Nome: Sofia Monteiro
Cidade: Porto
Blog: coresecoisas.blogspot.com
Site: brevemente
Loja online: através do blog
Flickr: www.flickr.com/photos/36929071@N00




Como descreverias o teu trabalho?

É um trabalho de cores que surge como uma necessidade quase vital de extrair e compartilhar todo um mundo de fantasia interior, quer através de uma tela, de um conjunto de tecidos ou de um simples papel rabiscado…



Como é que tudo começou?

Não houve um começo propriamente dito, mas sim uma evolução contínua, natural e progressiva do meu percurso pelas artes. Talvez começando pelos meus gatafunhos pré-escolares, passando pela Escola Artística Soares dos Reis e terminando no curso de arquitectura. Surgiram pedidos, passou de boca em boca e dei por mim a criar um blog onde divulgo os trabalhos que vou fazendo.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Não queria um nome que me limitasse a um tipo específico de trabalho. Pinto, ilustro, faço bonecos de trapos, acessórios… Gosto de fazer muitas coisas, mas o que todas elas têm em comum é serem sempre muito coloridas… daí: Cores e Coisas.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

A tal necessidade de extrair de mim as ideias que parecem ter vida própria e transformá-las em coisas palpáveis.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Infelizmente não são a tempo inteiro. Sou arquitecta, mas os crafts estão a ganhar terreno. Já não sei qual deles é o meu hobby.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

A inspiração surge sem bater à porta e sem pedir licença. Vem de tudo o que vejo e sinto. Quer seja um filme, um aroma, uma folha seca… Calculo que todas estas informações/sensações se armazenam em gavetinhas cá dentro. Vêm à tona quando menos espero ou quando preciso delas.
Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em papelaria técnicas, lojas de tecidos, retrosarias… tudo perto da zona onde vivo.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Agrada-me a execução em si. A ideia ganha forma e consome-me. Enquanto não a transponho cá para fora, fervilho. Nem sempre o que tenho em mente é o espelho do resultado final, mas sem dúvida que a parte que mais me preenche é quando estou a criar.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Através do meu blog.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Muito importante. É a minha montra virtual. Daí segue-se o fenómeno de boca em boca até chegarem às minhas peças.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho que este boom no artesanato urbano só foi possível devido à internet. É uma ferramenta fantástica para que este tipo de artesanato cresça e chegue a qualquer lado rápida e eficientemente. A divulgação e troca de informação multiplicou-se e possibilitou que imensas pessoas talentosas construíssem uma ponte até ao grande público. Claro que, como em todos os campos, nem tudo tem potencial, mas existem grandes e bons criadores portugueses nesta área artística.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Não ter medo de errar e deitar cá para fora as ideias que vão surgindo, por muito insignificantes que possam parecer, porque a criação/execução é fruto de ideias básicas que se vão moldando até resultados finais sustentáveis.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Admiro e gosto de imensos criadores. Existem pessoas extremamente talentosas. A lista seria gigantesca, mas vou conter-me ao máximo e mencionar apenas alguns dos meus criadores portugueses favoritos: Maria Madeira - Kase-faz, Rute Reimão - Reimao; Ricardo Rodrigues – Wishes&Heros [ já entrevistado no Vidas Crafty ], Graça Paz - Atelier XT [ já entrevistada no Vidas Crafty ] e Rita Pinheiro - Matilde Beldroega [ já entrevistada no Vidas Crafty ].

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Continuar a progredir nesta área que tanto gosto, mantendo sempre um estilo próprio… e sempre com muitas cores, claro.

domingo, 3 de maio de 2009

Bacondog



Nome: Graça Lima, Mariana Sampaio & Bacon
Cidade: Póvoa de Varzim
Blog: bacondog.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/bacondog





Como descreveriam o vosso trabalho?

Graça e Mariana - Nós fazemos bonecada a partir de lixo reciclável. Pegamos em latas, pastas dentífricas, garrafas, jornais, etc. e reinventamos novos objectos. A técnica utilizada é a pasta de papel, pintura em acrílico e, claro, um pouco do famoso «desenrasque» português.

Bacon - Au-au!



Como é que tudo começou?

Graça - Há cerca de 8 anos. Na altura trabalhávamos juntas e a Mariana começou a passar-me o bichinho dos crafts. Nesse Natal resolvemos reutilizar umas bolas velhas transformando-os em balões e bonecos para oferecer aos amigos e família.

Mariana - O projecto Bacondog só nasceu oficialmente alguns anos depois. Fomos convidadas para fazer uma exposição, as pessoas gostaram do trabalho e mostraram interesse em adquirir algumas peças. Começamos a achar que talvez não fosse má ideia, até porque a bonecada acumulada já começava a ser muita.



Como escolheram o nome do vosso projecto?

Mariana - Usamos o nome do nosso cão. Chama-se Bacon e empresta não só o nome, como também o focinho, a este projecto.

Graça - Na verdade é ele o «patrão da loja»!



Porquê fazer crafts? O que vos motiva?

Graça - Psicoterapia!

Mariana - É um hobby que nos ajuda a relaxar depois de um dia de trabalho. O espírito do projecto é esse: trabalhar ao sabor da pena, sempre que nos apetece e quando nos apetece. Não há obrigações!

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os vossos dias?

Graça - Não. A Mariana é professora de EVT e é também pintora.

Mariana - A Graça é professora de Matemática e trabalha em Epidemiologia. Os crafts, mais do que um part-time, são um hobby.



De onde vem a inspiração para os vossos trabalhos?

Mariana - De tudo o que gostamos: desenhos animados, banda desenhada, ilustrações, outras pessoas que fazem crafts...

Graça - Eu inspiro-me nas pinturas da Mariana. Os quadros dela são muito coloridos e cheios de humor. Vou lá buscar os tons de azul e as riscas vermelhas e brancas…



Onde é que encontram os materiais para os vossos projectos?

Graça - Em todo o lado. O balde do lixo para reciclar é o nosso principal fornecedor.

Mariana - E depois temos os amigos e família que também nos «estragam» com lixo.

De todo o processo de produção das vossas peças qual é a parte que mais vos agrada?

Mariana - Todas as partes do processo são importantes, desde o planeamento ao produto final, mas a parte que nos agrada mais é ver um sorriso nas pessoas. Gosto que se divirtam com as nossas peças….

Graça - Sim, é isso!



Como é que divulgam o vosso trabalho?

Mariana - Na internet, nas feiras de artesanato e em algumas lojas com as quais mantemos uma colaboração.

Graça - Os amigos, a família e alguns colegas de ofício também vão fazendo alguma divulgação do nosso trabalho.

A internet tem um papel importante na divulgação do vosso projecto?

Graça - Sim. Foi assim que nos demos a conhecer. Basicamente limitamo-nos a seguir o circuito normal dos crafters: criar um blogue, a conta no Flickr e fazer algum trabalho de pesquisa. Não investimos muito na promoção do nosso trabalho. Simplesmente deixamos as coisas acontecer.

Mariana - Para além disso, é através da internet que recebemos o retorno do nosso trabalho: as pessoas que nos visitam deixam comentários, às vezes sugestões.



O que acham da actual moda do artesanato urbano?

Graça - Acho que é uma moda «saudável», tanto para quem faz como para quem compra.

Mariana - Um factor positivo nesta moda é o desenvolvimento de novas técnicas e materiais e até mesmo a continuidade do artesanato tradicional, muitas vezes reinventado.

Que conselho dariam a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Mariana - Brincar com os materiais, criar uma linguagem própria, ser original…

Graça - …e fazer o que gosta!



Podem partilhar alguns dos vossos crafters favoritos?

Graça e Mariana - São imensos, seria impossível enumerá-los a todos. Até porque a lista vai aumentando todos os dias!

Quais são os vossos sonhos para o futuro?

Graça e Mariana - Muitos… queremos sobretudo que os sonhos se convertam em projectos e que os projectos se concretizem com sucesso! Haja coragem e capacidade de trabalho!

Bacon - Au-au-au-au!!! [que quer dizer comida e bolas para brincar!]

domingo, 26 de abril de 2009

A Ervilha Cor de Rosa



Nome: Rosa Pomar
Cidade: Lisboa
Blog: aervilhacorderosa.com
Loja online: shop.rosapomar.com e retrosaria.rosapomar.com
Flickr: www.flickr.com/photos/rosapomar




Como descreverias o teu trabalho?

Uma exploração pelo universo têxtil, com um pé na história do design e outro nas técnicas e materiais tradicionais.



Como é que tudo começou?

Acho que foi com o Big Bang. Estou a brincar: desde que me lembro que gosto de brincar com fios e tecidos. A primeira coisa que me lembro de fazer foi um bordado em (tentativa de) ponto cruz feito aos quatro ou cinco anos com fios de lã de todas as cores num bocado de serapilheira. Nessa altura vivia no Alentejo e a minha mãe tinha recentemente aprendido a fazer tapetes de Arraiolos (que eu mais tarde também aprendi a fazer). Depois fui aprendendo a fazer outras coisas. A minha irmã, mais nova que eu, foi vítima dos meus primeiros projectos de tricot.

Como escolheste o nome do teu projecto?

A Ervilha Cor de Rosa é uma brincadeira com o meu nome e o da minha filha mais velha. Os outros nomes (Rosa Pomar e Retrosaria) não têm nada de imaginativo.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

(Continuo a achar que temos de arranjar uma palavra melhor do que crafts) Porque me entusiasma dominar técnicas com milhares de anos que passaram de mãe para filha até hoje, saber construir uma peça de roupa a partir de um fio e dois pauzinhos ou uma manta para nos aquecermos com bocados de roupas que já não servem. É como que um fio condutor que nos liga ao início da humanidade e que passamos às gerações seguintes.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Neste momento sim, mas não separo as peças que crio dos outros assuntos que abordo no meu blog. Acho que A Ervilha Cor de Rosa é que é um trabalho a tempo inteiro, e o que vou criando são materializações dos interesses que me movem. O que ocupa os meus dias, antes, durante e depois do trabalho, são as minhas filhas e a minha família. Eles é que são o motor do resto.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De coisas pequeninas, muitas vezes. Combinações de cores encontradas numa parede, a cara de alguém que se viu passar na rua, das memórias e de tudo aquilo que nos faz olhar duas vezes.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Onde eles estiverem. A procura é uma das partes mais emocionantes.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

De olhar para elas quando as termino. Se for um quilt, por exemplo, o ponto alto é pegar nele depois de lavado, e apreciar como todos aqueles pedacinhos se tornaram uma coisa única, completa e quente.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através dos meus sites, sobretudo.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Claro!

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho que há duas maneiras principais de olhar para ela: uma mais corporativa, de quem leva o seu trabalho muito a sério e, ao passar pelas novas feiras pensa mas como é que aquela pessoa está ali a vender aquelas coisas tão feias, tão mal feitas e por um preço tão irrisório que se tiver alguma coisa é prejuízo. A outra, mais descontraída, é a de na mesma situação, pensar antes passar o dia ali ao ar livre e na conversa com amigos do que estar em casa a ver televisão ou no centro comercial. Mesmo que não venda absolutamente nada. Eu, muito sinceramente, oscilo entre as duas.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Começa por desligar já o computador. Na internet só vais encontrar inspiração digerida por outras pessoas. O mundo não precisa de mais pregadeiras em feltro sintético e, no mundo real, há muitas técnicas e saberes sem herdeiros. Pede à tua avó que te ensine a fazer um cesto de vime, ou recupera o tear que ela tem lá em casa e que está cheio de teias de aranha, ou aprende a fazer chinelos de ourelos e agulhas de tricot com aros de bicicleta (isto é verídico) e meias da Serra d'Ossa porque mais ninguém sabe. Vais ter de certeza muito mais para contar do que se ficares aí desse lado, e muitas mais pessoas a querer ler-te (eu vou ser uma delas).



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Vou antes partilhar este nome que não é muito conhecido por cá. Marilyn Neuhart. Conheci o trabalho dela há poucos anos, mas quero ser como ela quando for grande. Aqui está uma entrevista com ela que recomendo vivamente.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Este ano, ter finalmente um atelier aberto ao público.

domingo, 19 de abril de 2009

aiaimatilde



Nome: Matilde Martins
Cidade: Gondomar, Porto
Blog: aiaimatilde.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/aiaimatilde




Como descreverias o teu trabalho?

Colorido, alegre e muito girly. O meu trabalho não se limita ao papel nem ao tecido, é o que me apetecer fazer num determinado momento. Adoro criar novas peças aiaimatilde, gosto de personalizá-las. Dá-me muito gozo!



Como é que tudo começou?

Desde sempre adorei tecidos, o mundo da costura e desenhar. Tenho uma tia que vive comigo e que é costureira. Quando era pequena adorava apanhar do chão do quarto da costura todas as sobras de tecidos para fazer vestidos para as minhas bonecas, por isso já dura há alguns anos.
No entanto, apesar de dar uns toques com a máquina de costura, tudo o que faço é cosido à mão.

O meu mundo crafty propriamente dito começou com prendas para as amigas, objectos para mim... mas a Matilde só nasceu no meu 3º ano de faculdade, na disciplina de ilustração, não exactamente igual ao que é hoje, mas praticamente igual... com o tempo fui-lhe fazendo umas intervenções cirúrgicas.

Ainda durante a faculdade, na disciplina de informática surgiu a oportunidade de fazer um blog. Aproveitei para fazer um onde mostrasse os trabalhos crafty que tinha desenvolvido até então. A partir daí comecei a receber encomendas e a desenvolver mais o meu trabalho. Adoro o facto de poder criar algo de que as pessoas gostem.



Como escolheste o nome do teu projecto?

aiaimatilde... Matilde é o meu nome e a junção com o aiai surgiu aquando a elaboração do blog. Na altura da escolha do nome, depois de tanta indecisão, alguém disse: «ai ai Matilde» num acto qualquer de impaciência. Na altura achei piada e assim ficou até hoje... aiaimatilde, não veria o meu trabalho com outro nome.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Simplesmente porque adoro e é sem dúvida uma forma de relaxarmos depois de um dia cansativo de trabalho. E também porque acho que fiquei viciada! Gostava de o fazer a tempo inteiro e de me poder dedicar mais.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não, tudo aquilo que mostro no blog e no flickr é fruto de uma vida dupla entre o design de comunicação e as minhas matildes.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Inspiração... não sei bem, gosto muito de «viajar online», ver objectos. Talvez muitas das ideias surjam do meu subconsciente, adoro misturar cores... o meu trabalho é muito «menina», muito cor de rosa, por isso acho que a principal inpiração vem do meu prórprio imaginário.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Na Baixa do Porto e também faço compras online.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Gosto de todo o processo, mas quando acabo é bom. Adoro olhar para a peça já pronta.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Através do blog e do flickr.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sem dúvida, é através dela que dou a conhecer o meu trabalho.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho que a moda do artesanato urbano deveria ser mais original do que as outras modas.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Investiguem, peçam opiniões, façam coisas diferentes, não se limitem a fazer algo parecido com o que já existe. Para mim, mais do que ganhar dinheiro com o artesanato é importante criarmos uma identidade para que o nosso projecto seja diferente dos outros, mas que se complemente com o todo. Acho que só assim «vingará» e terá valor.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Ui! são tantos...

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Que as boas ideias nunca faltem! (esta foi a única forma de resumir algo que não soasse a discurso de Miss de Portugal! hehe)

domingo, 12 de abril de 2009

Orange by Mary John of Kings



Nome: Maria João dos Reis
Cidade: Porto
Blog: orangebymaryjohnofkings.wordpress.com
Site: brevemente online
Loja online: http://en.dawanda.com/shop/MaryJohnofKings
Flickr: www.flickr.com/people/orangefilled




Como descreverias o teu trabalho?

Desenho em materiais geralmente pouco utilizados para desenhar, como gesso, tecido, barro, madeira… o principal é o desenho.



Como é que tudo começou?

Tudo surgiu a partir de uma ideia de uma amiga que queria criar acessórios sob o repto de arte para usar. A ideia não foi para a frente, mas a partir daí comecei a fazer alguns alfinetes para mim e alguns amigos, até que mostrei o meu trabalho a uma pessoa da loja Imerge que, de imediato, se propôs a pô-los à venda na loja e assim tudo começou.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Foi um pouco à pressão. Na altura usava tinta laranja para pintalgar as peças e lembrei-me que Orange era um nome engraçado, até porque nos lembra a fruta e, como a ideia era ter um trabalho fresco e sempre novo, achei que havia uma certa relação. E assim ficou. Hoje em dia escolheria outro nome.

Mais tarde, quando tudo começou a ficar mais sério, incluí o meu nome. Em inglês, porque é engraçado ver como os nomes se transformam ditos noutra língua, mas também devido a uma crescente vontade de internacionalização, sem dúvida.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Experimentar formas de criação diferentes que, neste caso, têm depois uma relação directa com pessoas.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Actualmente os meus dias são ocupados com trabalho e aulas de mestrado em arquitectura. Mas não me importaria de poder fazer dos crafts o meu trabalho de subsistência.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De imagens em geral, da natureza em particular. Adoro a fauna e gosto mesmo muito de desenhar animais, sejam eles pássaros, veados ou gatos. Sinto-me bastante à vontade nesse ambiente natural e tão diferente da humanidade. Adoro anatomia e os estudos científicos do século XIX. As horas que se passavam a desenhar para estudar um animal ou uma planta são hoje em dia impensáveis, mas é precisamente isso que me fascina, pois nessa altura o estudo era mesmo minucioso e o resultado belíssimo.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em drogarias e papelarias.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Nos acessórios, o desenho; e na roupa a junção de diferentes materiais com a peça.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através de sites na internet e algumas feiras que vou participando.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Penso que é o mais importante até. Pois através da internet posso comunicar mais facilmente com lojas e possíveis compradores no estrangeiro, promove-me.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Penso que como todas as modas é passageira e apenas os autores que merecem atenção vão continuar a criar. Hoje em dia existe muita gente a fazer a mesma coisa, acabando por se imitarem uns aos outros e criarem peças desinteressantes.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Fazer o que lhe dá prazer. E ter consciência que nada resulta excelente logo à primeira. É preciso muita prática e acima de tudo bom gosto. Imitar é bom para começar e aprender mas é necessário que haja uma transferência da personalidade do autor para o trabalho, senão nota-se que é apenas mais um…



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Com prazer! LinaPoum, Mia, O ponto sem nó, Alberto’s Family, EmedeMarta, depeapa, LadyDesidia, Petit a Petit, Dropes de Mentol, Elefante é a Vida, Defeito da Mão, TheBlack Apple e BukuBuku .

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Trabalhar um pouco mais na promoção internacional através da internet. Ter uma loja onde possa ter o trabalho de todos os criadores que admiro e deixar a arquitectura para outro plano.

domingo, 5 de abril de 2009

Matilde Beldroega



Nome: Rita Pinheiro
Cidade: Grândola, Alentejo
Blog: matildebeldroega.wordpress.com
Loja online: www.etsy.com/shop.php?user_id=5076673
Flickr: www.flickr.com/photos/matildebeldroega




Como descreverias o teu trabalho?

Como uma boa desculpa para ser adulta e continuar a brincar com bonecas :)



Como é que tudo começou?

Começou com uma série de coincidências auspiciosas. Terminada a licenciatura em Artes-Plásticas, depois de ter alguns empregos que não me agradaram e, pretendendo continuar a trabalhar numa área criativa, vi-me com o dilema de não saber bem o que fazer profissionalmente. Na mesma altura, o meu marido foi trabalhar para Grândola. Para nós, que tínhamos o sonho de talvez um dia conseguirmos ir viver para o Alentejo, não hesitamos na mudança. Longe do buliço de Lisboa, mas ao mesmo tempo suficientemente perto. Para terminar, o nascimento da minha sobrinha Vera e a proposta para lhe fazer uma boneca especial. Assim, juntei todas as coincidências e resolvi experimentar fazer bonecas de uma forma mais sistemática. As coisas foram crescendo e evoluindo com o tempo, com muito trabalho e dedicação.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Matilde é o nome da minha gata. E beldroega porque moro no Alentejo e ADORO sopa de beldroegas.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Bem… eu não sei bem que nome dar ao que faço ou ao meu trabalho. Não é o trabalho manual o que me interessa, ou o que me interessa que o meu trabalho seja. Gosto de coser, gosto da produção em pequena escala, do saber fazer, de aprender a fazer… mas acima de tudo, o me que interessa são as ideias que estão na origem dos objectos. O trabalho criativo, é isso que me motiva.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Sim, é um trabalho a tempo inteiro, que me ocupa quase todas as horas do meu dia.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Vem de mim, da atenção ao que me rodeia, das coisas que me interessam num determinado momento e que vão mudando…

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em lojas de rua, lojas on-line…

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Quando começo a pôr em prática novas ideias. As primeiras experiências que resultam bem.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Maioritariamente na internet, através do meu blog, mas também nas lojas com quem trabalho.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

É uma moda engraçada. É bom ver as pessoas interessadas em fazer coisas que antes comprariam já feito industrialmente… e talvez com menos piada. Mas é uma moda, vai passar e virá outra.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Não tenho experiência nem sabedoria suficiente para dar conselhos… mas deixo uma sugestão: não imitem. A imitação é um mau princípio e é feio - desqualifica quem o pratica. Se são muito influenciáveis não vejam coisas de mais (isto partindo do princípio que nem sempre se copia com mau intuito). Pensem pela vossa cabeça, façam experiências e divirtam-se.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Grande parte está na lista de links que tenho no meu blog.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Continuar a trabalhar para tornar a minha marca melhor e mais consistente. Gerir melhor o meu tempo (não passar tanto tempo na net) para que os projectos não fiquem eternamente no papel ou na cabeça.