Nome: Alexandra dos Santos
Cidade: Porto
Blog: papoilamenina.blogspot.comFlickr: www.flickr.com/photos/papoilamenina
Como descreverias o teu trabalho?É um trabalho apaixonado que pretende trazer mais beleza e fantasia à vida de todos os dias.
Como é que tudo começou?Tudo começou por uma necessidade de expressão. Depois de vários anos a trabalhar em Bruxelas na minha área de formação, regressei ao Porto, com tempo e disponibilidade para explorar ideias desorganizadas que iam passando pela minha cabeça e às quais nunca tinha tido oportunidade de dedicar qualquer atenção. Sentia necessidade de fazer coisas com as minhas mãos, motivada também por querer mais reflexos de mim e da minha forma de estar na vida, em minha casa… Rapidamente percebi a minha paixão por tecidos e não tardou muito até entrar numa loja Singer para comprar uma máquina de costura, sem sequer saber como se enfiava a linha na máquina. Não descansei enquanto não ganhei intimidade com a minha máquina e a partir daí as coisas foram crescendo e ganhando um lugar cada vez mais especial na minha vida.
Como escolheste o nome do teu projecto?
Papoila Menina pela sonoridade de duas palavras simples e bonitas, numa ordem improvável. E porque adoro flores, e porque estas duas palavras juntas assim remetem para um universo de doçura com que me identifico.
Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?
Agora já se tornou uma necessidade, uma extensão de mim. Mas cresceu sendo uma libertação de uma vida demasiado presa ao trabalho desenfreado que nos absorve a cabeça, a vitalidade e a energia e nos desvia das coisas mais importantes.
Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?Neste momento, sim, são um trabalho a tempo inteiro. O que não significa que exclua a possibilidade de trabalhar na minha área de formação (Relações Internacionais Culturais e Políticas), por que também sou apaixonada… Para mim, a situação ideal seria uma combinação destes dois mundos. Contudo, neste momento estou de corpo e alma num projecto que começou por ser um sonho, mas que se tornou uma bonita realidade, uma loja que me preenche e permite partilhar o que faço: a
Rosa Malva.
De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?Da poesia da vida.
Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?Ando sempre à procura, sempre atenta… nas retrosarias antigas, nos armazéns de tecidos tradicionais, sempre que vou para uma localidade ou um país diferente, lá estou eu a entrar em tudo o que tem ar de ser do século passado… mas onde me abasteço é principalmente na internet, pela diversidade a que se tem acesso e, inevitavelmente, pelos preços praticados. O que também me tem acontecido – e que é absolutamente delicioso - é as pessoas (conhecidas ou desconhecidas) virem ter comigo com sacos de botões antigos, restos de tecidos, rendas, fitas e galões, numa espécie de doação de coisas que para elas já tiveram muito valor. Para mim, são tesouros.
De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?Adoro começar. Tudo parte de uma espécie de ideia ou de um impulso e raras são as vezes em que sei, exactamente, como terminará. Para mim o processo de produção é algo muito meu, preciso de estar sozinha, a verdade é que as coisas vão saindo da minha cabeça e das minhas mãos e eu não sei bem por que ordem isto acontece. Depois, claro, adoro ver o resultado.
Como é que divulgas o teu trabalho?
Através do meu blog e do meu sítio no Flickr, mas também através da Rosa Malva e respectivo blog, assim como da participação ocasional em feiras de artesanato.
A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?Tem, sem dúvida que continua a ter, mas teve sobretudo um papel determinante no início. Sem o impulso da internet, da partilha e da aprendizagem que me proporcionou, teria sido muito difícil manter os níveis de entusiasmo, dedicação e de inspiração que foram cruciais para trazer a Papoila Menina até aqui. Algo, que na realidade, não esperava.
O que achas da actual moda do artesanato urbano?Esta moda sente-se a dois níveis: a
moda de fazer e a
moda de comprar. Em relação à primeira moda, a de fazer, acho que está ligada a um certo descontentamento de muita gente da minha geração com o rumo que as suas vidas tomaram. A história dos empregos que nos sugam, que nos tornam reféns das nossas próprias vidas e que nos leva à procura de algo diferente, da essência das coisas. É quase um regresso às origens depois de nos termos afastado delas. Claro que a este fenómeno também está ligado o mal-estar geral económico dos últimos anos, o aumento do desemprego e a necessidade de criar meios alternativos de ocupação e de rendimentos. A combinação destas circunstâncias fez com que muita gente tivesse vontade de explorar, com os meios de que dispunha, o trabalho artesanal.
Em relação à outra moda, a de comprar, na minha opinião esta revela que os consumidores estão cansados da «globalização, procuram a diferença, e com isso também uma forma diferente de estar na vida. De alguma maneira, esta moda representa uma forma de humanizar o consumo. E as pessoas gostam disso.
Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?
Tudo o que fazemos tem que conter verdade e amor. Sem esses dois componentes, simplesmente não funciona. E depois é tudo uma questão de (bom) gosto.
Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?Posso sim. Não posso deixar de referir algumas pessoas cujo trabalho sempre me fascinou e que me incentivaram imenso, logo desde o início, a revelar o meu trabalho, transmitindo-me muita confiança e carinho. São elas a
Mané Pupo e a Carla M., da
Birra de Sono. Depois, confesso ser uma fã incondicional do trabalho da
Lu, da Hippyxic, assim como do trabalho da
Rute Reimão. E claro, há muitos mais
crafters que fazem parte da minha lista de favoritos, mas refiro apenas estas quatro pela importância que tiveram na minha própria formação enquanto
crafter, por me servirem de exemplo e de inspiração.
Quais são os teus sonhos para o futuro?
Ser feliz!!! :)