domingo, 4 de outubro de 2009

vÂniA kOstA



Nome: Vânia Costa
Cidade: Braga
Blog: dedalnodedo.blogspot.com
Flickr: flickr.com/photos/vaniakosta





Como descreverias o teu trabalho?

Embora sejam diversos os formatos sobre os quais me expresso, vou falar apenas do universo de pano que me trouxe até aqui. Se pensar nos ingredientes que fazem parte deste universo de pano, descrevo-o como um preparado de etusiasmo, intuição, ternura e nostalgia que se materializa numa verdadeira entrega e, consequentemente, em cada pormenor das minhas criações. Se pensar no processo, descrevo-o como uma viagem ao interior do meu coração, às memórias, ao e(terno) desejo de chegar até às pessoas e de lhes falar através da linguagem dos
afectos.



Como é que tudo começou?

É difícil identificar esse instante. Acredito que o «começar» despertou numa qualquer brincadeira de infância e que, embora sem consciência dele na altura, se terá desenvolvido ao longo do tempo e hoje resulta em diversos gestos criativos. As brincadeiras de infância são excelentes formas de experimentação e descoberta. Se alguns de nós continuam a «sonhar» mesmo depois de crescidos é porque somos capazes de reencontrar encanto nas coisas mais simples que nos rodeiam e isso dá-nos alimento para sonhar e criar.

Recordo-me que, desde muito pequenina, deliciava-me com os momentos em que criava pequenas coisas com os materiais mais simples que encontrava. Lembro-me de «descascar» a vassoura da minha avó para fazer anéis rebuscados para oferecer (os primeiros acessórios de moda). Lembro-me de, sorrateiramente, ir tirando galões, linhas e pedacinhos de tecidos da caixa de costura da mamã para, às escondidas, fazer as roupas para as minhas bonecas. Até ao dia em que não resisti e, em frente às amigas, disse que sabia costurar e tentei fazer um vestido para mim com um tecido azul turquesa belíssimo que a mamã tinha guardado (os primeiros passos na costura). Lembro-me das bonequinhas que fazia com pedacinhos de lã para oferecer à minha tia e que ainda hoje as tem penduradas na chave da cómoda (as primeiras personagens). Lembro-me da autorização para pintar, desenhar e escrever numa das paredes do quarto ter proporcionando momentos fantásticos de divertimento e criação, em que as amigas também adoravam participar (algumas ainda tentaram fazer na sua casa, o que lhes valeu uma bela palmada). Lembro-me da caminha de madeira para as bonecas que o papá me ajudou a fazer na oficina do avó ao sabor do cheiro dos vernizes e do ruído das goivas a esculpir as madeiras. Tantas lembranças, que fazem hoje parte de mim e de tudo o que faço.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Na altura em que pedi ajuda para criar o blog tive de pensar rapidamente num nome. Entre risadas e alguma pressão (porque não tínhamos muito tempo) ocorreu-me dedal no dedo. De qualquer forma, é como Criações vÂniA kOstA que todos reconhecem o meu pequeno universo de pano.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

A busca incessante da felicidade através do simples gesto criativo. A magia de partilhar quem somos simplesmente através da linguagem dos afectos. Neste caso, «materializados» nas diversas criações de pano que acabam por ser um prolongamento de mim mesma e que os outros podem acolher e cuidar.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Posso dizer que neste momento me absorvem completamente. No entanto, existem outros projectos que volta e meia volto a abraçar e tantos outros a aguardar o seu tempo.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

A inspiração pode surgir de simples memórias, da beleza das coisas simples que nos rodeiam, de objectos ou palavras que são por si só muitas vezes o bilhete para uma divertida viagem com os diversos materiais espalhados sobre a mesa de trabalho ou mesmo pelo chão [materiais que a azeitona também ajuda a espalhar!]. Ela também é claramente a inspiração para muitas das minhas criações.

No entanto, foi uma simples personagem de pano que fiz para oferecer à minha irmã que impulsionou este projecto. Naquele momento, senti que aquela personagem de pano seria a melhor forma da minha irmã levar consigo um pedacinho de mim para a viagem que fez no âmbito do projecto Sócrates/Erasmus. Desde então nunca mais deixei de acrescentar pormenores e personagens a todo este universo, hoje salpicado de cor, de olhares curiosos e ternos contadores de histórias.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Preferencialmente em retrosarias e lojas. Nunca comprei nada pela internet. «Ainda sou do tempo em que...». Tenho de tocar e sentir as texturas dos materiais, o que não quer dizer que um dia não me possa render aos materiais de uma loja on-line.

Algumas criações são também confeccionadas a partir de matérias-primas cedidas por empresas e lojas, abraçando a ideia de re-aproveitar materiais. Outros pequenos tesouros como tecidos antigos, galões, botões e outros são trazidos por vizinhas, amigas, familiares... pessoas que conhecem o meu trabalho e às vezes tocam à campainha com um saquinho para mim «Achei que lhe poderia fazer jeito!».

Existem ainda encomendas confeccionadas a partir de tecidos que, por diversas razões, têm uma ligação forte com as pessoas que as encomendam. Estes pedidos tornam-se igualmente especiais para mim. Aqui fica um muito obrigada a todos!



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Todas as fases do processo são importantes. Desde a idealização da peça, que nasce muitas das vezes no instante em que a tesoura, as linhas e a agulha dançam sobre o pedaço de tecido colocado sobre a mesa; à aplicação dos pormenores que dão uma expressão especial às peças e as fazem falar connosco; ao registo fotográfico, muitas das vezes em ambientes criados propositadamente para o efeito, como os famosos e divertidos passeios pelos recantos do Bom Jesus e da cidade; à criação de textos que complementam as peças até ao momento da partilha com outros olhares.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Comecei por divulgar este universo de pano em 2005 numa exposição na Livraria Centésima Página, aqui em Braga, na altura em que inaugurou o novo espaço na Casa do Rolão. Desde então, sinto uma ligação com este espaço. Frequentemente, apresento lá as novas criações e exponho outros trabalhos, nomeadamente na área da ilustração e da pintura.

Quando comecei a pensar seriamente neste projecto como uma forma de vida tive a oportunidade de divulgá-lo na Feira de Artesanato de Vila do Conde, em 2007. Embora participe em poucas, algumas feiras de artesanato têm sido um óptimo meio de divulgação e comercialização das minhas criações. Mas tenho um carinho especial pela Feira de Vila do Conde. Foi a primeira vez que tive um contacto muito próximo com as pessoas, além de ter conhecido também artesãos com extraordinárias e deliciosas histórias de vida.

O blog também tem sido um excelente formato de divulgação, sobretudo porque mantém as pessoas actualizadas sobre as criações que vão surgindo, as iniciativas onde vou participando, as exposições que vou organizando e os locais/lojas por onde as minhas criações vão sendo acolhidas.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Claro que sim. O blog tem sido um livro aberto, onde partilho cada pormenor das minhas criações enquadradas em episódios que fazem parte dos meus dias. Palavras e imagens que são complementos essenciais. Porque sinto que tudo faz parte de um todo e é este alinhamento que me encanta e que tem conquistado novos olhares e sorrisos.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Tenho «descoberto» criações e autores simplesmente extraordinários. Sinto que comuniquei rapidamente com o universo de alguns deles, talvez porque também me reencontrei na sua linguagem estética. Mas esta pergunta remete-me infelizmente para o outro lado, o mais triste. Senti imensa confusão quando me confrontei pela primeira vez com imitações. A complexidade que senti foi a mesma que sentiria se tivesse visto algo muito próximo do meu universo. No início tudo isto me causava imensa confusão, mexia demasiado comigo, mas aprendi a lidar com este sentimento.

As criações «falam-nos», não só através da linguagem estética que possuem, como pelas histórias que existem por detrás de si. São estes «pormenores» que tornam algumas criações especiais e verdadeiramente «nossas» e este encanto reconhece-se e diferencia-se facilmente de outros trabalhos.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Sugiro apenas que sejam sempre verdadeiros consigo próprios.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Ainda tenho de conhecer alguns mais...

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Tantos que não daria para enumerar, mas posso dizer que todos eles caminham para o mesmo objectivo continuar a alimentar e acolher a felicidade.

domingo, 27 de setembro de 2009

Mané Pupo



Nome: Mané Pupo
Cidade: Vila Nova de Gaia
Blog: manepupo.blogspot.com
Site: http://www.manepupo.com
Loja online: através do site e do blog
Flickr: flickr.com/photos/manepupo





Como descreverias o teu trabalho?

O meu trabalho é um reflexo do mais íntimo de mim. Sou eu própria na minha forma mais confortável: com cor, com luz e muito romântica.



Como é que tudo começou?

Com a complicação da minha vida. Desde sempre estive dedicada às artes e há vários anos que me assumi como artista plástica a tempo inteiro, tendo feito várias exposições em galerias e outros espaços culturais. Mas quando nasceram os meus filhos, um logo a seguir ao outro, deixei de ter tempo para dedicar as horas intermináveis ao atelier que uma tela ou uma escultura em cerâmica exigem.

Entrei numa sabática forçada e a saudade das mãos no barro começou a manifestar-se. Então tratei de me consolar em peças pequeninas que serviam para pendurar ao pescoço. Foi quando uma amiga – porque os amigos nunca nos deixam trair a nossa essência – me sugeriu (está bem: deu-me cabo do juízo!) que partilhasse com o mundo a minha criatividade. A partir daí, e recuperando progressivamente o meu tempo, renasci e cresci no mundo dos crafts.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Não escolhi. Mais uma vez, é uma zona de conforto. É o meu nome. Ou melhor, é o nome pelo qual me tratam desde que me lembro de ser gente. Mané - como diminutivo de Manuela, e Pupo – é nome de família com origem italiana e que significa «marioneta» (é giro, não é?).

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Motiva-me a criação. O novo. O reinventado. Faço os meus trabalhos como quem respira: porque preciso para me sentir viva.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Sim, são. Que bom que é assim!

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Vem do sentimento da paixão. Ora pelo mar, ora pelas folhas, pássaros, sons ou cheiros...



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

A base é sempre a cerâmica que compro num fornecedor especializado. Depois, todos os materiais com que a cruzo, sejam metais, tecidos, rendas, e por aí fora, têm as mais diversas origens, mas geralmente vêm ter comigo através de ofertas ou de descobertas, partilhando uma ou duas características: são velhos e cheiram a mofo.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

A montagem final. Quando o sonho se torna finalmente realidade.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através do site, do blog, do flickr e de lojas onde tenho peças à venda. E da Rosa Malva, claro!

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sem dúvida que sim.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Penso que é um sintoma muito positivo de uma geração que sabe lutar pela sobrevivência e valoriza os saberes e tradições ancestrais.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Definir um estilo passa tão somente por nos conhecermos a nós próprios e por não recear partilhar essa descoberta.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Não. Não posso. Não consigo. Se começo, não acabo...

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Sonho poder viver apaixonada todos os dias pelo meu trabalho, como o faço agora.

domingo, 20 de setembro de 2009

Simão feito à mão



Nome: Simão Bolívar
Cidade: Porto
Blog: simaofeitoamao.blogspot.com





Como descreverias o teu trabalho?

O meu trabalho tem sido descrito como «brinquedos com materiais reciclados». No entanto, como a maioria dos trabalhos são feitos em lata e possuem peças pequeninas ou arestas cortantes, tecnicamente não podem ser chamados brinquedos, de forma que eu recorro ao termo «objectos lúdicos com materiais reaproveitados» para expressar de forma mais correcta o que faço.



Como é que tudo começou?

O gosto pelo trabalho manual começou desde pequeno quando brincava na oficina do meu pai que faz teatro de bonecos no Brasil. Profissionalmente, começou quando vim viver em Portugal. Comecei por fazer algumas prendas para uns amigos e depois, cansado de esperar pelos meus documentos, fiz uma proposta ousada, para hoje, um grande amigo, David Monteiro, «Joe». Propus-lhe fazer uma exposição de brinquedos, numa loja que ele tinha na ribeira, cá no Porto. Isto foi em Junho de 2007 e nunca mais parei!



Como escolheste o nome do teu projecto?

O nome foi escolhido assim de relance, estavamos a criar um blog para divulgar a exposição de brinquedos e tinha que colocar um nome e eu disse põe aí Simão feito à mão e, pronto, ficou.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Criar. Gosto de fazer coisas, de materializar ideias, de reaproveitar materiais. De transformar o que era desprezível em algo interessante.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Sim, vivo dos objectos que crio, mas divido o meu tempo entre a oficina e o trabalho voluntário na Associação A Caderira de Van Gogh da qual faço parte. Ultimamente, comecei a realizar algumas oficinas onde desenvolvo trabalhos de reciclagem com as crianças.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

O que inspira o meu trabalho são artistas como Alexander Calder, Virgílio Moutinho ou Theo Jansen. Mas também os brinquedos tradicionais e as próprias tradições populares portuguesas que interpreto e represento na forma de objectos lúdicos, como, por exemplo, os homens a pisar as uvas ou as senhoras a sacudir tapetes nas varandas da Ribeira.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Os materiais que utilizo encontram-se por toda a parte, na minha ou na sua casa, são resíduos do dia-a-dia. E tenho toda a gente que conheço e não conheço a contribuir para este processo! Desde familiares e amigos a pessoas que conheço nas feiras onde divulgo o meu trabalho. Volta e meia oferecem-me sacos de lixo, às vezes deixam pendurados na porta de minha casa, e eu agradeço! Retribuo depois com um dos meus brinquedos. É uma das coisas que me entusiasma neste processo, ver as pessoas a contribuir. Porque também há uma componente ambiental naquilo que faço. A Lipor também tem contribuído muito. Aliás não só para o meu projecto mas para muitos outros, têm feito um bom trabalho.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Agrada-me o entusiasmo de criar algo novo. Pensar nos mecanismos e desenvolver uma ideia inicial. É como um jogo de descobrir, é aí que eu brinco com os materiais e as ferramentas! Depois é o momento final, ficar satisfeito com o resultado e ver os outros brincar!

Como é que divulgas o teu trabalho?

Divulgo o meu trabalho pelo blog, em contacto directo com as pessoas em feiras, exposições e outros eventos, também nas lojas em que tenho as peças à venda e em entrevistas para todos os meios de comunicação, televisão, imprensa rádio e internet.



A Internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, sem dúvida. Hoje vivemos de blogs e sites. Todos os eventos circulam na net, os convites e as propostas também. Ainda não recebi nenhum convite por carta, seria giro... Também há quem venda através da Internet. Não é o meu caso, mas já tenho recebido encomendas que depois entrego pessoalmente.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Tudo tem um lado bom e um lado mau. Se a moda por um lado gera um leque de oportunidades muito maior, abrindo portas aos artesãos, aumentando o número de eventos e aumentando a sua divulgação em áreas em que até então não eram falados, como a televisão, a rádio e os restantes canais de comunicação. Por outro lado, também faz aumentar o número de trabalhos sem qualidade, há muita gente a fazer as mesmas coisas, apenas com o intuito de ganhar algum dinheiro.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Continue à procura!

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Não tenho crafters favoritos.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Poder continuar a fazer o que gosto.

domingo, 13 de setembro de 2009

Urban Look



Nome: Helena Correia
Cidade: Vila Nova de Gaia
Blog: urban-look.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/54176901@N00




Como descreverias o teu trabalho?

O meu trabalho é muito o reflexo daquilo que gosto. São peças com as quais me identifico e que eu própria gosto de usar. Isso é de tal forma evidente que não faço trabalhos (a não ser a pedido) com determinadas cores das quais não gosto.



Como é que tudo começou?

Eu costumo dizer que começou por acidente! Há cerca de oito anos, precisei de procurar alguns materiais para reparar e transformar algumas das minhas peças e a partir daí ganhei o gosto pela bijuteria. Sempre gostei de fazer trabalhos criativos, quando era mais pequena andava sempre cheia de tralhas atrás de mim, mas este projecto específico foi mesmo assim que começou.



Como escolheste o nome do teu projecto?

O nome já sofreu várias alterações, o inicial era Hel-cor (retirado de Helena Correia), mas como estamos sempre a evoluir, a certa altura senti necessidade de escolher um nome que se identificasse com o trabalho propriamente dito. Assim surgiu o Urban Look.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O que mais me motiva é, sem dúvida, o facto de ter um escape ao stress. Aquilo que acontece com qualquer outro hobby, com a vantagem de este ser lucrativo! Para além disso, adoro explorar o lado criativo. É muito gratificante sempre que recebo um elogio ou quando me cruzo com alguém na rua que usa uma das minhas peças.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Os crafts são um hobby, tenho outra actividade. Neste momento estou a frequentar um curso de formação.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

A maior parte das vezes sou apanhada por ela. Costumo dizer que não a procuro, ela é que me encontra :) Pode ser qualquer coisa: uma simples cor, um objecto, uma paisagem... às vezes a coisa mais inesperada. Outras vezes surgem grandes ideias de pequenos erros que cometo enquanto faço experiências.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Quando comecei a desenvolver este trabalho era muito difícil, mas actualmente existem muitas lojas que vendem este tipo de materiais. A internet facilita muito as compras, no entanto, só compro em lojas físicas que se encontram espalhadas pela cidade do Porto. O facto de haver uma grande procura fez com que o mercado se preparasse nesse sentido.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Agrada-me sempre que começo a tentar perceber se os projectos que faço mentalmente funcionam harmoniosamente na realidade. Muitas vezes isso não acontece... Aquilo de que não gosto mesmo é a parte dos acabamentos, colocar fechos e coisas assim.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Tenho a minha página no Flickr, agora criei um novo blog e tenho participado em algumas feiras de artesanato. Conheci através do Flickr e das feiras pessoas muito importantes que me ajudaram a divulgar e a fazer crescer o meu projecto. Para além disso existe sempre presente a velha história da amiga da amiga que vê alguma das minhas peças e encomenda.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Tenho tido uma falha (grande, na minha opinião) a esse nível. No entanto, estou agora a aprender a explorar mais esse lado. Tenho consciência de que a internet é uma ferramenta muito poderosa. Através do Flickr tive o privilégio de participar na primeira feira de artesanato urbano na cidade do Porto (em Massarelos) e foi sem dúvida uma força impulsionadora para o crescimento do meu trabalho e da participação em outros eventos.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

O artesanato urbano é uma continuação do trabalho artesanal que sempre existiu, contextualizado nos dias de hoje, com outros materiais e novas linhas. Neste momento assistimos a uma explosão tanto na oferta como na procura. As pessoas que o procuram sentem necessidade de procurar acessórios e peças que as façam sentir de alguma forma diferentes. É um reflexo da globalização, que faz com que tudo seja muito semelhante e equilibrado. Ainda que a nível muito diferente, podemos quase comparar essa procura com aquilo que se passa com as «tribos japonesas», o equilíbrio a nível tecnológico é tão grande, que a diferenciação é uma necessidade.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Quanto a isso, acho que um estilo não se procura, os trabalhos reflectem sempre aquilo que gostamos. Sendo a arte uma forma de comunicação não verbal, tem sempre uma mensagem identificativa de quem a faz. Acho que fundamentalmente se deve experimentar, procurar formação e tentar sempre aperfeiçoar o trabalho.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Sou fã de muitos crafters mas não vou referir a todos. Pode parecer suspeito, mas sou fã das velas Pontos de Luz :) Gosto da maneira como a Anabela transforma o fimo. Não posso também deixar de referir as quatro pessoas com quem já partilhei o projecto Rosa Malva. São elas: a Alexandra (Papoila Menina), a Mané (Mané Pupo), a Carla (Ar do Campo) e a Carla (Birra de Sono). Existem, ainda, outras pessoas de quem admiro o trabalho, mas estas seis que referi são a combinação perfeita entre a admiração pelo trabalho que desenvolvem e o relacionamento pessoal que mantenho.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Esta pergunta suponho que está direccionada para o tema que estamos a abordar, mas vou dar uma resposta a nível global: ser feliz, fazer sempre mais e melhor. Não tentar fazer melhor que os outros, mas melhor do que aquilo que faço.

domingo, 6 de setembro de 2009

Rita Vaz Origami



Nome: Rita Vaz
Cidade: Porto
Blog: rvorigami.blogspot.com




Como descreverias o teu trabalho?

Uma junção entre o design e o origami de forma a criar artigos de decoração, de bijutaria, embalagens, onde as dobras perfeitas são um vício.



Como é que tudo começou?

Há alguns anos que faço origami como brincadeira, mas um dia uma amiga desafiou-me a pensar no origami um pouco mais a sério e foi aí que descobri como esta arte é fascinante e como origina um universo ilimitado de possibilidades.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Foi a associação mais rápida entre o meu nome e esta fantástica arte que se chama Origami.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Desde pequena que gosto muito de manualidades e em especial por tudo o que se possa fazer com papel. Ver um sorriso no rosto de quem recebe uma das minhas peças, é a minha maior motivação.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não. Divido o meu tempo entre o design de comunicação (a minha formação base) e o origami, mas, desde que descobri as potencialidades desta arte fabulosa, cada vez tenho menos tempo para a minha principal ocupação. No entanto, a minha formação em design reflecte-se sempre nos meus crafts.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Vou buscar inspiração a tudo o que me rodeia. Como designer estou sempre atenta aos mais pequenos pormenores, que depois acabam por influenciar o meu trabalho.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Grande parte dos papéis que utilizo são desenhados por mim. É difícil encontrar no mercado papéis com a gramagem e com os padrões que satisfaçam todas as minhas necessidades, por isso decidi começar a desenhar os padrões à medida das peças que vou criando.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Quando me surge uma ideia nova e aqueles primeiros passos de experimentação até conseguir concretizá-la.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Tenho as peças à venda em algumas lojas, através do blog, das feiras de artesanato urbano e das pessoas que gostam do meu trabalho e me ajudam a divulgá-lo.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, sem dúvida. Abre portas para mercados e pessoas aos quais nunca teríamos acesso de outra forma.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

É uma moda interessante, mas perigosa! As pessoas ficam fascinadas com tanta coisa que se pode fazer e com a quantidade de ferramentas que nos facilitam o trabalho, que quando damos conta, está meio mundo a fazer as mesmas coisas.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Acho que o mais importante é ser-se original e dar largas à imaginação, sem ter medo de experimentar.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Não tenho favoritos. Gosto de imensos trabalhos dos mais variados crafters.



Quais são os teus sonhos para o futuro?

Ter mais tempo para conseguir concretizar todos os meus projectos.

domingo, 30 de agosto de 2009

Daniela Pereira



Nome: Daniela Fernandes Pereira
Cidade: Espinho
Blog: danielapereiradzn.blogspot.com
Site: http://www.danielapereira.com/
Loja online: danielapereira.etsy.com (brevemente)
Flickr: www.flickr.com/photos/danielapereira




Como descreverias o teu trabalho?

É um trabalho diversificado que tem como base a exploração de diversos materiais, reutilizados e não só. Trabalho por fases e manias, neste momento são os guardanapos de papel e o desperdício têxtil que servem de inspiração para criar grande parte das minhas peças. Noutros tempos, foram os sacos de café e de plástico, as carteiras de comprimidos, os plásticos de bombons, as aparas de plásticos, as patilhas metálicas, os naprons de papel, entre outros, que desafiaram a minha criatividade.

Como é que tudo começou?

É uma breve (grande) história… A tendência para as artes plásticas sempre esteve presente no meu percurso de vida. No 1º ciclo que criei para a minha turma malas coloridas a partir de caixas de sapatos recolhidas em sapatarias. No seu interior colocava um jogo de utilidades com base em temas: caixas de primeiros socorros; caixa de recursos para quem se esquecesse de material escolar como lápis de cor, borrachas, canetas, cola; caixas com diversos materiais para a disciplina de trabalhos manuais como cartões, embalagens de perfumes, papéis de rebuçados, entre outros.

Nos tempos livres ocupava-me da confecção de roupas e acessórios para as minhas bonecas, planificava chapéus e malas em cartão e depois revestia-os com o mesmo tecido da toilette. Além destes hobbies, sempre coleccionei de tudo (!!!), desde canetas, latas de refrigerantes, porta-chaves, borrachas, papéis de cheiro, até sacos de compras… uma infinidade de «lixo». Mas, mais a sério começou em Junho de 2005, quando venci com os Poufs o primeiro prémio no Concurso Mundo Mix na temática Novas Ideias. E foi ao participar no Mundo Mix PT em Coimbra, Porto e Lisboa que estabeleci contactos para integrar exposições colectivas e individuais, que divulgaram o meu trabalho, e para comercializar as minhas peças em lojas dedicadas ao artesanato urbano. Isso fez com que tivesse que levar este meu trabalho mais a sério!

Como escolheste o nome do teu projecto?

Inicialmente tinha escolhido o nome «dpdesign», «dp» de Daniela Pereira e «design» porque é a minha área de formação. Mas após conversar com alguns amigos, fui aconselhada a alterá-lo para o meu nome, em vez de dizer «dpdesign» de Daniela Pereira, passei a dizer só Daniela Pereira. Descompliquei.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Porque adoro artes plásticas. Motiva-me o facto de não ser um trabalho monótono, uma vez que tenho uma grande diversidade de peças com materiais diferentes. Os pedidos personalizados são um grande desafio.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Os crafts são quase um trabalho a tempo inteiro, uma vez que também me dedico à área de design de equipamento e interiores. Os meus dias são ocupados entre estas duas áreas.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Da exploração e do manuseamento dos materiais que me rodeiam. Esse é o princípio fundamental para despoletar a minha criatividade.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em nenhum sítio específico. Como trabalho com diversos materiais, eles vão surgindo à medida que tenho interesse ou não em adquiri-los. Muitas vezes entro em lojas só para espreitar e acabo por ver um material interessante para qualquer coisa a desenvolver.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

A fase inicial, a planificação e composição da peça. É nesta fase que surgem, muitas vezes, novas ideias para outras peças.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Divulgo através do site, do envio de e-mails, das lojas e de algumas feiras em que participo.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, claro! Mas as lojas que me representam também têm uma componente bastante forte nessa divulgação. Não esquecendo todas as pessoas que compram ou recebem as minhas peças, pois são elas que também as divulgam entre familiares, amigos e colegas.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Sinceramente acho uma febre exagerada, mas como todas as modas têm uma certa duração…



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Acima de tudo, penso que os materiais têm que ser explorados ao máximo e se assim for cada crafter consegue desenvolver o seu próprio estilo, conceito e caminho. Porque os mesmos materiais e recursos estão ao alcance de todos!

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Não tenho propriamente crafters favoritos, o que eu tenho são peças favoritas de muitos crafters. E à custa deste blog aumentei, sem dúvida, a minha lista…

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Gostaria de continuar a ter a possibilidade de fazer o que gosto. Se isso acontecer, já seria óptimo! Era meio caminho andado para continuar e desenvolver este projecto.