domingo, 15 de novembro de 2009

Um ano de Vidas Crafty



Hoje não há entrevista :) O Vidas Crafty comemora um ano e quero assinalar a data recordando todos os que estiveram presentes neste primeiro ano de blog. São 52 entrevistas, outras tantas histórias de vida onde os trabalhos manuais estão sempre presentes. Detalhes, curiosidades, surpresas, afinindades... para descobrir lendo ou relendo as entrevistas publicadas este ano, disponíveis clicando nas imagem abaixo.

Obrigado a todos os entrevistados que acreditaram no projecto e dispuseram do vosso tempo para partilhar um bocadinho das vossas vidas. Obrigado a todos os que lêem e comentam as entrevistas, incentivando o trabalho dos artesãos e também o meu. Obrigado a todos os que, não comentando, passam por aqui todos os domingos para descobrir uma história nova. Um obrigado especial aos que estão no meu coração e sorriram com a ideia do Vidas Crafty. E por falar em sorrisos, partilho com todos que é um sorriso grande que me ocorre quando penso nas pessoas tão especiais que o Vidas Crafty trouxe para mais perto de mim.



Trapos, flores e outros amoresUrban Look
Um Quarto de Ideias
Papoila Menina
Vânia Kosta
Wishes and Heros
Susana Tavares
Simão feito à mão
Senhor de Si
Sebastião Preto Carvão
Sara Mota
Saídos da Concha
Rosa e Chocolat
Rita Vaz Origami
Qido
Poeiras, trapos e farrapos
Perdi o fio à meada
Papoila Menina
Owl Mania
Orange by Mary John of Kings
O ponto sem nó
Noussnouss
Mulher de Gengibre
Miss Needle
Mimi Chocolat
Miglinha
Matilde Beldroega
Marta Mourão
Margapinta
Mãos e Art
Mané Pupo
Kase-faz
Isabel Rocha Leite
Ikebana Design
Há monstros debaixo da cama
Flor de vento
Fadas & Princesas
Flor de Sol
Daniela Pereira
Elotopia
Atelier XT
Corticite Aguda
Cores e Coisas
Catrela
Birra de Sono
Birra de Sono
Beijos de Algodão
Beijos de Algodão
Bazar Pimpampim
Bacondog
Atelier XT
Aramar
Amo-te mil milhões
aiaimatilde
A menina brinca
A Ervilha Cor de Rosa

domingo, 8 de novembro de 2009

Amo-te mil milhões



Nome: Virgínia Otten
Cidade: Cascais
Blog: amo-temilmilhoes.blogspot.com
Loja online: amo-temilmilhoesloja.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/32124041@N04/




Como descreverias o teu trabalho?

É um trabalho sentido, demorado, de atenção ao pormenor. Quando estou a trabalhar num boneco quero que esse boneco tenha todo o tempo que precisa para nascer. Eu estou lá de corpo e alma.



Como é que tudo começou?

Tenho a certeza que tudo começou na minha infância. Cresci numa casa grande no meio de avós muito criativos, onde fazer e inventar eram o prato do dia. Lembro-me de estar ao pé do meu bisavô enquanto ele me construía uma casa de bonecas em madeira, com móveis, papel de parede e alcatifa... um trabalho de verdadeira dedicação. A minha bisavó ainda me ensinou a fazer crochet e a minha avó, que ainda hoje continua a ajudar-me muito, ficava horas à máquina de costura. E eu sentia-me bem naquele ambiente.

Só muito mais tarde é que, desempregada, comecei a fazer umas prendas para as amigas. As amigas começaram a encomendar para dar às amigas, depois as amigas das amigas das amigas... Hoje o círculo começa a alargar.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Procurava algo que exprimisse o que quero dizer com o trabalho que faço. O meu filho Miguel, que ainda hoje não gosta de dormir, costumava dizer-me o quanto gostava de mim antes de adormecer... «Amo-te cem vezes, amo-te mil vezes»... até que um dia descobriu o número que lhe pareceu mais infinito: mil milhões. A partir daí, todas as noites, dizia-me: «Amo-te mil milhões». E, como hoje em dia é mais fácil falar de violência do que de sentimentos nobres, achei que «Amo-te mil milhões» serviria na perfeição como grito revolucionário contra a sociedade muito pouco humana em que vivemos.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O tirar cá para fora. O descobrir. O relacionamento entre cabeça, alma e mãos.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Pode dizer-se que sim, embora os meus dias se ocupem também de tarefas muito menos empolgantes, próprias de quem trabalha em casa.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Gosto muito dos materiais por si só. São de infinitas possibilidades criativas. Mas estou sempre atenta à natureza, às pessoas, à criança em cada um de nós. A vida é a grande inspiração.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em lojas locais, nas gavetas da minha avó e por vezes um pouco pela internet.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Gosto quando começo a reconhecer algo naquilo que estou a fazer. Se não chego a reconhecer aquilo que poderia ser chamado de vida própria, acabo por desmanchar e começar tudo de novo. Gosto, sobretudo, de ser surpreendida - de observar o que as mãos fizeram enquanto eu estava no meu mundo encantado.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Tenho o blog e o flickr, o facebook... Acima de tudo tenho pessoas que gostam muito de mim e vão espalhando a palavra.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Muito importante. É uma via rápida: em poucos segundos obtemos resposta do outro lado do mundo!

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Sinceramente, não sei se essa moda é de agora. Já em pequena acompanhava a minha mãe, artista plástica, em feiras de artesanato e lembro-me de ver muita coisa que me cheirava a moda. Há sempre mais gente a copiar do que a criar. Não sinto que os meus clientes sejam influenciados por essa tal moda actual. E eu tento afastar-me dela o mais possível. Gosto muito de artesanato e tenho muito amor àquilo que é genuíno.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Só há uma maneira: esquecer tudo o que viu e olhar para dentro. É uma viagem tão longa quanto a viagem da procura de nós próprios! Eu ainda estou só no começo.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Posso e devo: Rosa Pomar, descobrir o seu blog foi como abrir uma janela enorme; Zélia Évora, que faz as meias mais bonitas deste país; Diane, que prima pelo bom gosto e perfeição na execução de tudo o que faz; Corry, cujo trabalho me lembra o melhor que a Holanda tem, país onde vivi cinco anos... há muitas pessoas por esse mundo fora que merecem sucesso.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Gostava muito de ir viver para o campo. E de poder continuar a fazer aquilo de que tanto gosto. E de ver o meu filho crescer, saudável e feliz.

domingo, 1 de novembro de 2009

Isabel Rocha Leite



Nome: Isabel Rocha Leite
Cidade: Porto
Blog: pao-de-lo.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/olhoblogdabila




Como descreverias o teu trabalho?

Feliz, alegre e gostava que fosse ainda mais trocista.



Como é que tudo começou?

Desenhar bonecada sempre fez parte de mim, mesmo quando entrei na António Arroio com ideias de ir para arquitectura. Quem me conhece sabe que isso seria impossível. Sou designer de moda, mas trabalhei sobretudo na área de ilustração (desenho de estampados, logótipos, passatempos para a Terra do Nunca, mascotes para museus, ilustração de livros infantis, etc.) durante bastante tempo. Daí até pegar num pincel e desatar a pintar foi um tiro, impulsionada pelo meu marido e pelo resto da família. As esculturas de papel surgiram só em 2007, na altura em que abri a loja Pão de Ló. Queria ter esculturas à venda... daí ter posto mãos à obra...



Como escolheste o nome do teu projecto?

Muita gente conhece-me por Bilá, nome dado pelo meu irmão Nuno quando éramos pequenos. A loja chama-se Pão de Ló por causa do papel de embrulho que uso, que é daquele antigo das pastelarias. Achei por isso que a loja tinha que ter nome de bolo e nada melhor que Pão de Ló!!



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O prazer de modificar, criar, fazer acontecer. Sempre fiz coisas à mão, mesmo antes de ganharem esse nome.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Costumo dizer que sou mãe, e artista em part-time.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De todas as experiências de vida que tenho tido: da vida em casa dos meus pais com os meus irmãos, com o Faruk e com o NSU cor de laranja; dos meus tios e padrinhos que sempre me aconchegaram; da vida com os meus tios e primos paternos, éramos imensos numa casa sempre cheia de festas, enorme e que continua a fazer parte dos meus sonhos; da vida na Parede até aos 19 anos; da vida da sociedade do Porto tão semelhante à da Parede; e por fim da vida aqui por casa com o marido e os três crianços.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

As telas e as tintas em lojas da especialidade. Para as Lídias [ foto abaixo ] reciclo muitos materiais, sobretudo listas telefónicas.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Nas pinturas o primeiro esboço, que é o mais genuíno e que nem sempre se mantém igual até ao fim, por várias razões.... No caso das Lídias, gosto quando começo a pintá-las e, aos poucos, despejo todos os pormenores que tenho em mente... fica o máximo!!



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através da loja da Pão de Ló e da internet.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Muito! Representa o meu maior volume de vendas.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Já gostei mais. Acho que há muita falta de imaginação, as pessoas repetem-se muito. Muitos pensam que há sempre um artista escondido dentro de nós e toca a andar! Talvez seja também resultado da crise que atravessamos agora. Espero que as coisas acalmem no bom sentido.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Para procurarem ser inovadores, criativos e se puderem juntar boa disposição (que é o que eu faço), tanto melhor :)



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Gosto muito do trabalho da Graça, que foi quem me empurrou para estas andanças, acho a Lu uma explosão autêntica em termos de criatividade, o Ricardo é arrumado, limpo e perfeito. Gosto das bonecas da Zai-Zai, do trabalho minucioso da Matilde, das Fadas e Princesas da Carla e de mais um montão de gente que agora não me vem à cabeça mas que estão no meu coração!!

Quais são os teus sonhos para o futuro?

É muito importante para mim ser reconhecida pelo trabalho que faço. Não tenho com isto pretensões de vedeta. Mas gostava de poder viver do produto do meu trabalho...

domingo, 25 de outubro de 2009

Miss Needle



Nome: Ingrid Barroso
Cidade: Porto
Blog: missneedledesign.wordpress.com
Loja online: missneedledesign.etsy.com




Como descreverias o teu trabalho?

Quase todo o meu trabalho tem como base técnicas tradicionais de cartonagem e encadernação. A partir dessas técnicas, que muitos de nós aprendemos ainda na escola, reinvento formas, misturo materiais, cores e texturas. Crio cadernos, caixas, agendas e álbuns únicos, com detalhes e carácter muito próprios.



Como é que tudo começou?

Desde criança que me lembro do gosto pelos tecidos, pelas linhas, pelos lápis de cor, pelos cadernos… E pelas caixas: de costura, de fotografias antigas, de recordações e de objectos esquecidos pelos adultos, que para mim tinham o encanto de um tesouro escondido.

Recordo-me de ir para o sótão, de vasculhar gavetas, caixotes e frascos, de retirar tudo do seu interior, observar cada detalhe de cada objecto e depois voltar a colocar tudo no devido lugar… E voltar meses depois e voltar a contemplar tudo como se fosse a primeira vez. Sempre fui muito apegada ao passado, a memórias e recordações. Guardo cadernos de viagem, agendas que se transformam em diários, caixas com conchas, pedras, flores e objectos que marcaram um determinado instante.

Assim, foi quase inato começar a criar os meus próprios «Guardadores de Memórias», objectos que acolhem sonhos, pensamentos, fotografias, recordações… momentos. E foi o prazer de estar sempre a criar objectos novos que fez com que os começasse a oferecer a familiares e amigos. Foram eles que me incentivaram a pensar o meu passatempo de uma forma mais séria, e mais tarde, a criar a Miss Needle.

Como escolheste o nome do teu projecto?

As agulhas são uma constante no meu trabalho. São ferramentas essenciais à encadernação tradicional, à costura japonesa e sobretudo ao detalhe de cada peça. Miss Needle também porque através da internet, os nossos trabalhos chegam a todo o mundo e o inglês é o idioma por excelência do mundo virtual.


Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

É uma distracção, uma terapia… Adoro estar no meio de papéis, tecidos, contas e fitas… É um momento só meu, em que não penso em mais nada a não ser no que estou a criar. Aqui não tenho limites criativos, preocupações, horários. Apenas o gosto de estar continuamente a criar algo novo.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não, os crafts não são um trabalho a tempo inteiro. Sou arquitecta de profissão.


De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Das minhas memórias, dos livros que leio, das viagens que faço… A inspiração vem também dos próprios materiais com que trabalho, especialmente dos tecidos e papéis. Cada um tem a sua personalidade, a sua força próprias e são essas características que acabam por me ajudar na definição da sua utilização, do seu destino e da sua forma final.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Encontro materiais para os meus trabalhos em casa, em baús, gavetas e caixas há muito esquecidas… Na rua, em retrosarias antigas, lojas de chitas e de artigos de scrapbooking. Além disso reutilizo embalagens, sacos, papéis de embrulho, fitas e até algumas peças de vestuário. Há ainda as pessoas que conhecem o meu trabalho e que me oferecem papéis, tecidos, botões… Tudo aquilo que sabem que pode ganhar um novo fôlego, uma nova vida através dos meus trabalhos.


De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

A concretização. O momento em que cada peça fica pronta, em que vejo o resultado final da amálgama de materiais, de texturas e de cores… O instante em que tudo faz sentido e em que cada trabalho adquire a sua própria personalidade, o seu próprio carácter. E depois adoro o momento em que alguém se identifica e se apaixona pelo meu trabalho... É como se se completasse um ciclo. As minhas peças ganham vida nesse momento. Encontram o seu destino nas lembranças e sonhos e fantasias de alguém.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Divulgo o meu trabalho no meu blog, em lojas, em algumas feiras de artesanato em que participo e, claro, através dos amigos e do passa palavra.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim! Tem um papel importante na divulgação do meu trabalho e não só… O meu blog é ele próprio um «Guardador de Memórias», dos trabalhos que realizei, muitos deles peças únicas.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

É mais do que uma moda. É uma ocupação que surge da necessidade que muitas pessoas, sobretudo jovens, têm de complementar a sua actividade profissional. Uns encontram no artesanato uma realização e satisfação que não retiram do seu dia-a-dia a nível profissional. Outros complementam o seu baixo rendimento com o extra que o artesanato proporciona. Há ainda aqueles que procuram no artesanato um meio de sobrevivência enquanto procuram um emprego. E finalmente há os que por há tanto tempo, sem sucesso, procurarem um trabalho, se entregam de corpo e alma ao artesanato e para os quais este passa a ser a sua actividade principal. E são estes que por se sentirem realizados, pelo prazer que retiram de uma actividade criativa totalmente livre, que persistem e por isso crescem e evoluem. Para estes é mais do que uma moda, é um modo de vida.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Fazer o que realmente gosta. Afinal, não é esse o principal objectivo dos crafts? Podermos fazer o que sinceramente nos apetece, criar sem limites… Sermos alheios ao que os outros pensam. Agradarmos apenas a nós próprios… Aos outros, se possível. E sobretudo divertirmo-nos com o que fazemos! Penso que só assim é possível encontrar um estilo próprio.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Há muitos crafters que admiro, no entanto partilho apenas três, por motivos diferentes: a Keisha Campbell, pelos seus layouts absolutamente fabulosos de srapbooking que me inspiram todos os dias, a Mané Pupo, pela sua generosidade e pelo talento e delicadeza do seu trabalho, e a Ema Carneiro, pela sua criatividade, força empreendedora e companhia em todas as feiras em que participo.



Quais são os teus sonhos para o futuro?

Continuar a fazer o que gosto. Não parar nunca de evoluir técnica e criativamente. E, claro, que os meus «Guardadores de Memórias» cumpram o seu destino e acolham muitos e inesquecíveis momentos!

domingo, 18 de outubro de 2009

Owl Mania



Nome: Fernanda Gomes
Cidade: Maia
Blog: owlmania.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/37601550@N07




Como descreverias o teu trabalho?

O meu trabalho reflecte o que me vai na alma, a libertação da minha criatividade, as cores que povoam o meu pensamento… É um conseguir voar acordada. Serve para fugir à rotina pesada do dia-a-dia. É o meu escape. O meu paraíso!



Como é que tudo começou?

Por volta dos 6 anos, altura em que aprendi a tricotar e a fazer roupa para as minhas bonecas. Era uma festa! Aí começou o meu gosto pelos trabalhos manuais mais concretamente pelo tricot, crochet, ponto de cruz. Por volta dos 15 anos aprendi noções básicas de costura. O patchwork só veio há um ano a partir de um workshop que fiz no MUUDA. Mas a paixão pelos tecidos, pela conjugação dos mesmos foi tanta que desde aí não consegui parar!

Como escolheste o nome do teu projecto?

Sou uma apaixonada por mochos. Colecciono mochos há quase 14 anos. Tenho centenas deles.O nome do projecto surgiu naturalmente dessa «mania».



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

A serenidade que me transmite. Eu sou stressada por natureza, ando sempre a correr, a fazer mil e uma coisas em simultâneo. Quando crio, páro. Concentro-me. Relaxo. É um momento só meu!

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não. Eu sou licenciada em Economia e trabalho numa instituição financeira na área de Análise de Dados. Os crafts vêm à noite, na hora do descanso e ao fim-de-semana.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Do meu dia-a-dia, das cores do Porto, do sorriso da minha filha… mas tudo o que me rodeia acaba por influenciar o meu trabalho.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Normalmente encomendo os tecidos e o batting [ http://en.wikipedia.org/wiki/Batting_(material ] online. Às vezes compro alguns tecidos, botões, galões no comércio tradicional da cidade do Porto.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

A idealização da peça, o conjugar dos tecidos e o corte dos mesmos. Gosto muito de «misturar paninhos».

Como é que divulgas o teu trabalho?

Sobretudo na internet (no blog e no flickr). Os amigos também ajudam na divulgação, comprando algumas peças e fazendo publicidade.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Muito importante. A internet fez com que, em pouco tempo , meu trabalho fosse conhecido e chegasse a outros países, o que de outra maneira era impossível.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Apesar de ser uma moda acho muito importante o regressar a ofícios que até há pouco tempo eram deixados de lado, mas dando agora um toque de actualidade, modernidade. Tudo o que seja expressar a criatividade é muito positivo. Não sei se vai durar, mas enquanto cá estiver revela muitos talentos que de outra forma estariam escondidos.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Primeiro fazer o que verdadeiramente gosta. Depois tentar descobrir a sua identidade, o seu traço. A seguir divulgar e ir evoluindo.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Tenho vários, mas não quero referir nomes para não fragilizar… No entanto, deixo aqui uma referência especial ao meu círculo de amigas crafters (elas sabem quem são), mulheres excepcionais, a todos os níveis, e com trabalhos fantásticos!

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Um sonho? Ter um atelier / loja / salão de chá, local que seja um ponto de encontro de crafters talentosos onde a troca de experiências seja a nota dominante…

domingo, 11 de outubro de 2009

Beijos de Algodão



Nome: Sandra Nascimento
Cidade: Vila Nova de Gaia
Blog: beijos-de-algodao.blogspot.com
Loja online: beijos-de-algodao-loja.blogspot.com





Como descreverias o teu trabalho?

Adoro literatura infantil, contos de fadas e lendas encantadas. Assim sendo, as minhas aguarelas revelam mundos mágicos e singulares. As minhas ilustrações, inspiradas na natureza e nas diversas culturas, são únicas e ricamente detalhadas, plenas de texturas, padrões e cores alegres. É um trabalho minucioso e perfeccionista que requer muita dedicação e empenho.



Como é que tudo começou?

O prazer de desenhar e pintar começou na adolescência. Segui os estudos na área das Artes Visuais e licenciei-me em Design de Comunicação Visual pela Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos. O desenho era uma das minhas disciplinas predilectas. Mas só há cinco anos é que a ilustração se tornou realmente uma paixão. Comecei a pintar para os filhotes dos meus amigos. Coloquei um pequeno portfólio num site internacional e comecei a ser contactada por empresas de vários países, entre elas a Imagezoo, um banco de imagens canadiano que só comercializa ilustração. Nessa altura, iniciei um sério e verdadeiro processo criativo desenvolvendo um estilo próprio que tento aperfeiçoar todos os dias. Algo que me distinga dos outros ilustradores.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Quando eu e o meu Príncipe nos conhecemos, sempre que trocávamos emails, ele despedia-se com um beijo diferente. Adorei quando me enviou «beijos de algodão». Como este projecto especial só existe porque o meu Príncipe está ao meu lado, fazia todo o sentido chamar-lhe Beijos de Algodão. Desde Agosto de 2008 que é marca registada, uma tentativa (nem sempre conseguida) de proteger os meus direitos de autor.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Durante 11 anos o computador foi o meu instrumento de trabalho na minha actividade de Designer de Comunicação Visual. O cansaço e a rotina levaram-me de volta aos lápis e aos pincéis. Este contacto com os materiais, a textura do papel, as cores brilhantes das aguarelas líquidas fascinam-me. A possibilidade de poder abordar temas que me agradam particularmente tornam todo o trabalho muito pessoal e emotivo. Algo que não conseguia obter no computador. É claro que este continua a ser um dos meus instrumentos, principalmente nas artes finais e preparação de planos para impressão. Mas a grande parte do tempo é passada a criar… no papel.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro?

A ilustração é a minha actividade a tempo inteiro desde Novembro de 2007. Durante cerca de dois anos consegui conciliar a ilustração (em casa) com o design (na empresa) mas o número de encomendas foi aumentando e tive de optar. Incentivada e apoiada pelo meu Príncipe escolhi o caminho mais difícil, troquei um emprego estável por algo totalmente incerto. Acho que valeu a pena. Agora tenho uma forma diferente de encarar a vida… vivo um dia de cada vez.



O que ocupa os teus dias?

A organização dos meus dias varia consoante o tipo de projecto. Posso estar dias seguidos a pintar; passar uma semana a tratar da produção de determinados materiais (cortar, dobrar, colar, inserir nos envelopes…); manhãs inteiras a responder a pedidos de informação; elaborar orçamentos; preparar encomendas para o envio por correio; verificar pagamentos e facturar; ir aos correios; visitar as lojas; divulgar, etc.. Para que tudo fique perfeito na data agendada, sem atrasos, preciso de me organizar e rentabilizar o tempo… que passa a correr!



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

A inspiração aparece naturalmente no meu dia a dia: pode estar na natureza, numa música, num livro, num país, numa cultura… em todo o lado e em tudo o que me rodeia.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em papelarias e fornecedores de papéis.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Adoro perder-me nos detalhes!



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através do blog Beijos de Algodão, do site internacional de portfolios Coroflot e das exposições que vou realizando. As lojas que comercializam os meus produtos são também outro meio importante de divulgação. E os amigos… que vão passando a palavra.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

É o meio mais eficaz, tendo em conta que 90% das encomendas são efectuadas através de email por pessoas anónimas de diversas zonas de Portugal (e outros países) que encontram o meu trabalho na internet.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Não concordo com a designação artesanato urbano. Prefiro chamar-lhe artesanato contemporâneo e penso que é isso mesmo: uma «moda». Devemos estar atentos, saber seleccionar e valorizar os projectos que são realmente criativos, inovadores e com qualidade. São estes que irão sobreviver quando a «moda» passar.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Devemos ter conhecimento e noção de tudo aquilo que já foi criado. Se gostamos de uma técnica ou material em particular, há que aprender a trabalhá-los e explorar todas as hipóteses que eles nos podem dar. Se nos empenharmos, o nosso próprio estilo acabará por se desenvolver naturalmente. Basta sermos nós próprios e passarmos as nossas características e valores para os projectos. Se cada pessoa é um ser único, também o seu trabalho será único.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

São muitos… e todos com trabalhos excelentes. É impossível fazer referência apenas a alguns.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Continuar a ilustrar e a criar mundos coloridos para partilhar com todos :)