domingo, 6 de dezembro de 2009

Suspiro de Cor



Nome: Andreia Luzia Fonseca
Cidade: Santa Maria da Feira
Site: www.suspirodecor.com
Blog: suspirodecor.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/suspirodecor




Como descreverias o teu trabalho?

É um trabalho, acima de tudo, cheio de cor e de alegria. Que vai tomando forma muito lentamente e onde cada pormenor tem uma atenção diferente.



Como é que tudo começou?

Desde sempre tive gosto pelo desenho e pelas artes plásticas, o que me motivou a optar pelo Design de Comunicação. E isso foi uma mais-valia para a esquematização das primeiras peças. Já o gosto pela costura talvez seja uma herança materna, visto que a minha mãe é modista de profissão. Além disso, as horas de brincadeiras passadas no seu atelier entre linhas e tecidos também contribuíram para o gosto pela costura. Contudo, as primeiras experiências envolvendo o feltro surgiram em meados de 2006. Depois de conhecer o material e as suas possibilidades de trabalho, foi amor à primeira vista.



Como escolheste o nome do teu projecto?

O nome Suspiro de Cor surguiu devido à necessidade de querer transmitir sensações de fantasia, alegria, cor, diversão, etc. Assim, depois de algumas conjugações linguísticas, surgiu Suspiro de Cor. Achei-o logo ideal para o projecto.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Motiva-me o facto de criar novas personagens a cada instante. Cada peça é única, nunca existem duas peças iguais. E porque é o «meu momento», onde posso dar vida à minha imaginação livremente.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não, os crafts não são um trabalho a tempo inteiro. São um trabalho que surge em todos os momentos livres que tenho, são também uma forma de relaxar. Profissionalmente, sou auxiliar administrativa e trabalho numa biblioteca pública.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Não existe propriamente uma «fonte» de inspiração, ela surge naturalmente. Talvez trazida por simples pormenores ou formas de pequenas coisas com que lido ou me vou deparando ao longo dos dias.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Os feltros e as pequenas aplicações, por norma, compro em retrosarias locais. Os lápis em madeira natural, que uso na criação dos «lápis animados», adquiro na fábrica Viarco, a única produtora de lápis a nível nacional. Numa ou outra circunstância compro também algum material online.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Humm... apesar de apreciar imenso a parte em que dou as primeiras formas às peças no papel, creio que a parte que mais me dá prazer é a sua finalização, onde depois da conclusão da base da peça, faço os bordados, as aplicações dos brilhos, enfim, os pequenos pormenores.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Principalmente através do blog, mas as lojas que comercializam algumas peças e algumas mostras de artesanato urbano em que participo, também são um óptimo meio de divulgação.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, é um meio directo, rápido e eficaz no contacto com as pessoas.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Esta é uma questão um pouco sensível. Por um lado acho óptimo, foi a oportunidade de novos criadores se darem a conhecer e de serem valorizados pelo público. Foi também a oportunidade de reanimar e desenvolver técnicas artesanais que há muito tinham ficado esquecidas e presas no tempo. Por outro lado, creio que começaram também a surgir os «artesãos da oportunidade», que criam objectos muitas vezes sem qualidade.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Bom, acima de tudo, que tentem transmitir o que lhes vai na alma através da criação de objectos originais e criativos. Creio que captar um estilo próprio é isso mesmo, reflectir um gosto pessoal e uma personalidade em algo.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Admiro o trabalho de vários crafters, pelo magnífico talento que demonstram. Por isso, designar alguns seria uma missão impossivel.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Continuar a fazer o que gosto, transmitir muitos sorrisos, evoluir também nas técnicas e, um dia, quem sabe, ter um espaço Suspiro. Com muita, muita cor.

domingo, 29 de novembro de 2009

Details Lover by Ema



Nome: Ema Carneiro
Cidade: Porto
Site: www.emacarneiro.com
Blog: emacarneiro.blogspot.com




Como descreverias o teu trabalho?

É um trabalho que muitos gostam, mas nem todos usam. É arrojado e exuberante. São peças que vivem por elas e por isso não são uma compra impulsiva, mas sim por paixão. A expressão é muitas vezes essa: «Estou apaixonada… vou levar».



Como é que tudo começou?

Já fazia algumas coisas, mas com a finalidade de oferecer a amigas e familiares. Um dia, a Ingrid - a minha parceira de feiras convenceu-me (...obrigou-me quase) a comprar uma máquina de corte de feltro, papel, etc.. Mostrou-me a dela e a sua versatilidade, levou-me a noites de convívio da mesma, a eventos e, por fim, comprei. Mas como sou mãe e as minhas compras há muito que deixaram de ser por impulso, tive de começar a rentabilizar a máquina. E agora lá estou de mão na cintura e pé no chinelo a vender as minhas peças nas feiras de artesanato urbano e em algumas lojas.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Uma terapia… sem dúvida. Adoro explorar materiais, descontextualizar conceitos. É paixão e o tempo voa.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Neste momento estão a tomar outras proporções, sem dúvida, mas continuo a ser designer gráfica. O que me dá muito prazer.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De tudo o que está ao meu redor, observo e transformo. Volto a contextualizar.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Sempre fui meio sucateira, guardo tudo… até as latas de leite em pó que eram da Mafaldinha. E agora estou a utilizar tudo. Vou a lojas de velharias, feiras, drogarias… aproveito tudo.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

De já estar no primeiro sono e descer as escadas até ao meu atelier e colocar em prática a ideia que surgiu, seja a que horas for. E, lógico, o momento em que partilho tudo isso, na venda da peça.

Como é que divulgas o teu trabalho?

O boca a boca é muito importante. No meu blog, nas feiras, nas lojas onde vou… pois ando sempre com um cartãozinho meu.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

O papel principal, sem dúvida. Depois as feiras, onde o contacto com o público é fantástico e me fez crescer muito a nível criativo e pessoal. Gosto de interagir com as pessoas. De ser eu a colocar-lhe o colar, mexer-lhe no cabelo para mostrar as potencialidades daquilo que estão a escolher. É muito bom.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Uma mistura muito grande. Muita qualidade em contraste com muita vulgaridade.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Nasce… não é imposto. Vai acontecendo. É espontâneo, não sei… vai surgindo.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Ainda cá ando há pouco tempo para poder eleger, mas tenho alguns trabalhos que sigo e tenho como muito criativos e de muita qualidade.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Sentir-me sempre realizada.

domingo, 22 de novembro de 2009

A Mania da Maria



Nome: Patrícia de Sousa
Cidade: Porto
Blog: amaniadamaria.blogspot.com
Flickr: http://www.flickr.com/photos/37704924@N08/




Como descreverias o teu trabalho?

Um trabalho cheio de cor e romance, que me dá alegria e muita paz de espírito.



Como é que tudo começou?

Já há muito... ou talvez pouco tempo. Comecei por ter vontade de fazer coisas para mim feitas por mim, primeiro a bijuteria, depois as artes decorativas e, há cerca de um ano, fui tomada de assalto pelo vício de coleccionar tecidos e dar-lhes novas utilidades.

Como escolheste o nome do teu projecto?

Chama-se A Mania da Maria porque eu adoro o nome Maria e porque tenho muitas manias, agora a mania do patchwork.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Gosto do processo de criação. De ver um tecido e levá-lo para casa ainda sem saber para quê, ou às vezes com ideias a mais sobre a peça adquirida, e ver depois como se transforma, cresce e ganha uma vida própria, uma vida nova.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Os meus dias são ocupados por muitas viagens, muitas reuniões e demasiadas horas em frente a um computador. Sou directora ibérica de gestão de activos da rede de centros comerciais Dolce Vita. Sou uma consumidora nata e por isso os centros comerciais e eu somos almas gémeas. Embora agora andemos um pouco afastados… lá não existem as lojas que eu amo das ruas do Porto.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De todo o lado, da blusa que vestes, do saco que a vizinha do lado tem, dos trabalhos que admiro, dos azulejos que vejo na cidade, dos esquemas do chão de madeira, sei lá... dos meus sonhos, de uma cabeça que parece que não tem fundo e que cabe lá quase tudo. De um irmão que me dá muita força e de um namorado que me apoia sempre nestas maluqueiras.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

A maioria na internet, mas os que mais gosto vêm das feiras semanais, como a de Espinho, do Armazém dos Linhos na Rua Passos Manuel, aqui no Porto, da Lopo na Praça Carlos Alberto, também no Porto, da Feira dos Tecidos. Sítios onde aparecem coisas lindas aos meus olhos e onde as minhas mãos também possam tocar, porque adoro dar mimo aos tecidos.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Da compra dos tecidos e de dois dias depois de acabar o trabalho. Quando tenho um milhar de projectos na minha cabeça e, no fim, sai outra coisa muito melhor do que eu vi em todo o processo.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Divulgo pouco, no blog, em algumas feiras de artesanato e pouco mais. Ainda invisto muito pouco tempo na fase da divulgação.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim porque é o único que efectivamente uso de forma generalizada. Além de que hoje em dia é uma ferramenta de comunicação muito fácil e acessível ao público que melhor entende e aprecia estas novas artes.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

É uma tendência que acompanha a evolução social e económica do mundo. Nos últimos tempos perdemos muito contacto físico com as coisas, tudo é demasiado rápido, demasiado fácil, massificado e sem emoção. De alguma forma esta moda permite a diversidade das coisas, a exclusividade da peça única, o tempo de correr um processo, de crescer como pessoa, de nos conhecermos e de nos revelarmos ao mundo de uma outra forma.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Não se prendam à internet, tolhe-nos a criatividade! Passeiem mais, visitem mais locais, observem para além do olhar, mudem de lentes, vejam com os olhos da criatividade. A vossa visão será a oportunidade de criar um estilo próprio.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Os meus crafters favoritos são as pessoas que mais amor transpiram no seu trabalho e na sua arte e que tenho a sorte de serem também minhas amigas: a Virgínia, a Diane, a Zélia Évora, a Rita, a Sara e a Diva e outras que não tem blog mas fazem coisas lindas, como a Preciosa ou a Carla. Tanta gente e obviamente as minha companheiras destas coisas, a Fernanda e a Ana Luísa.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Continuar a ser feliz, ter os meus amigos por perto, fazer muitos crafts e quem sabe ter um espaço onde pudesse realizar todos os sonhos dos crafters.

domingo, 15 de novembro de 2009

Um ano de Vidas Crafty



Hoje não há entrevista :) O Vidas Crafty comemora um ano e quero assinalar a data recordando todos os que estiveram presentes neste primeiro ano de blog. São 52 entrevistas, outras tantas histórias de vida onde os trabalhos manuais estão sempre presentes. Detalhes, curiosidades, surpresas, afinindades... para descobrir lendo ou relendo as entrevistas publicadas este ano, disponíveis clicando nas imagem abaixo.

Obrigado a todos os entrevistados que acreditaram no projecto e dispuseram do vosso tempo para partilhar um bocadinho das vossas vidas. Obrigado a todos os que lêem e comentam as entrevistas, incentivando o trabalho dos artesãos e também o meu. Obrigado a todos os que, não comentando, passam por aqui todos os domingos para descobrir uma história nova. Um obrigado especial aos que estão no meu coração e sorriram com a ideia do Vidas Crafty. E por falar em sorrisos, partilho com todos que é um sorriso grande que me ocorre quando penso nas pessoas tão especiais que o Vidas Crafty trouxe para mais perto de mim.



Trapos, flores e outros amoresUrban Look
Um Quarto de Ideias
Papoila Menina
Vânia Kosta
Wishes and Heros
Susana Tavares
Simão feito à mão
Senhor de Si
Sebastião Preto Carvão
Sara Mota
Saídos da Concha
Rosa e Chocolat
Rita Vaz Origami
Qido
Poeiras, trapos e farrapos
Perdi o fio à meada
Papoila Menina
Owl Mania
Orange by Mary John of Kings
O ponto sem nó
Noussnouss
Mulher de Gengibre
Miss Needle
Mimi Chocolat
Miglinha
Matilde Beldroega
Marta Mourão
Margapinta
Mãos e Art
Mané Pupo
Kase-faz
Isabel Rocha Leite
Ikebana Design
Há monstros debaixo da cama
Flor de vento
Fadas & Princesas
Flor de Sol
Daniela Pereira
Elotopia
Atelier XT
Corticite Aguda
Cores e Coisas
Catrela
Birra de Sono
Birra de Sono
Beijos de Algodão
Beijos de Algodão
Bazar Pimpampim
Bacondog
Atelier XT
Aramar
Amo-te mil milhões
aiaimatilde
A menina brinca
A Ervilha Cor de Rosa

domingo, 8 de novembro de 2009

Amo-te mil milhões



Nome: Virgínia Otten
Cidade: Cascais
Blog: amo-temilmilhoes.blogspot.com
Loja online: amo-temilmilhoesloja.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/32124041@N04/




Como descreverias o teu trabalho?

É um trabalho sentido, demorado, de atenção ao pormenor. Quando estou a trabalhar num boneco quero que esse boneco tenha todo o tempo que precisa para nascer. Eu estou lá de corpo e alma.



Como é que tudo começou?

Tenho a certeza que tudo começou na minha infância. Cresci numa casa grande no meio de avós muito criativos, onde fazer e inventar eram o prato do dia. Lembro-me de estar ao pé do meu bisavô enquanto ele me construía uma casa de bonecas em madeira, com móveis, papel de parede e alcatifa... um trabalho de verdadeira dedicação. A minha bisavó ainda me ensinou a fazer crochet e a minha avó, que ainda hoje continua a ajudar-me muito, ficava horas à máquina de costura. E eu sentia-me bem naquele ambiente.

Só muito mais tarde é que, desempregada, comecei a fazer umas prendas para as amigas. As amigas começaram a encomendar para dar às amigas, depois as amigas das amigas das amigas... Hoje o círculo começa a alargar.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Procurava algo que exprimisse o que quero dizer com o trabalho que faço. O meu filho Miguel, que ainda hoje não gosta de dormir, costumava dizer-me o quanto gostava de mim antes de adormecer... «Amo-te cem vezes, amo-te mil vezes»... até que um dia descobriu o número que lhe pareceu mais infinito: mil milhões. A partir daí, todas as noites, dizia-me: «Amo-te mil milhões». E, como hoje em dia é mais fácil falar de violência do que de sentimentos nobres, achei que «Amo-te mil milhões» serviria na perfeição como grito revolucionário contra a sociedade muito pouco humana em que vivemos.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O tirar cá para fora. O descobrir. O relacionamento entre cabeça, alma e mãos.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Pode dizer-se que sim, embora os meus dias se ocupem também de tarefas muito menos empolgantes, próprias de quem trabalha em casa.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Gosto muito dos materiais por si só. São de infinitas possibilidades criativas. Mas estou sempre atenta à natureza, às pessoas, à criança em cada um de nós. A vida é a grande inspiração.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Em lojas locais, nas gavetas da minha avó e por vezes um pouco pela internet.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Gosto quando começo a reconhecer algo naquilo que estou a fazer. Se não chego a reconhecer aquilo que poderia ser chamado de vida própria, acabo por desmanchar e começar tudo de novo. Gosto, sobretudo, de ser surpreendida - de observar o que as mãos fizeram enquanto eu estava no meu mundo encantado.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Tenho o blog e o flickr, o facebook... Acima de tudo tenho pessoas que gostam muito de mim e vão espalhando a palavra.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Muito importante. É uma via rápida: em poucos segundos obtemos resposta do outro lado do mundo!

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Sinceramente, não sei se essa moda é de agora. Já em pequena acompanhava a minha mãe, artista plástica, em feiras de artesanato e lembro-me de ver muita coisa que me cheirava a moda. Há sempre mais gente a copiar do que a criar. Não sinto que os meus clientes sejam influenciados por essa tal moda actual. E eu tento afastar-me dela o mais possível. Gosto muito de artesanato e tenho muito amor àquilo que é genuíno.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Só há uma maneira: esquecer tudo o que viu e olhar para dentro. É uma viagem tão longa quanto a viagem da procura de nós próprios! Eu ainda estou só no começo.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Posso e devo: Rosa Pomar, descobrir o seu blog foi como abrir uma janela enorme; Zélia Évora, que faz as meias mais bonitas deste país; Diane, que prima pelo bom gosto e perfeição na execução de tudo o que faz; Corry, cujo trabalho me lembra o melhor que a Holanda tem, país onde vivi cinco anos... há muitas pessoas por esse mundo fora que merecem sucesso.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Gostava muito de ir viver para o campo. E de poder continuar a fazer aquilo de que tanto gosto. E de ver o meu filho crescer, saudável e feliz.

domingo, 1 de novembro de 2009

Isabel Rocha Leite



Nome: Isabel Rocha Leite
Cidade: Porto
Blog: pao-de-lo.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/olhoblogdabila




Como descreverias o teu trabalho?

Feliz, alegre e gostava que fosse ainda mais trocista.



Como é que tudo começou?

Desenhar bonecada sempre fez parte de mim, mesmo quando entrei na António Arroio com ideias de ir para arquitectura. Quem me conhece sabe que isso seria impossível. Sou designer de moda, mas trabalhei sobretudo na área de ilustração (desenho de estampados, logótipos, passatempos para a Terra do Nunca, mascotes para museus, ilustração de livros infantis, etc.) durante bastante tempo. Daí até pegar num pincel e desatar a pintar foi um tiro, impulsionada pelo meu marido e pelo resto da família. As esculturas de papel surgiram só em 2007, na altura em que abri a loja Pão de Ló. Queria ter esculturas à venda... daí ter posto mãos à obra...



Como escolheste o nome do teu projecto?

Muita gente conhece-me por Bilá, nome dado pelo meu irmão Nuno quando éramos pequenos. A loja chama-se Pão de Ló por causa do papel de embrulho que uso, que é daquele antigo das pastelarias. Achei por isso que a loja tinha que ter nome de bolo e nada melhor que Pão de Ló!!



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

O prazer de modificar, criar, fazer acontecer. Sempre fiz coisas à mão, mesmo antes de ganharem esse nome.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Costumo dizer que sou mãe, e artista em part-time.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De todas as experiências de vida que tenho tido: da vida em casa dos meus pais com os meus irmãos, com o Faruk e com o NSU cor de laranja; dos meus tios e padrinhos que sempre me aconchegaram; da vida com os meus tios e primos paternos, éramos imensos numa casa sempre cheia de festas, enorme e que continua a fazer parte dos meus sonhos; da vida na Parede até aos 19 anos; da vida da sociedade do Porto tão semelhante à da Parede; e por fim da vida aqui por casa com o marido e os três crianços.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

As telas e as tintas em lojas da especialidade. Para as Lídias [ foto abaixo ] reciclo muitos materiais, sobretudo listas telefónicas.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Nas pinturas o primeiro esboço, que é o mais genuíno e que nem sempre se mantém igual até ao fim, por várias razões.... No caso das Lídias, gosto quando começo a pintá-las e, aos poucos, despejo todos os pormenores que tenho em mente... fica o máximo!!



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através da loja da Pão de Ló e da internet.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Muito! Representa o meu maior volume de vendas.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Já gostei mais. Acho que há muita falta de imaginação, as pessoas repetem-se muito. Muitos pensam que há sempre um artista escondido dentro de nós e toca a andar! Talvez seja também resultado da crise que atravessamos agora. Espero que as coisas acalmem no bom sentido.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Para procurarem ser inovadores, criativos e se puderem juntar boa disposição (que é o que eu faço), tanto melhor :)



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Gosto muito do trabalho da Graça, que foi quem me empurrou para estas andanças, acho a Lu uma explosão autêntica em termos de criatividade, o Ricardo é arrumado, limpo e perfeito. Gosto das bonecas da Zai-Zai, do trabalho minucioso da Matilde, das Fadas e Princesas da Carla e de mais um montão de gente que agora não me vem à cabeça mas que estão no meu coração!!

Quais são os teus sonhos para o futuro?

É muito importante para mim ser reconhecida pelo trabalho que faço. Não tenho com isto pretensões de vedeta. Mas gostava de poder viver do produto do meu trabalho...

domingo, 25 de outubro de 2009

Miss Needle



Nome: Ingrid Barroso
Cidade: Porto
Blog: missneedledesign.wordpress.com
Loja online: missneedledesign.etsy.com




Como descreverias o teu trabalho?

Quase todo o meu trabalho tem como base técnicas tradicionais de cartonagem e encadernação. A partir dessas técnicas, que muitos de nós aprendemos ainda na escola, reinvento formas, misturo materiais, cores e texturas. Crio cadernos, caixas, agendas e álbuns únicos, com detalhes e carácter muito próprios.



Como é que tudo começou?

Desde criança que me lembro do gosto pelos tecidos, pelas linhas, pelos lápis de cor, pelos cadernos… E pelas caixas: de costura, de fotografias antigas, de recordações e de objectos esquecidos pelos adultos, que para mim tinham o encanto de um tesouro escondido.

Recordo-me de ir para o sótão, de vasculhar gavetas, caixotes e frascos, de retirar tudo do seu interior, observar cada detalhe de cada objecto e depois voltar a colocar tudo no devido lugar… E voltar meses depois e voltar a contemplar tudo como se fosse a primeira vez. Sempre fui muito apegada ao passado, a memórias e recordações. Guardo cadernos de viagem, agendas que se transformam em diários, caixas com conchas, pedras, flores e objectos que marcaram um determinado instante.

Assim, foi quase inato começar a criar os meus próprios «Guardadores de Memórias», objectos que acolhem sonhos, pensamentos, fotografias, recordações… momentos. E foi o prazer de estar sempre a criar objectos novos que fez com que os começasse a oferecer a familiares e amigos. Foram eles que me incentivaram a pensar o meu passatempo de uma forma mais séria, e mais tarde, a criar a Miss Needle.

Como escolheste o nome do teu projecto?

As agulhas são uma constante no meu trabalho. São ferramentas essenciais à encadernação tradicional, à costura japonesa e sobretudo ao detalhe de cada peça. Miss Needle também porque através da internet, os nossos trabalhos chegam a todo o mundo e o inglês é o idioma por excelência do mundo virtual.


Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

É uma distracção, uma terapia… Adoro estar no meio de papéis, tecidos, contas e fitas… É um momento só meu, em que não penso em mais nada a não ser no que estou a criar. Aqui não tenho limites criativos, preocupações, horários. Apenas o gosto de estar continuamente a criar algo novo.

Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não, os crafts não são um trabalho a tempo inteiro. Sou arquitecta de profissão.


De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Das minhas memórias, dos livros que leio, das viagens que faço… A inspiração vem também dos próprios materiais com que trabalho, especialmente dos tecidos e papéis. Cada um tem a sua personalidade, a sua força próprias e são essas características que acabam por me ajudar na definição da sua utilização, do seu destino e da sua forma final.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Encontro materiais para os meus trabalhos em casa, em baús, gavetas e caixas há muito esquecidas… Na rua, em retrosarias antigas, lojas de chitas e de artigos de scrapbooking. Além disso reutilizo embalagens, sacos, papéis de embrulho, fitas e até algumas peças de vestuário. Há ainda as pessoas que conhecem o meu trabalho e que me oferecem papéis, tecidos, botões… Tudo aquilo que sabem que pode ganhar um novo fôlego, uma nova vida através dos meus trabalhos.


De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

A concretização. O momento em que cada peça fica pronta, em que vejo o resultado final da amálgama de materiais, de texturas e de cores… O instante em que tudo faz sentido e em que cada trabalho adquire a sua própria personalidade, o seu próprio carácter. E depois adoro o momento em que alguém se identifica e se apaixona pelo meu trabalho... É como se se completasse um ciclo. As minhas peças ganham vida nesse momento. Encontram o seu destino nas lembranças e sonhos e fantasias de alguém.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Divulgo o meu trabalho no meu blog, em lojas, em algumas feiras de artesanato em que participo e, claro, através dos amigos e do passa palavra.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim! Tem um papel importante na divulgação do meu trabalho e não só… O meu blog é ele próprio um «Guardador de Memórias», dos trabalhos que realizei, muitos deles peças únicas.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

É mais do que uma moda. É uma ocupação que surge da necessidade que muitas pessoas, sobretudo jovens, têm de complementar a sua actividade profissional. Uns encontram no artesanato uma realização e satisfação que não retiram do seu dia-a-dia a nível profissional. Outros complementam o seu baixo rendimento com o extra que o artesanato proporciona. Há ainda aqueles que procuram no artesanato um meio de sobrevivência enquanto procuram um emprego. E finalmente há os que por há tanto tempo, sem sucesso, procurarem um trabalho, se entregam de corpo e alma ao artesanato e para os quais este passa a ser a sua actividade principal. E são estes que por se sentirem realizados, pelo prazer que retiram de uma actividade criativa totalmente livre, que persistem e por isso crescem e evoluem. Para estes é mais do que uma moda, é um modo de vida.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Fazer o que realmente gosta. Afinal, não é esse o principal objectivo dos crafts? Podermos fazer o que sinceramente nos apetece, criar sem limites… Sermos alheios ao que os outros pensam. Agradarmos apenas a nós próprios… Aos outros, se possível. E sobretudo divertirmo-nos com o que fazemos! Penso que só assim é possível encontrar um estilo próprio.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Há muitos crafters que admiro, no entanto partilho apenas três, por motivos diferentes: a Keisha Campbell, pelos seus layouts absolutamente fabulosos de srapbooking que me inspiram todos os dias, a Mané Pupo, pela sua generosidade e pelo talento e delicadeza do seu trabalho, e a Ema Carneiro, pela sua criatividade, força empreendedora e companhia em todas as feiras em que participo.



Quais são os teus sonhos para o futuro?

Continuar a fazer o que gosto. Não parar nunca de evoluir técnica e criativamente. E, claro, que os meus «Guardadores de Memórias» cumpram o seu destino e acolham muitos e inesquecíveis momentos!