domingo, 10 de janeiro de 2010

Sibi by Sílvia Nolan



Nome: Sílvia Nolan
Cidade: Coimbra
Blog: sibiscrafts.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/sibiscrafts



Como descreverias o teu trabalho?

É um trabalho movido pela paixão de quem faz isto porque adora fazê-lo. A cor e a alegria são uma constante, quer sejam bonecos ou acessórios. Apesar de fazer um leque de peças diferentes, penso que consigo ter um fio condutor que dá identidade ao meu trabalho.



Como é que tudo começou?

Tive o privilégio de nascer numa família de mulheres prendadas. A minha bisavó era modista, a minha tia-avó e a minha prima sempre fizeram roupa para elas próprias. A minha prima é dez anos mais velha que eu e desde miúda sempre a admirei. Adorava ir lá para casa vê-la fazer vestidos modernos, com malas a condizer, vê-la fazer milagres duma saia ou dumas calças velhas ou tricotar uma camisola em duas noites.

A minha avó ainda era do tempo em que as costureiras vinham a casa das clientes ao dia. Lembro-me de ficar horas a observar a costureira a fazer os meus vestidinhos em miúda. A minha avó sempre fez muito crochet e a minha mãe tricot.

Apesar de ter crescido a conviver com mulheres muito prendadas e de sempre ter gostado de artesanato, incrivelmente, só muitos anos mais tarde, já depois da faculdade, me interessei por explorar estas vertentes crafty. Quando estava nos preparativos para o meu casamento não encontrava convites que me agradassem. Decidi fazê-los e acabei por fazer também tudo o resto associado à festa (ementas, marcadores de mesa, ofertas). Foi só o início. O meu marido na altura trabalhava fora de Coimbra e eu passava muito tempo sozinha e acabei por encontrar nos crafts uma forma de me distrair e ocupar o tempo livre que tinha. Comecei por fazer pequenas prendas para amigas e filhas de amigas. Fui experimentando técnicas e materiais até ter encontrado na costura a minha paixão.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Inicialmente optei pelo nome Sibi’s Crafts, num impulso, ao criar a conta no Flickr. Tinha que escolher um nome e como em família sou Sibi associei esse nome a Crafts porque ainda estava numa fase mais abrangente de exploração de interesses crafty. Este ano, com a decisão de registar a marca resolvi rever o nome e hoje o projecto chama-se Sibi by Sílvia Nolan.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Na verdade começou por ser uma espécie de terapia ocupacional e anti-stress que se tornou num vício… :) Depois, foram as amigas e novas clientes que me foram motivando. Fico embevecida quando me dizem que o primeiro boneco de um bebé foi um dos meus e que à medida que o tempo passa e que a criança cresce esse boneco se mantém como o seu amiguinho favorito. Que melhor motivação!?



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Apesar de terem um papel muito importante (porque não consigo passar um só dia sem dar uns pontinhos) não são um trabalho a tempo inteiro. Sou técnica superior numa Instituição de Ensino Superior Público, onde trabalho há 9 anos em projectos que têm sido para mim enriquecedores desafios.

Os crafts fazem parte das minhas noites, muitas vezes madrugadas. Depois de muito mimar o marido e o piolheco é que subo até ao meu atelier e perco-me no meio de meias, tecidos, linhas e fitas e da magia que é criar peças que espero venham a trazer um sorriso a quem as adopta. Diria que tenho o melhor dos dois mundos!



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De tudo o que me rodeia. Trago sempre um caderninho comigo onde tomo pequenas notas e onde faço alguns rabiscos. Mas acima de tudo, a inspiração surge à medida que o trabalho se desenvolve, isto é, quando começo a conjugar tecidos [seus padrões e cores], fitas e botões; testo combinações; improviso e adapto; nasce a «identidade» da peça à medida que vou trabalhando nela.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Compro muitos tecidos na internet, mas não me limito a um ou outro ponto de venda. Ao sábado de manhã vou sempre à baixa e faço a digressão pelas várias retrosarias e lojas de tecidos em busca de pequenos tesouros para animar as minhas peças.

As meias que utilizo nos meus bonecos são cuidadosamente escolhidas e escusado será de dizer que mal entro numa loja que tenha meias corro para os expositores para ver as novidades. A minha caixa das meias para os bonecos tem mais meias do que a gaveta das meias que calço no dia-a-dia.

A minha mãe também tem sido uma grande patrocinadora dos meus crafts. A morar nos Estados Unidos, ela própria não resiste a enviar-me novidades em botões, fitas e até «ferramentas» para os meus trabalhos.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Nos bonecos adoro ver quando já têm forma e acabo de lhes bordar a cara. É nesse momento que para mim ganham vida. Nas pregadeiras e outros acessórios agrada-me a parte em que a peça está quase pronta e escolho os pequenos pormenores. Mas confesso que o que me põe um sorriso nos lábios é quando o meu príncipe de três anos me diz «Oh mamã, que lindo!».



Como é que divulgas o teu trabalho?

Na internet, sem dúvida, nas feiras (embora apenas participe em iniciativas levadas a cabo em Coimbra) e através de alguns projectos de divulgação de autores como a Anthrop, em Coimbra, e a Criativa, em Tomar.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Essencial, não só na divulgação, mas na monitorização. É através da internet que recebo o maior feedback do meu trabalho, com os comentários deixados no flickr e com e-mails recebidos.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Pergunta difícil… Penso que se banalizou a moda e o conceito.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Procurem o vosso próprio estilo. Ele surge de dentro de vós, ele aparece no processo criativo. Naturalmente que, com a panóplia de fontes de inspiração que hoje temos ao nosso dispor, somos influenciados por diversos estilos, mas quando criamos as nossas peças devemos procurar o nosso próprio caminho. Aí sim, sentiremos a satisfação plena de quem cria e inova.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

São tantos… e eles sabem quem são, pois não me abstenho de lhes manifestar a minha admiração sempre que posso.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Muita saúde e felicidade para o meu maior tesouro, o meu filho. O desejo de poder ser sempre uma constante na vida dele e de poder dedicar-lhe sempre o tempo que ele merece. Os meus sonhos crafty para o futuro são de continuar a poder dedicar alguma parte da minha vida aos crafts e de fazer sorrir quem gosta das minhas peças.

domingo, 3 de janeiro de 2010

wooler e cooler



Nome: Rita Cordeiro
Cidade: Leiria
Blog: in-my-pocket.blogspot.com
Loja online:
cooler-shop.blogspot.com e wooler-shop.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/inmypocket



Como descreverias o teu trabalho?

Uma aplicação de uma técnica ancestral de tecelagem, o crochet, a acessórios contemporâneos e, espero, inovadores. Ou seja, tento utilizar o que sei de uma forma menos convencional.



Como é que tudo começou?

Aprendi a fazer renda com a minha avó paterna quando era pequena, com agulha e linha beige (naquela altura ainda ninguém utilizava a expressão crochet ou tricot, fazia-se renda e malha). Era uma das muitas formas que ela tinha para nos distrair. Sempre fui muito irrequieta, e é claro que durante toda a minha adolescência tive mais que fazer do que ficar sentada a fazer naperons e mantas...

Tudo o que aprendi hibernou até me ter tornado mãe e todos os tesouros da família, feitos pelas minhas avós, tias e mãe me terem vindo parar às mãos quando a minha filha nasceu. A maternidade muda-nos em muitos aspectos, e eu voltei a lembrar-me de como gostava de fazer crochet. E cheguei à conclusão de que é como andar de bicicleta e sinto-me orgulhosa por poder honrar a memória da minha avó Tina que semeou isto em mim.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Após ter feito várias mantas encontrei, nos fundos de uma loja, lã 100% portuguesa já com alguns anos, proveniente de uma fábrica que tinha ardido. Quando olhei para a lã apercebi-me de todo o potencial que tinha. A paleta de cores disponível era linda, senti-me como se tivesse encontrado um tesouro e comprei quase tudo o que havia. Podia aplicá-la em tantas coisas! Mas o meu plano eram as golas porque sempre me irritaram as pontas dos cachecóis que caem com o vento e deixam o pescoço desprotegido.

Fiz, desmanchei e refiz, até que cheguei na altura a dois modelos (que entretanto se multiplicaram por muitos outros), um deles multifuncional, que é um conceito que me agrada muito, e a um nome para a marca. Depois promovi um concurso no blog (porque várias cabeças pensam melhor do que uma), que ajudou a apurar o nome ao qual eu já tinha chegado, mas com uma grafia diferente: wooler.

Com a aproximação do tempo mais quente, e na sequência do que já tinha começado, criei a cooler que consiste em acessórios mais frescos, mas também multi-funcionais, para além de peças únicas. Não faço dois colares iguais.




Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Sempre tive um gosto apurado, coisa que herdei da minha mãe, habilidade manual, que herdei do meu pai e alguma veia criativa, mas também muita preguiça (acho que por insegurança) de concretizar ideias. Por exemplo, sempre tive um grande fascínio pela ilustração mas nunca me aventurei com medo de falhar...

O facto de por ter saudades e quase por brincadeira (ora vamos lá ver se eu ainda sei fazer isto!), ter voltado a pegar numa agulha e ter conseguido criar coisas que também agradam às outras pessoas foi inesperado e recompensador a vários níveis. E a satisfação pessoal de, com recursos próprios e às vezes materiais reciclados, produzir peças únicas é enorme.

E a verdade é que a partir do momento em que comecei já não consegui parar. É o chamado efeito bola de neve em que as ideias surgem em catadupa, mas devido ao elevado número de horas que despendo com cada peça falta-me muitas vezes tempo para pô-las todas em prática. Acho que o que mais me motiva são as reacções tão positivas que o meu trabalho tem tido.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Sou designer de comunicação visual e trabalhei durante os últimos nove anos sempre no mesmo atelier. Há um ano e meio, e após 11 ou 12 anos a viver em Lisboa, mudámos a nossa vida toda. Foi assim uma espécie de grito do Ipiranga contra a rotina da grande cidade, com um recomeço (com tudo o que isso tem de bom e de mau) na província.

Ganhámos saúde, calma, ar mais puro, céu mais azul e essa coisa preciosa chamada tempo. Desde então, para além de ser uma mãe muito mais disponível, trabalho como freelancer e nas peças da cooler e da wooler (nas quais acumulo as funções de criadora, executante, modelo, fotógrafa, designer, relações públicas, marketeer e vendedora) o que me ocupa os dias e, muitas vezes, as noites.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Acho que a maior inspiração vem do dia-a-dia, de todas as coisas com as quais me identifico. Penso muitas vezes em coisas que supram as minhas próprias necessidades. No que eu gostaria de usar. Tenho um grande fascínio por peças multi-funcionais, das golas que se transformam em capuz ou dos colares que se transformam em gola e surpreendo-me muitas vezes com novas utilizações que as pessoas dão às peças (como por exemplo usar um colar como cinto!).

Gosto muito de descontextualizar num lado e contextualizar noutro e acho que tenho algumas influências tribais em algumas peças da cooler outras mais tradicionais na wooler. Também gosto de brincar com a escala das coisas, se bem que essas peças não sejam usáveis por pessoas mais clássicas. Mas é engraçado perceber que as pessoas clássicas também gostam do meu trabalho e fazem encomendas de modelos mais extravagantes em cores mais suaves.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Desde alguns botões de colecção da minha mãe e avós até aos fundos de lojas onde já tive a sorte de entrar e ficar a escolher durante horas, um pouco por todo o lado. Gosto muito do comércio tradicional, mas também recorro muita vezes a lojas online porque há materiais difíceis de encontrar por aqui.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Gosto de tudo mas principalmente dos protótipos! Mais quando resultam, claro! A adrenalina de ter uma peça nova e a expectativa de qual será a reacção das pessoas é sempre um desafio e habitua-me a não tomar as coisas como certas. Há muitas vezes em que as coisas não correm como eu esperava e isso obriga-me a melhorar. Mesmo que à partida não saiba bem que nova direcção tomar, a persistência acaba quase sempre por se revelar produtiva em termos criativos.



Como é que divulgas o teu trabalho?

A melhor divulgação é um cliente satisfeito! O passa-a-palavra agrada-me muito e tenho sido surpreendida com pessoas que não conheço a tornarem-se fãs das páginas (ainda em construção) da cooler ou da wooler no Facebook. Fã não é um termo de que goste especialmente, mas é uma forma de as pessoas se manterem em contacto com o que vou fazendo.

Para além disso, tenho vindo a criar uma mailing list e envio uma newsletter quando actualizo as lojas com peças novas.

Já tive vários convites de outras lojas, mas ainda só consegui aceitar um, da loja de estar (que é um projecto muito especial que acompanhei de perto), feliz pela iniciativa das duas responsáveis e porque sei a coragem que é preciso para começar alguma coisa do zero. Ainda não aceitei outros convites por manifesta falta de tempo para produzir peças que possa disponibilizar para consignação, por exemplo. Tenho uma grande dificuldade em ter stock. É uma das coisas que faz parte da minha lista para 2010: ponderar os convites e aceitar alguns. Só preciso de tempo.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim! A rapidez vertiginosa com que a informação chega às pessoas, em qualquer parte do mundo, é extraordinária. Já tive encomendas e e-mails de sítios onde seria impensável chegar se não fosse a internet.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Espero que não seja apenas uma moda! O trabalho manual é muito exigente fisicamente e requer muita disciplina. Não há fins-de-semana porque nunca se chega a sair do local de trabalho (quando se trabalha em casa) e está sempre ali à vista, à espera de ser começado, continuado ou terminado. Acho que esta parte é ainda muito menosprezada e que grande parte das pessoas não toma consciência do trabalho todo que está por detrás de uma peça acabada e perfeita e de que todas as pessoas que trabalham de forma continuada e consistente nesta área, trabalham mesmo muito para conseguirem ter um trabalho coerente, inovador e diversificado.

É verdade que muitas das pessoas que trabalham hoje em dia, fazem-no apenas porque a conjuntura económica actual as empurrou para isso. Para muitas delas é o chamado plano B, a forma que encontraram de ganhar dinheiro extra pondo em campo os seus conhecimentos de costura ou de tricot ou de crochet ou de tantas outras técnicas. Nem toda a gente terá estofo, nem persistência para o fazer durante um longo período de tempo porque é um meio bastante competitivo e, como em todas as áreas, há projectos com princípio, meio e fim. Mas eu acho que quem trabalha com cabeça, tronco e membros, se distingue e tem projectos com um fio condutor que não vai ser cortado de repente.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Não desistir à primeira contrariedade, tentar sempre ser original, desmanchar e refazer muitas vezes, procurar o acabamento perfeito. Ter boas ideias dá muito trabalho, mas não há nada mais gratificante do que o reconhecimento posterior de que se conseguiu alguma coisa verdadeiramente inovadora.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Até podia responder que não consigo porque são muitos. E são mesmo. Mas vou enumerar algumas das pessoas, muitas delas portuguesas, que me fazem sorrir muitas vezes pelo seu percurso de excepção e com as quais gostaria de me parecer quando for grande:
a Ana Ventura, de quem adoro as últimas papelsonagens e a série invisíveis, a Ana Margarida Pintassilgo, que consegue fazer-me ter pena de não poder usar brincos, a Elin Thomas , que tem as peças em crochet mais bem executadas e perfeitas que já vi, a Gisela Borges, que tem alguns dos colares e pulseiras mais bonitos que vi nos últimos tempos e um percurso absolutamente genial e que espero volte a uma produção mais regular em breve, o José Machado, que faz sapatos, botas e sandálias magníficos, tanto do ponto de vista visual como de conforto, a Maria João Ribeiro, que tem uma capacidade de produção que me deixa boquiaberta e cujas peças são autênticas obras de arte e sempre com conjugações de cores de cortar a respiração de tão lindas, a Maria Madeira, que faz os bonecos e malas mais lindos e com uma perfeição sempre exemplar, a Rita Pinheiro, que faz os burros, cães e ovelhas mais patuscos, coloridos e versáteis, a Karola Torkos, que tem uma linha de jóias lindas que se chama fools gold e que não se importou nada de que eu usasse o nome confetti, o Ricardo Rodrigues , que ultimamente se dedica mais à ilustração e cujos bonecos (heróis de bolso, lovers, etc.) sempre considerei dos mais originais, pormenorizados e perfeitos que já vi, a Rosa Pomar, incontornável e visionária, sempre com uma simplicidade tal que me faz muitas vezes pensar: «como é que ninguém se lembrou disto antes?», defendendo acerrimamente tradições, materiais e lojas em extinção e que é uma inspiração para muitas pessoas, eu incluída, a Vera João, que tem peças de excepção, muito cuidadas e sempre com uma paleta de cores muito original e cuja colaboração com a Margapinta me arrebatou.



Quais são os teus sonhos para o futuro?

Gostava de ter um espaço multidisciplinar. Uma loja/atelier/galeria/editora onde pudesse criar e ter as minhas peças à venda, trabalhar como designer a fazer livros e discos e outras coisas que tais e também pudesse servir como plataforma de divulgação do trabalho de outras pessoas. E onde houvesse também à venda sapatos/sapatilhas, claro, já que sou uma sapatólica inveterada e adorava poder disponibilizar algumas marcas de que gosto muito e que não são fáceis de encontrar por cá.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Feliz Natal

A todos os que passam pelo Vidas Crafty desejo um Natal muito feliz e que o próximo ano comece com um sorriso.

Estarei de volta no primeiro Domingo de 2010 para mais um ano de Vidas Crafty :)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Pomba Amarela



Nome: Ana Amorim
Cidade: Lisboa
Blog: pombamarela.blogspot.com
Blog: pombamarelaloja.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/24125991@N05




Como descreverias o teu trabalho?

Principalmente caótico, porque as minhas mãos não conseguem dar conta da quantidade de ideias que o meu cérebro cria, porque não tenho um espaço próprio e, portanto, as peças e os materias vão ficando espalhados pela casa e dou por mim frequentemente à procura de uma das sete tesouras que tenho.



Como é que tudo começou?

A resposta mais correcta talvez seja na infância. Cresci em Viana do Castelo, no seio de uma família de mulheres prendadas, a minha avó e a minha tia avó faziam crochet, a minha mãe e a irmã dela para além de crochet também tricotavam. Além disso, a minha mãe sabe coser, fazer bordados de Viana, ponto de cruz, etc.. Eu aprendi a fazer tudo com ela, se eu não sei ela sabe ensinar-mo, é espantoso. A única coisa que eu sei fazer e a minha mãe não sabe é arraiolos. Comecei por fazer as roupas das minhas bonecas e depois passei para o ponto de cruz, numa altura em que era piroso fazer trabalhos manuais, voltei a pegar nas agulhas quando fiquei grávida da Alice... e depois foi crescendo de projecto para projecto, com novas técnicas, materiais e acabamentos.



Como escolheste o nome do teu projecto?

A escolha foi difícil, pois não queria usar o meu nome por razões profissionais, até que me lembrei que a Alice quando começou a falar chamava a todos os pássaros pomba e à cor branca amarela e assim surgiu a pombamarela. Porque os pássaros têm a liberdade de voar da mesma forma que o meu cérebro voa a todo o momento para todo o lado.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

É a minha forma de transformar o processamento do meu cérebro, faz-me sentir relaxada e em contacto comigo mesma. Quando estou a produzir uma peça estou a fazê-lo como quero, à velocidade que me apetece, aplico a energia de que disponho, nem mais nem menos, e sou a única a criticar o meu trabalho, o que posso garantir ser tarefa árdua pois sou a minha maior crítica.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Antes de outra coisa qualquer sou mãe, 24 horas por dia, mesmo enquanto as minhas filhas estão na escola eu não deixo de ser mãe. Não sei bem como explicar mas elas estão sempre no meu pensamento e no meu coração de uma forma intensa. Depois vem o meu trabalho, 7 horas e 36 minutos diários de webdesign, que paga contas. E depois delas adormecerem estão os crafts, a fotografia, o desenho...

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De tudo o que me rodeia, dos milhares de imagens que subconscientemente registo no dia-a-dia, enquanto as levo para a escola, vou trabalhar, das pessoas que passam por mim na rua... enfim tudo.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Sobretudo na internet e em viagens de férias ao estrangeiro. Enquanto as pessoas compram souvenirs eu compro lã, botões, tecidos e que mais me chamar a atenção.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Nas peças de lã gosto da parte do meio, ou seja, o projecto já não está no início, ainda não está acabado, mas eu já consigo perceber como é que está a ficar. Nas peças de botões gosto da escolha dos botões, de passar horas a fazer jogos de cores, de sobrepor botões até gostar do resultado final.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Através da internet e na ladralternativa.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, mas apenas na divulgação internacional das minhas peças. A nível nacional o que funciona melhor são mesmo as feiras de artesanato.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho que como qualquer moda, vai passar. Passar para muitos dos que fazem e para muitos dos que compram. Ainda no outro dia comprei uma boneca pela internet a uma crafter e pedi-lhe uma outra peça dela que já tinha visto no flickr mas que não estava à venda onlline e ela disse-me que já não fazia mais bonecos, só estava a vender as peças de sobra.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Que teste e experimente, que faça cem vezes, desmanche tudo e volte a fazer de uma nova maneira, que pode ser melhor ou pior, nunca se sabe. E que basicamente trabalhe até encontrar o seu próprio estilo, se durante o processo fez reproduções de peças de outras pessoas, que as deixe ficar na caixa dos testes.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Gosto de muitos e compro peças a muita gente de cá e de além fronteiras. Sou péssima para reter nomes e vou só referir o António Azevedo porque deve ser a pessoa a quem eu passo a vida a comprar coisas, porque não resisto aos montaditos, aos galos, às andorinhas, aos colares...

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Ter cada vez mais tempo livre para as minhas filhas, para o meus projectos de artesanato e para a fotografia.


domingo, 6 de dezembro de 2009

Suspiro de Cor



Nome: Andreia Luzia Fonseca
Cidade: Santa Maria da Feira
Site: www.suspirodecor.com
Blog: suspirodecor.blogspot.com
Flickr: www.flickr.com/photos/suspirodecor




Como descreverias o teu trabalho?

É um trabalho, acima de tudo, cheio de cor e de alegria. Que vai tomando forma muito lentamente e onde cada pormenor tem uma atenção diferente.



Como é que tudo começou?

Desde sempre tive gosto pelo desenho e pelas artes plásticas, o que me motivou a optar pelo Design de Comunicação. E isso foi uma mais-valia para a esquematização das primeiras peças. Já o gosto pela costura talvez seja uma herança materna, visto que a minha mãe é modista de profissão. Além disso, as horas de brincadeiras passadas no seu atelier entre linhas e tecidos também contribuíram para o gosto pela costura. Contudo, as primeiras experiências envolvendo o feltro surgiram em meados de 2006. Depois de conhecer o material e as suas possibilidades de trabalho, foi amor à primeira vista.



Como escolheste o nome do teu projecto?

O nome Suspiro de Cor surguiu devido à necessidade de querer transmitir sensações de fantasia, alegria, cor, diversão, etc. Assim, depois de algumas conjugações linguísticas, surgiu Suspiro de Cor. Achei-o logo ideal para o projecto.

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Motiva-me o facto de criar novas personagens a cada instante. Cada peça é única, nunca existem duas peças iguais. E porque é o «meu momento», onde posso dar vida à minha imaginação livremente.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Não, os crafts não são um trabalho a tempo inteiro. São um trabalho que surge em todos os momentos livres que tenho, são também uma forma de relaxar. Profissionalmente, sou auxiliar administrativa e trabalho numa biblioteca pública.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Não existe propriamente uma «fonte» de inspiração, ela surge naturalmente. Talvez trazida por simples pormenores ou formas de pequenas coisas com que lido ou me vou deparando ao longo dos dias.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Os feltros e as pequenas aplicações, por norma, compro em retrosarias locais. Os lápis em madeira natural, que uso na criação dos «lápis animados», adquiro na fábrica Viarco, a única produtora de lápis a nível nacional. Numa ou outra circunstância compro também algum material online.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Humm... apesar de apreciar imenso a parte em que dou as primeiras formas às peças no papel, creio que a parte que mais me dá prazer é a sua finalização, onde depois da conclusão da base da peça, faço os bordados, as aplicações dos brilhos, enfim, os pequenos pormenores.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Principalmente através do blog, mas as lojas que comercializam algumas peças e algumas mostras de artesanato urbano em que participo, também são um óptimo meio de divulgação.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, é um meio directo, rápido e eficaz no contacto com as pessoas.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Esta é uma questão um pouco sensível. Por um lado acho óptimo, foi a oportunidade de novos criadores se darem a conhecer e de serem valorizados pelo público. Foi também a oportunidade de reanimar e desenvolver técnicas artesanais que há muito tinham ficado esquecidas e presas no tempo. Por outro lado, creio que começaram também a surgir os «artesãos da oportunidade», que criam objectos muitas vezes sem qualidade.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Bom, acima de tudo, que tentem transmitir o que lhes vai na alma através da criação de objectos originais e criativos. Creio que captar um estilo próprio é isso mesmo, reflectir um gosto pessoal e uma personalidade em algo.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Admiro o trabalho de vários crafters, pelo magnífico talento que demonstram. Por isso, designar alguns seria uma missão impossivel.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Continuar a fazer o que gosto, transmitir muitos sorrisos, evoluir também nas técnicas e, um dia, quem sabe, ter um espaço Suspiro. Com muita, muita cor.

domingo, 29 de novembro de 2009

Details Lover by Ema



Nome: Ema Carneiro
Cidade: Porto
Site: www.emacarneiro.com
Blog: emacarneiro.blogspot.com




Como descreverias o teu trabalho?

É um trabalho que muitos gostam, mas nem todos usam. É arrojado e exuberante. São peças que vivem por elas e por isso não são uma compra impulsiva, mas sim por paixão. A expressão é muitas vezes essa: «Estou apaixonada… vou levar».



Como é que tudo começou?

Já fazia algumas coisas, mas com a finalidade de oferecer a amigas e familiares. Um dia, a Ingrid - a minha parceira de feiras convenceu-me (...obrigou-me quase) a comprar uma máquina de corte de feltro, papel, etc.. Mostrou-me a dela e a sua versatilidade, levou-me a noites de convívio da mesma, a eventos e, por fim, comprei. Mas como sou mãe e as minhas compras há muito que deixaram de ser por impulso, tive de começar a rentabilizar a máquina. E agora lá estou de mão na cintura e pé no chinelo a vender as minhas peças nas feiras de artesanato urbano e em algumas lojas.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Uma terapia… sem dúvida. Adoro explorar materiais, descontextualizar conceitos. É paixão e o tempo voa.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Neste momento estão a tomar outras proporções, sem dúvida, mas continuo a ser designer gráfica. O que me dá muito prazer.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

De tudo o que está ao meu redor, observo e transformo. Volto a contextualizar.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Sempre fui meio sucateira, guardo tudo… até as latas de leite em pó que eram da Mafaldinha. E agora estou a utilizar tudo. Vou a lojas de velharias, feiras, drogarias… aproveito tudo.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

De já estar no primeiro sono e descer as escadas até ao meu atelier e colocar em prática a ideia que surgiu, seja a que horas for. E, lógico, o momento em que partilho tudo isso, na venda da peça.

Como é que divulgas o teu trabalho?

O boca a boca é muito importante. No meu blog, nas feiras, nas lojas onde vou… pois ando sempre com um cartãozinho meu.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

O papel principal, sem dúvida. Depois as feiras, onde o contacto com o público é fantástico e me fez crescer muito a nível criativo e pessoal. Gosto de interagir com as pessoas. De ser eu a colocar-lhe o colar, mexer-lhe no cabelo para mostrar as potencialidades daquilo que estão a escolher. É muito bom.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Uma mistura muito grande. Muita qualidade em contraste com muita vulgaridade.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Nasce… não é imposto. Vai acontecendo. É espontâneo, não sei… vai surgindo.

Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Ainda cá ando há pouco tempo para poder eleger, mas tenho alguns trabalhos que sigo e tenho como muito criativos e de muita qualidade.

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Sentir-me sempre realizada.