domingo, 1 de março de 2009

A menina brinca



Nome: Sílvia Leite
Cidade: Lisboa
Blog: ameninabrinca.blogspot.com
Loja online: lookmamamadeit.etsy.com
Flickr: www.flickr.com/photos/silvialeite




Como descreverias o teu trabalho?

Eu faço brinquedos, acima de tudo. Mesmo quando não são exclusivamente destinadas a crianças, as minhas criações nascem da vontade de revisitar o universo infantil e são sempre coloridas, lúdicas e destinadas a despertar a imaginação. Pretendo fazer objectos que inspirem brincadeiras às crianças e que recordem a infância aos adultos.



Como é que tudo começou?

Bem, tudo começou na minha própria infância, quando passava horas a fazer casinhas de papel e bonecas com as suas roupas. A vontade de fazer brinquedos nunca me abandonou. Também me perco com brinquedos antigos e vintage. Mas este projecto arrancou sem qualquer plano prévio, depois de um pedido da minha filha para que fizesse um bolo de anos à sua boneca favorita. Nunca tinha visto comida de feltro até então e foi por acaso que decidi fazer o bolo com este material. Mais tarde, comecei a receber pedidos de amigas e a ideia de o fazer de uma forma mais profissional foi nascendo assim!



Como escolheste o nome do teu projecto?

Mais uma vez, por inspiração da minha filha. O meu blogue, primeiro local onde mostrei publicamente o que faço, chama-se A Menina Brinca por causa dela, embora eu também me reveja no nome... A lojinha que depois abri num grande site internacional de produtos artesanais chama-se Look, Mama Made It porque essa era a frase que na altura a Mariana mais repetia: «Olha, foi a mãe que fez...»

Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Acima de tudo, pelo prazer que dá. Adoro criar estes pequenos objectos com as minhas próprias mãos, adoro o planeamento, os acabamentos, cada passo do processo. No início, recuperar a criatividade de outros tempos foi uma motivação fundamental. Com o tempo, outras motivações foram surgindo, sendo uma das mais importantes a relação com os clientes, o feedback que recebo deles e a continuidade que este contacto vai trazendo ao meu projecto.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

De forma geral não são um trabalho a tempo inteiro, embora existam períodos nos quais só me dedico ao crafting, por virtude da relativa instabilidade da minha profissão. Geralmente, estou quase sempre a trabalhar num emprego «normal» e só me dedico a estas actividades nos poucos tempos livres. Quer isto dizer que corto e coso essencialmente nos fins-de-semana ou ao serão, normalmente quando a minha filha dorme!

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Novamente, da minha infância. Mas também de qualquer infância, do imaginário da minha filha, de recortes de revistas, de montras de lojas ou museus, de filmes, de livros, de feiras e sótãos... vale tudo, menos copiar.



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

No início não era fácil, porque sou muito exigente com a qualidade dos materiais, e também porque preciso de peças muito específicas para alguns dos artigos. Agora, já conheço a maior parte dos fornecedores que me interessam, aqui e no estrangeiro. Compro os feltros em Lisboa e importo muitos tecidos e pequenos acessórios de todo o mundo. Chego a mandar vir formas de papel para bolos do Japão.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Por estranho que pareça adoro fotografar as peças. O momento em que monto todo o cenário necessário para fotografar um bolo é o culminar de todo o processo de criação e não é menos criativo! Gosto de todo o percurso, mas sinto-me muito realizada quando obtenho uma boa foto do produto final. É a minha recompensa mais imediata.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Quando comecei, mostrei o blogue e as peças às amigas e às amigas das amigas e muitas foram generosas comigo na divulgação das minhas criações. Depois, a loja virtual contribuiu com um público muito vasto, a nível internacional, que nunca poderia ter de outra forma. O Flickr é também um excelente instrumento de divulgação (embora deva ser respeitado o facto de não se destinar a fomentar vendas). Foi necessário investir muito tempo e dedicação nessa fase, mas valeu a pena. Hoje em dia faço pouca publicidade, quase nenhuma, mas noto que o número de clientes que já tenho é suficiente para manter o projecto em andamento. Em todo o caso, parece-me que prestar um bom serviço aos clientes é a melhor forma de publicidade.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sem dúvida. O meu projecto, em particular, não existiria sem a internet. Dependo de uma relação directa, sem intermediários, com os meus potenciais clientes e o tipo de peças que crio não me permite ter stocks suficientes para frequentar feiras e eventos semelhantes, para os quais de resto não tenho disponibilidade. Os circuitos comerciais habituais não deixam espaço para os micro-negócios e para os pequenos criadores, mas a internet permite que haja este encontro entre as ofertas mais específicas, como os brinquedos de fabrico manual, e o seu público alvo, a uma escala global.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

É como todas as modas: tem aspectos positivos, outros menos, e um dia vai passar. E certamente voltará mais tarde, mas sempre diferente. Para já, gosto da ideia de deitar abaixo os preconceitos ligados ao trabalho manual e a quem o faz, gosto do espectáculo da criatividade alheia, e gosto de ver muitas pessoas (tal como eu) a descobrir as suas capacidades pessoais e a desenvolver um espírito empreendedor. Não gosto da mediocridade, nem da falta de criatividade que leva à repetição de esquemas já muito batidos. Também não gosto de um certo elitismo, da parte daqueles que acham que um artesão moderno não é simplesmente quem faz trabalho manual para o seu tempo, mas que, além disso, deve cultivar uma determinada imagem e viver de acordo com uma série de preceitos codificados. Disso não gosto.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Não é a primeira vez que mo perguntam. Penso que todas as pessoas possuem talentos muito pessoais, que podem e devem compartilhar com os outros, mas é necessário antes de mais que tenham uma consciência clara e honesta de quais são esses mesmos talentos. Nem todos são talhados para fazer trabalhos manuais, da mesma forma que nem todos nasceram para cantar ou dançar, ainda que o desejem muito. Mas quem tem mesmo vontade de encontrar o seu estilo e o seu «nicho» nesta área poderá tentar perceber o que é que mais lhe interessa e agrada, possivelmente desde a infância, e desenvolver essa vertente. Julgo que, mesmo depois de encontrada a «vocação» é necessário aperfeiçoar tanto quanto possível as capacidades de execução, conhecer e dominar as técnicas e conceber um produto tanto quanto possível original, ou com uma forte marca própria. É forçoso ser-se exigente consigo mesmo.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

É claro que esta pergunta exige uma escolha difícil. Quando comecei, senti-me muito inspirada pelos trabalhos de várias crafters que ainda acompanho com prazer. Tenho de mencionar, por exemplo, as criações alegres e originais da Jenny B. Harris, os projectos despretensiosos e deliciosos da Lynn Roberts, a criatividade da Hillary Lang e tudo sobre a Amanda Soule, que vive e respira handmade. Mas também estou sempre a descobrir criadores que ainda não conhecia, como o Timothy Haugen, cujos brinquedos são mesmo fantásticos, ou a Constança, que não se dedica às crianças em particular mas faz tudo tão perfeito e bonito ou ainda a Hine, que me diverte tanto. Por fim, é justo mencionar a Rosa Pomar, que desbravou os caminhos da internet (e outros) para muitos crafters nacionais e estabeleceu um padrão de exigência de qualidade que me diz muito. Deixo muitos de fora, muitos mesmo...

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Não são propriamente sonhos. Gostava de continuar este projecto, desde que sinta que é possível continuar a desenvolvê-lo e que não me limito a copiar-me a mim própria indefinidamente. Gostava de ter a possibilidade de me dedicar profissionalmente aos brinquedos, de várias formas. Adoro brinquedos!

11 comentários:

Carla M. disse...

Que delícia!!

sara aires disse...

iam iam! um regalo!

aiaimatilde disse...

|As criações da Silvia são simplesmente fantásticas, já comprei, e adorei, ao vivo têm um aspecto e uma qualidade fantásticos, as minhas amigas que receberam os bolos (caixa) como prenda de natal adoraram, recomendo!!!

beijinhos e muito sucesso Silvia!

Matilde

kuartzo disse...

Dá mesmo vontade de provar :)

maria antunes disse...

Não conhecia o trabalho da "menina brinca". Adorei. Ainda por cima parece tudo delicioso.

Concha disse...

Adoro as criações da Sílvia! :)

Há uns meses comprei um bolo só para poder olhar para ele todos os dias.

As fotografias estão excelentes!

daniela disse...

que peças deliciosas!!!

Susana disse...

Delicioso!
Já tinha pensado se nao haceri niguém a fazer este trabalho!
Parabéns.

Vanina Margaria disse...

bello que delicadeza!!!

Kriture disse...

estão tão bem feitinhos! Não parecia costurado!

Kriture disse...
Este comentário foi removido pelo autor.