domingo, 7 de fevereiro de 2010

Dina Ladina



Nome: Dina Piçarra
Cidade: Palmela
Blog: dinaladina.blogspot.com
Loja online: www.etsy.com/shop/dinaladina
Flickr: www.flickr.com/photos/54746592@N00



Como descreverias o teu trabalho?

Espero que seja sobretudo um trabalho criativo, que acrescente alguma coisa ao que já existe, que acrescente cor e alegria à vida das pessoas. Para além disto, gosto de contar histórias com os tecidos, para mim há sempre uma relação, uma cumplicidade que se estabelece entre os diferentes elementos e que gostaria que transparecesse para quem vê.



Como é que tudo começou?

Começou um pouco por acaso numa altura em que tinha deixado de dar aulas e decidi voltar a pegar nas agulhas de tricot para fazer uma camisola. Por essa altura, deparei-me com a ilustração de um coração na capa de uma revista e quis reproduzi-la com pontos sobre feltro, apliquei-o na camisola e gostei bastante do resultado. Seguiu-se uma camisola de tricot com pulmões, um vestido com um feto na zona abdominal, e foi um não mais parar, até hoje.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Foi muito simples, depois da sugestão de alguns nomes que não me diziam nada, lembrei-me do que a minha avó, que é alentejana, me chamava quando era criança - Ladina!



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Essencialmente é a liberdade para criar, o ver nascer os objectos e acompanhar de perto todo o processo de crescimento de uma peça. Por outro lado, saber de onde veio a peça, que ela não é produto do trabalho de pessoas exploradas, ou que foi transportada do outro lado do mundo - com todas as implicações que isso comporta.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Sim, esta é a minha profissão a tempo inteiro. Os dias são muito pequenos para tantas coisas que tenho que fazer. Para além da vida familiar, vou para o ateliê criar ou executar peças, ou trabalho no computador para tratar de correspondência, actualizar o blogue ou preparar os workshops. Não tenho uma hora definida para estas tarefas, mas normalmente acontecem quando o trabalho de criação ou execução manual não está a fluir. Por vezes ainda me desloco a casa de colaboradoras para entregar ou orientar trabalho, ou ao teatro – quando há alguma parceria. No meio de tudo isto tem que haver tempo para embalar, fazer os envios, comprar materiais e fazer pesquisas. É difícil fazer a gestão do tempo, sobretudo porque as peças que faço são exigentes a nível de trabalho e não é rápido executá-las.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Das coisas que eu gosto, do dia-a-dia, das pessoas. Não sei exactamente responder a essa pergunta nem sei bem o que é a inspiração, maioritariamente as peças são produto de um processo de trabalho minucioso e demorado.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Gosto sobretudo de usar tecidos antigos pelas cores e padrões que utilizam e porque desta forma garanto uma maior exclusividade. Claro que também compro tecidos actuais, no entanto, gosto que os padrões de tecido sirvam o meu objectivo e não o contrário, em que o tecido é o principal motivo de existência de uma peça.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

É o corte do desenho, a composição dos diferentes pedaços de tecido, toda a parte em que se materializa o que era apenas uma imagem na minha cabeça.

Como é que divulgas o teu trabalho?

Essencialmente, através da internet.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

A resposta anterior já responde a esta questão.

O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho que é bom que esta explosão do handmade tenha acontecido, até porque ajudou-me a encontrar o meu caminho, mas lamento que muitas vezes este tipo de trabalho não seja verdadeiramente valorizado, tanto pelo comprador como pelos lojistas. Dito de outra forma, pode até ser reconhecido, mas a valorização que advém do valor monetário não se verifica, todo o processo de comercialização é muito difícil. Claro que isto está relacionado com atitudes que estão influenciadas por campanhas de marketing e por uma mentalidade enraizada que valoriza marcas não nacionais que estão associadas a determinada imagem.

É necessário e urgente que se provoque uma alteração de mentalidades e isso tem que começar por nós, por quem produz, se o criador não valoriza o seu trabalho como espera vê-lo valorizado por outros?



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Que seja autêntico, que procure em si a resposta. De qualquer forma, um estilo próprio requer pesquisa, trabalho e investimento pessoal. Ainda assim, é possível que nem todos o consigam atingir, é assim em todas as áreas.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Prefiro não dizer…

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Amanhã quero continuar a ilustração de uma saia, a composição de um painel em que ando a trabalhar e se ainda for possível completar o desenho de um burro numa mala.

6 comentários:

fofs disse...

sem dúvida que são trabalhos que dão muita cor e alegria à vida das pessoas :)
Parabens :)

macati disse...

este blog é fantastico e deixou-me MARAVILHADA... voltarei de certeeeeza!!!
bom trabalho e parabens

Anita Catita disse...

Mais uma excelente entrevista, já conhecia e era fã do trabalho da Dina, mas saber um pouquinho mais dá-nos sempre uma outra visão da artesã:)
Parabéns:))

f.rui disse...

ola
boa noite
desde ja os meus parabéns pelo blog e acima de tudo pelo excelente trabalho que aqui exibe,originalidade e frescura de ideias a juntar a versatilidade do trabalho exposto...desde ja serei um seguidordo blog,e virei "espreitar" sempre que possivel o seu trabalho..
so posso desejar muito sucesso
cumprimentos
f.rui

Alice disse...

Gosto muito mesmo, as expressões são lindas.
Só de ver estes trabalhos dá-me vontade de agarrar em trapinhos linha e agulha e por mãos à obra.
mas não é para copiar ;) São realmente inspiradores!!!!!

Ana Maria Johann disse...

menina... que coisa fofa esse trabalho, dá vontade de poetar...
É sem dúvida o que via na faculdade de um trabalho ter uma assinatura própria, uma poética característica daquele autor.
Essa com certeza tem!

Beijokas mil, parabéns ao blog pela entrevista e à entrevistada, uma verdadeira artista!