domingo, 24 de outubro de 2010

Objectos Misturados


Nome: Susana Jaques
Cidade: Viana do Castelo
Site: http://www.objectos-misturados.pt/
Loja online: http://www.objectos-misturados.pt/



Como descreverias o teu trabalho?

É um trabalho cheio de vida que reflecte uma fusão entre técnicas tradicionais e técnicas mais actuais, nomeadamente, digitais.



Como é que tudo começou?

Penso que verdadeiramente se reforçou há cerca de seis anos quando engravidei a primeira vez, mas desde sempre gostei de fazer tudo o que envolvesse o «fazer« manual, desde desenhar a tricotar camisolas para oferecer aos meus pais (que nunca chegaram a usar... ). Aprendi a tricotar por volta dos seis anos com a minha ama (que era como uma avó para mim) e fui aprendendo a fazer crochet e a bordar com a minha mãe e, mais tarde, na escola. Mas sempre fui muito curiosa e gosto de explorar «os mecanismos» e tentar fazer.

O facto de querer fazer «coisas» para os meus filhos, desde a roupa até aos elementos decorativos do quarto, reforçou a minha vontade de querer deixar a vida académica para me dedicar verdadeiramente a criar e a fazer objectos - desejo que aumentou ainda mais com o nascimento do segundo filho. Ultimamente, tenho dedicado grande parte do meu tempo a fazer bonecos, mas tenho muitos outros projectos em mente à espera de serem concretizados.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Principalmente, queria um nome que fosse abrangente e actual. Que permitisse reunir todas as coisas que gosto de fazer (que não passam só pelos crafts), e englobar várias linguagens e materiais - tentei mostrar um pouco isso também graficamente.

Basicamente tentei que reflectisse a variedade de objectos que podem surgir do meu imaginário no que respeita aos materiais usados e técnicas. No fundo o que faço são objectos: para brincar, para usar ou simplesmente para decorar. Por outro lado, interessam-me muito aquelas peças que têm mais do que uma função ou que reúnem, numa mesma forma, vários materiais ou várias técnicas.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

Como já referi, sempre me deu muito prazer fazer as minhas próprias coisas. Por outro lado, interessa-me bastante o facto de poder personalizar as peças. Gosto de oferecer às pessoas algo que fiz a pensar nelas, que tem características delas. Essencialmente, penso que é o facto de poder tornar os objectos em peças únicas e transmitir o meu carinho através delas. Também me interessa muito explorar outras formas de implementar as técnicas, pegar nelas e aplicá-las de outras maneiras menos convencionais.

Por outro lado, tento não me afastar da parte criativa. Ou seja, tenho necessidade de estar sempre a pensar em coisas novas para fazer, pois não consigo concentrar-me durante muito tempo na mesma coisa.



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Neste momento sim. Actualmente é um trabalho a tempo inteiro que divido com a família - que é o que me dá a motivação e energia - e com a organização do espaço que vou abrir, se tudo correr bem, em breve. É um atelier/loja. No entanto, também passo muito tempo no computador no desenvolvimento do site (que foi todo feito por mim) ou a desenvolver graficamente as minhas ideias.

De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Vem muito dos meus filhos - do que dizem, do que fazem, do que desenham... - mas também das minhas vivências diárias - das pessoas, da natureza, das artes, dos livros (principalmente infantis).



Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Os tecidos mando imprimir e compro, essencialmente, na internet. Retrosarias. Muitas vezes uso peças de roupa antigas e transformo-as em sacos, brinquedos ou noutras peças de roupa.

De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

Penso que gosto de todas as fases, mas as que mexem verdadeiramente comigo são o momento da criação e quando vejo o resultado final. Às vezes a expectativa é grande demais e, quando chego ao fim, fico desiludida. Sou muito exigente e quando uma coisa não está como eu queria, como a idealizei, não consigo gostar. Por vezes tento dar a volta à situação e criar uma coisa nova a partir da primeira, mas a maior parte das vezes tenho que voltar a fazer.



Como é que divulgas o teu trabalho?

Sobretudo através da internet, no Facebook, no meu site (apesar de que, ultimamente tem ficado para trás...) ou por e-mail. Mas também através de algumas lojas. Em breve espero divulgar através da minha própria loja/atelier.

A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Sim, sem dúvida. Principalmente através das redes sociais.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Penso que tem coisas boas e coisas más. Tenho visto surgir trabalhos excelentes, muito criativos e com muita qualidade que são uma lufada de ar fresco e inspiração. Aborrece-me tudo o que aparece e que é igual ao que está mesmo ao lado.

Um outro aspecto positivo é o facto de contrariar a produção em massa a que estamos habituados na nossa sociedade.

Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Essencialmente que seja autêntico e, uma coisa que é fundamental, que mantenha sempre uma vertente crítica perante o seu próprio trabalho - o que nem sempre é fácil.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

Há muitos nomes que gostava de mencionar mas que, na sua maioria, já aqui foram referidos, nomes de pessoas que têm um trabalho fantástico, de extrema qualidade e que são, sem dúvida, uma referência. Eu gostava de deixar aqui duas sugestões um pouco diferentes. Cada vez mais me interessa envolver no meu trabalho, de forma mais assumida, áreas como o design ou as artes digitais. Daí que os nomes que vou referir não são propriamente de crafters mas sim de pessoas que, apesar de utilizarem técnicas e materiais tradicionais que se enquadram nesta categoria, me interessam particularmente pelo tipo de trabalho artístico que desenvolvem, pelas questões que levantam: Magda Sayeg, que faz graffitis usando fios de lã tricotados em vez de tintas, questionando o próprio acto de tricotar, e Leah Buechley que, entre outras coisas, concilia a utilização de tecnologia, como sensores e actuadores, com a sua aplicação em peças de vestuário - wearable technology.



Quais são os teus sonhos para o futuro?

Espero poder conseguir implementar todos os meus projectos e que a minha loja/atelier seja uma mais valia para a nossa comunidade e um incentivo a novas ideias e propostas.

No geral, penso este espaço não como uma loja apenas, mas como um projecto de intervenção cultural, que seja simultaneamente provocador e empenhado na dinamização do espaço onde se insere. Creio que, nos dias de hoje, a minha geração tem de assumir a responsabilidade e de procurar encontrar soluções mais criativas e sustentáveis que envolvam o que de bom a tradição nos deixou e o que de entusiasmante estes tempos nos prometem.

5 comentários:

Libelinha☆ disse...

Adorei conhecer mais uma crafter!... Obrigado por estas divulgações =)

Beijinhos ;P

sucast* disse...

:) o reflexo de um trabalho muito dedicado mas acima de tudo genial... parabéns susana.

Joana Abreu disse...

Parabéns à Susana! o seu trabalho sempre excelente, como já estamos acostumados :)

Sara MB Pinho disse...

Mas que vestido original...gostaria de ter um igual...será que o fazes à medida??

helvis disse...

Olá Sara. Muito obrigada pelo comentário. Este vestido foi feito numa situação muito particular - para oferecer à minha afilhada. Foi o único que fiz e não me sinto muito à vontade, neste momento, para me aventurar numa "encomenda" desta género, pois não tenho os conhecimentos necessários.
Peço imensa desculpa e fica a promessa de que, se algum dia voltar a fazer alguma peça deste género, entro em contacto a ver se ainda está interessada.
Um beijinho.